Casa de Hóspedes da Remonta conta com a sorte para permanecer em pé

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Casa de Hóspedes viveu seu apogeu mas encontra-se em total abandono e pode desmoronar/Reprodução

Um relatório de uma Comissão Especial, criada em março pela Câmara, para investigar e identificar os responsáveis pelo desparecimento de peças e móveis na Casa da Remonta, concluiu pela omissão das duas últimas administrações como fator principal que contribuir no abandono do casarão histórico. A denúncia que gerou a comissão foi apresentada pelo então vereador Geraldo Lafayette, hoje atual gesto da pasta da cultura.

Depois de mais de 5 meses de intenso trabalho, o relatório final foi lido no plenário nesta semana. O casarão, tombado pelo município, em 2002, que durante anos ele serviu para abrigar inúmeras pessoas, delegações, recepções e reuniões, se contrasta com um cenário de total abandono e precarização e omissão. O telhado contem infiltrações e goteiras, o assoalho tem buracos, há trincas e rachaduras nas paredes, portas e janelas quebradas, risco de desmoronamento e em estado avançado de deterioração. O imóvel fica aberto com risco de invasão e cercado pelo mato e sujeira. A casa de Hóspedes da Remonta necessita de um estudo técnico para sua avaliação estrutural aponta o relatório.

O vereador Alan Teixeira, presidente da Comissão Especial que investigou
sumiço de material da Remonta
/CORREIO DE MINAS

Pelo objeto pela qual foi criada a comissão, ela concluiu que diante da precariedade do local, a falta de controle de responsáveis da manutenção e segurança do casarão, desde 2010, os vereadores não apontaram os destinos dos objetos furtados/extraviados que guarneciam o imóvel. Diversos Boletins de Ocorrências foram registrados por furtos no local nos últimos anos. Na verdade o abandono permitiu a ação de desfalque total do casarão, muito bem mobilizado, como camas, vasilhames, móveis, mesas, roupas de camas, vasos, lustres, pia, maçanetas e fiação, etc. A Casa dos Hóspedes da Remonta é o símbolo lafaietense do descaso e da irresponsabilidade com a coisa pública e abandono com o patrimônio histórico.

A Comissão Especial concluiu que há um levantamento do patrimônio móvel que existia na Remonta, mas os vereadores não tiveram acesso. Mesmo diante da situação degradante do local o Ministério público não foi provocado. A utilização da Casa da Remonta é fruto de um termo de cooperação firmado em 2014 entre o Município e o Exército no qual é de responsabilidade da prefeitura a sua manutenção como do Tiro de Guerra e suas atividades como também de casas existentes que servem de moradia para o Exército. A Remonta poderia ser usada desde que sua manutenção fosse custeada pelo município, conforme prevê o termo.

Em setembro de 2016, a Defesa Civil solicitou a interdição parcial do local e o diante do abandono o Exército suspendeu seu uso pelo município. Durante vários, o Exército alertou a prefeitura sobre a situação da Casa de Hóspedes, sem manutenção ou segurança solicitando providências. O que se conclui em que ao longo da última década houve um jogo de “empurra-empurra” entre as gestões sobre a responsabilidade pelo zelo na atual condição que o patrimônio se encontra. Como um bem tombado os sucessivos governos se omitiram em zelar pelo bem.

Como sugestão e providências a Comissão cobrou limpeza, conservação e vigilância do imóvel como seu aproveitamento, qualificação e resgate enquanto patrimônio histórico e cultural dos lafaietenses.