Diversidade sexual: movimento LGBT protesta na Câmara contra projeto que instituía Dia do Orgulho Gay em Lafaiete

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Coletivo LGBT protestou na Câmara com cartazes

 

Os participantes do Coletivo “Ideias Coloridas”, ligados ao movimento LGBT, sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, protestaram na noite de terça feira, dia 10, na Câmara durante a sessão em que os vereadores votariam o projeto de lei que instituía no calendário oficial de festas da cidade o Dia do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual, a ser comemorado no dia 28 de agosto. A data é significativa para o movimento quando iniciou o reconhecimento civil e humanitário do grupo.

Mas a votação que seria uma sinalização de quebra de preconceitos, ao contrário, foi um ato de protesto do movimento LGBT lafaietense. Com cartazes, o movimento expôs sua indignação na Câmara. Assim que o presidente Pedro Loureiro (DEM) anunciou a discussão do projeto, os participantes levantaram e protestaram contra o teor do projeto.

A vice presidente do Coletivo Ideias Coloridas, Val Andrade, fez seu desabafo em nome do grupo paralisando a sessão. “Não existe dia do orgulho gay. È uma falta de respeito e sequer discutimos este projeto. Isso é eleitoreiro e ofende nosso movimento”, disse em alta voz.

Em seguida Tarciano Franco (PRTB) saiu em defesa da nova lei “A gente quis agradar e não ofender. Se é para confusão vamos retirar o projeto”, retrucou.

 

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Val Andrade, vice presidente do Coletivo Ideias Coletivas, desabafou na Câmara

Um dos autores do projeto, o vereador Zezé do Salão (PMN) fez suas considerações já em meio aos protestos e xingamentos do movimento. “Não queremos ofender ninguém. Estou aqui para pedir desculpas”, disse. “Esta lei é antiga e arcaica”, gritaram os integrantes do Coletivo. “A gente pede desculpas por nosso erro, mas a gente queria criar um dia especial, mas como não querem vamos retirar o projeto de pauta”, afirmou João Paulo Pé Quente (DEM), também um dos autores do projeto.

Quando os ânimos estavam mais inflamados, os manifestantes gritaram. “A gente quer qualidade de vida, mais representatividade e respeito de gênero”, gritou Val, que é também Presidente do Conselho Municipal dos Direitos Humanos de Lafaiete. Em alguns momentos alguns vereadores foram alvos de estocadas verbal dos integrantes do movimento.

Sob pressão, o projeto foi retirado de votação, mas as participantes deixaram o plenários xingando o legislativo.

Cobranças

Ouvidas por nossa reportagem as lideranças do Coletivo “Ideias Coloridas” enumeraram os erros do projeto. Elas disseram que sequer foram ouvidas ou participaram da elaboração do conteúdo da lei. “O que a gente não concorda é que este projeto é voltado somente para os homens gays. Precisamos ampliar este leque de gêneros, por isso este projeto é excludente. Lá fora as pessoas vão comparar este dia como a parada gay. Queremos muito mais que isso. Queremos respeito”, explicou Gih, Presidente do coletivo que participou recentemente da conferência nacional LGBT, em Brasília, e foi uma das delegadas de Minas Gerais no evento.

 

Movimento LBBT descordou do projeto que instituía o Dia do Orgulho Gay em Lafaiete
Movimento LGBT descordou do projeto que instituía o Dia do Orgulho Gay em Lafaiete

Para as lideranças uma das faltas de respeito ao movimento é que o comércio em geral, como bares, restaurantes e locais públicos, não existem banheiros voltados para o público LGBT. “Mais que projeto precisamos incluir na sociedade e garantir direitos a outras identidades”, resumiu Val que é representante da mulher lésbica no Comitê Técnico da Secretaria de Estado da Saúde. “Não queremos confetes mas políticas públicas”, pontuou Gih. O Coletivo Ideias Coloridas foi criado em Lafaiete há mais de 3 anos.

Apoio

O grupo Anti Preconceito de Lafaiete também manifestou nota de repúdio contra o projeto e a criação da data comemorativa. “Não estamos em buscas de datas comemorativas, nossa luta é a favor da conscientização das pessoas. Entendemos que o intuito da Câmara seja o melhor para nós, mas o caminho a ser perseguido não é esse”, disse a nota que pede participação dos movimentos sociais nas discussão dos projetos antes de entrar em pauta.

 

 Fotos:CORREIO DE MINAS