Ex-Procurador Municipal é preso em Lafaiete

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Ex-Procurador, já na delegacia, demonstrou tranquilidade quanto à prisão

O ex-Procurador Municipal Wellington Menezes foi preso na tarde desta terça-feira, 25/10.

O advogado, que ocupou o cargo de Procurador na administração de Júlio Barros (PT), foi abordado nesta tarde por delegados e policiais civis quando estava no fórum Assis Andrade, em Lafaiete. Os agentes da lei cumpriam um mandado de prisão contra Menezes, que foi levado para a delegacia.

Versão

Já na delegacia Wellington Menezes conversou com a equipe do Fato Real, e deu sua versão para a prisão. “Estou aqui por um erro administrativo. Sou réu primário. E estou tentando provar que não recebi o dinheiro. Na minha avaliação o Judiciário não analisou de forma profunda a questão”, afirmou.

O ex-Procurador estava citando o processo que o condena a quatro anos de prisão em regime semiaberto pelo crime de peculato. A denúncia foi instruída com cópias de documentos extraídas do Inquérito Civil Público n.º 05/2008 para apuração de questões envolvendo a alienação pelo Município de Conselheiro Lafaiete do imóvel onde atualmente se situa o Supermercado EPA.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais, apurou-se à época que o Município de Conselheiro Lafaiete ajuizou ação de desapropriação em relação ao imóvel situado na rua Comendador Baeta Neves, n.º 241 e efetuou o depósito judicial da quantia de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Em 11/09/2005 a ação foi extinta. Wellington Menezes, então ocupante do cargo de Procurador do Município peticionou em 10/02/2006 nos autos da referida ação, solicitando à Juíza de Direito da 1ª Vara Cível desta comarca que expedisse alvará autorizando o levantamento da quantia que havia sido depositada judicialmente, o que lhe foi deferido.  De posse do alvará judicial o denunciado, ao invés de depositar a quantia apurada na conta bancária da Prefeitura efetuou em 04/04/2006 a transferência do numerário corrigido – no total de R$ 24.434,45 (vinte e quatro mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e quarenta e cinco centavos) – para sua conta pessoal.

Ex-Procurador, já na delegacia, demonstrou tranquilidade quanto à prisão
Ex-Procurador, já na delegacia, demonstrou tranquilidade quanto à prisão

 

Defesa

Cercado por amigos advogados, Menezes se disse tranquilo quanto à prisão e disse que atua em duas frentes de defesa: “Tenho uma ação contra o Banco do Brasil, que na minha opinião cometeu um erro técnico-administrativo ao não devolver o dinheiro para o Município e também tenho que falar que este processo não está totalmente esgotado. Tenho recursos no STJ (Supremo Tribunal de Justiça).

Tranquilo

Perguntado se temia o fato de dormir na cadeia, – já que no sistema semiaberto ao qual foi condenado funciona com o condenado dormindo no presídio e saindo durante o dia para trabalhar, Wellington disse não ter medo. “Sou advogado. Já atuei de forma favorável e desfavorável a muitos que estão no presídio hoje. Então cabe ao Estado zelar pela minha segurança. Se tudo correr dentro do limite da lei não temo à prisão”.

Mesmo passado relativo tempo pós-governo Júlio Barros, o ex-Procurador não esconde a mágoa do então amigo. “Dr. Júlio e sua equipe poderiam ter resolvido esta questão do cheque de outra forma. Mesmo porquê não fui eu quem o depositou na minha conta. Poderiam ter procurado a direção do banco. Ter sanado o problema de outra forma. Mas é isso. Às vezes, pensamos que temos amigos e ou aliados, mas nas horas difíceis o que vemos é outra coisa”.

Os advogados do ex-Procurador Municipal estão neste momento buscando junto à Justiça reverter sua prisão.

Fonte: Fato Real