A migração desenfreada para o “CORE Saúde” revela falta de planejamento e desrespeito com a vida dos pacientes mineiros
O que deveria ser um salto tecnológico para a saúde pública de Minas Gerais tornou-se um pesadelo logístico. Desde o último dia 19, a substituição do antigo “SUS Fácil” — uma ferramenta de confiança consolidada há duas décadas — pelo novo sistema CORE Saúde mergulhou o estado em uma crise de regulação sem precedentes. O governo estadual decidiu ignorar a cautela e, após um período de testes pífio em apenas uma região, impôs a plataforma para os 853 municípios mineiros simultaneamente. O resultado? Um colapso operacional que deixa hospitais “de mãos atadas” e pacientes em estado grave à mercê de um sistema que simplesmente não funciona.
Em meio a situação dramática para os gestores municipais, falhas no sistema e reclamação geral a Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão da plataforma Regulação 4.0, sistema que utiliza inteligência artificial para regular internações e atendimentos de urgência e emergência pelo SUS no estado.Com a decisão, o governo de Minas Gerais deverá reativar imediatamente o antigo sistema SUSfácil, utilizado desde 2006 para gerenciamento de vagas e procedimentos hospitalares.
Ouro Branco
Durante a sessão legislativa desta terça-feira (26), a vereadora Bruna Dângela (PDT) subiu à tribuna para denunciar o colapso no sistema de regulação de pacientes em Minas Gerais, causado pela recente implementação da plataforma CORE Saúde. Em um discurso firme, a parlamentar apresentou as principais cobranças e pontos de atenção:
A vereadora questionou a decisão do Governo do Estado de substituir o “SUS Fácil” de forma abrupta. Segundo Bruna, a falta de um período de testes adequado e seguro em escala real em todos os 853 municípios mineiros gerou um “apagão” logístico que tem colocado vidas em risco, impedindo a transferência célere de pacientes graves de Ouro Branco para unidades de referência.

Bruna Dângela fez questão de reconhecer o trabalho incansável da equipe do Hospital Raimundo Campos. Ela destacou que, diante da inoperância do sistema CORE Saúde, os profissionais de saúde têm atuado além de suas funções, executando planos de contingência e recorrendo ao contato direto com outros hospitais para garantir que pacientes não fiquem desassistidos. Um dos pontos mais enfáticos do pronunciamento foi o esclarecimento sobre os limites do Poder Legislativo e do Executivo Municipal. A vereadora foi clara ao desmistificar a crença de que vereadores ou prefeitos possuem “poder de intervenção” sobre as vagas de UTI.
A vereadora finalizou sua fala exigindo que o Governo de Minas Gerais assuma a falha do sistema. Para Bruna, não é admissível que o uso de novas tecnologias, sob a justificativa de otimização, resulte na desarticulação da rede de urgência e emergência, deixando os municípios mineiros desamparados no momento de maior fragilidade dos pacientes.
Outras falas
“Se SUS Fácil era difícil imagina agora. È muito sofrimento para a população”, comentou José Irenildo (PSDB), mais conhecido como “Lan”. Para o Warley Pereira (Republicanos) amudança coloca em risco a vida de pacientes e voltou a cobrar a criação de uma nova macro regional da saúde, desvinculando de Barbacena. “O Estado piorou a situação, Não podemos fazer textes quando se envolvem vidas humanas. Na saúde, isso não dá. Precisamos urgente de uma nova macro que unifique Ouro Branco, Congonhas, Lafaiete e demais cidades”, finalizou.



