Em dívida: CSN negocia venda de ativos de mineração com chineses

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Empresa quer se desfazer de fatia em subsidiária, que inclui Casa de Pedra em Congonhas

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CSN precisa vender R$ 2 bilhões em ativos para equilibrar caixa

­ A CSN negocia com a estatal chinesa CBSteel a venda de uma participação minoritária na Congonhas Minérios, braço da siderúrgica que reúne ativos de logística e mineração — como a mina Casa de Pedra —, segundo fonte a par das conversas. As negociações começaram há dois meses e marcam uma reviravolta na estratégia da empresa para reduzir sua dívida, de R$ 25,8 bilhões. Até agora, a CSN mantinha conversas apenas com interessados nos ativos não estratégicos, como o terminal de contêineres, em Itaguaí (RJ), e a fábrica de embalagens Metalic, vendida mês passado. A Congonhas Minérios é essencial para a CSN: é de lá que vem o minério de ferro que alimenta os altosfornos de Volta Redonda, no Sul Fluminense, principal operação do conglomerado da família Steinbruch.

Além da CBSteel, o China Development Bank estaria interessado em participar do negócio. As conversas iniciais apontam para a compra de uma fatia de até 30% da participação da CSN na Congonhas Minérios. A siderúrgica tem 87,52% da subsidiária. Os 12,48% restantes estão nas mãos de um pool de empresas asiáticas, sobretudo japonesas, e não são alvo da negociação. Se esse desenho for mantido e a venda for concretizada, a CBSteel terá até 26% da companhia, ao fim do processo. Quando foi criada, no fim de novembro passado, a Congonhas Minérios um acordo de fornecimento de minério de ferro de longo prazo, a exemplo dos que foram firmados entre a Congonhas Minérios e seus sócios asiáticos — nesses casos, o compromisso é de 40 anos.

Terminal Portuário no Rio

Esse não é o primeiro negócio que CBSteel pretende fazer no Brasil. Quando o presidente Michel Temer foi à China, este mês, a estatal chinesa sinalizou com a possibilidade de investir US$ 3 bilhões na construção de uma siderúrgica no Maranhão. A Congonhas Minérios foi criada a partir da integração da mina Casa de Pedra e das minas (Engenho e Pires) da Namisa, empresa da qual a CSN detinha 60%, e os parceiros asiáticos, 40%. A Congonhas detém, ainda, uma fatia na MRS — principal ferrovia de escoamento da produção mineral de Minas Gerais para o Rio — e o terminal portuário Tecar, em Itaguaí, que movimenta cargas a granel, como minério de ferro e carvão. É por lá que é exportado o minério de ferro que a siderúrgica de Volta Redonda não consome.

A capacidade de produção de minério de ferro da Congonhas Minérios deve chegar a 31 milhões de toneladas este ano. Nas previsões da CSN, a usina de Volta Redonda vai consumir até 6 milhões de toneladas este ano.

Foto: Reprodução