História e arquitetura reconhecidas: mais de 20 anos depois, IEPHA faz o tombamento estadual do centenário hospital Cassiano Campolina

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Mais de 20 anos depois, um dos bens mais emblemáticos pela sua importância história, artística e social de Minas Gerais, foi tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio e Artístico (IEPHA).
O Conselho Estadual aprovou recentemente o tombamento em reconhecimento a enquanto patrimônio cultural mineiro e seu significado arquitetônico singular.

O parecer do conselho ressalta que ele foi “construído para abrigar uma instituição hospitalar que pudese atender não apenas o município de Entre Rios de Mnas, mas a população do entorno, o prédio atravessou o século XX exercendo essa função e se tornando referência para a comunidade. O valor de uso, de certa forma, reúne os demais significados adquiridos e alimenttados ao longo das décadas. As mudanças e adequações necessárias para atendimento às normas sanitárias não reduzem os demais valores e são consideradas nas diretrizes de proteção”.

Na aprovação, os conselheiro recomendaram a abertura do bem para visitação pública, guardadas evidentemente as restrições e controles próprios a uma instituição hospitalar. A visitação, especialmente à bela Capela de Nossa Senhora das Dores, seria inserida em uma ação de educação patrimonial planejada, atingindo, entre outros, a comunidade escolar, e ampliando o sentido social e público de sua proteção.

A fala do secretário Ângelo Oswaldo

Na reunião do Conselho Estadual de Patrimônio Histórico, o Secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, ressaltou a importância do tombamento de um dos bens mais caros a cultura de Minas. “É um momento muito significativo. Estamos reconhecendo um dos mais antigos e tradicionais hospitais do estado e do país, como um patrimônio cultural. Acredito que esse processo tenha demorado tanto pelo receio que as pessoas tinham de tombar um hospital. Parece uma aventura para os conservacionistas, como exatamente responder a essas questões que vão surgindo: e o assoalho? e a parede? e os mecanismos todos de aeração, refrigeração, os dutos de gás?. Há uma série de demandas que são típicas de uma organização hospitalar. E compatibilizar equipamentos modernos com uma edificação histórica muitas vezes é um desafio que é difícil de ser equacionado. Eu quero cumprimentar o IEPHA por ter resolvido finalmente, um ponto positivo na nossa gestão atual por ter enfrentado o desafio com objetividade, clarividência, lucidez e bom senso. Acho que quando há bom senso que constam no parecer , no sentido que haja compatibilidade entre o monumento histórico e a vida contemporânea. Eu sempre digo que a nossa atitude não é conservadora, é conservacionista”, disse.

A história e mecenas

Ao morrer, em 1904, Cassiano Campolina, criado da raça Campolina, mediante testamento doou tudo o que tinha para a construção de um hospital com a finalidade então de atender todos os enfermos e necessitados da região. Então em 1910 foi inaugurado o Hospital Cassiano Campolina, que até hoje atende toda a região.

Em sua segunda visita pastoral à freguesia da Senhora das Brotas, de Entre Rios, de 14 a 19 de novembro de 1908, Dom Silvério Gomes Pimenta, Arcebispo de Mariana, visitara o Hospital ainda em construção. Foi a ele solicitado que viesse assistir a inauguração deste monumento.

Em 1910 estava já fundado o Hospital mas o Arcebispo Marianense, só quando esteve pela terceira vez em visita pastoral à Paróquia em 05 de fevereiro de 1915, acompanhado de todo o Clero, é que o benzeu. Após percorrer todas as dependências do Hospital espargindo sua bênção pronunciou o seguinte: “O prédio esta esplêndido na frente dele se acha o Cemitério cercado de muro, Com gradil na frente e uma Capela no fundo”. Cassiano Campolina foi um mecenas.

O presente

Hospital Cassiano Campolina, atende uma população de 40 mil habitantes das cidades mineiras de São Brás do Suaçuí, Lagoa Dourada, Piedade dos Gerais, Desterro de Entre Rios e Jeceaba, além da própria Entre Rios. Pelo Pronto Socorro passam mais de 2.000 pessoas/mês, além de possuir as especialidades de Clínica Médica, Cirurgia, Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria.

Com uma boa estrutura a equipe atual conta com 55 pessoas, entre médicos, cirurgiões, enfermeiras, administradores, recepcionistas, cozinheiros e lavanderia.

Um dos primeiros hospitais de Minas, grande parte grandes nomes da história da medicina exerceram suas funções, entre os quais João Alves e Alcino Lázaro, entre tantos.

“Outros médicos originários de Entre Rios ou descendentes de naturais desta cidade ilustram a história da medicina mineira, brasileira e mundial. Para exemplificar com um dos nomes de importância internacional, citaremos Aloisio Resende Neves, o primeiro autor a comprovar no homem o efeito anticonceptivo dos hormônios sexuais, princípio científico da pílula anticoncepcional”, ressaltou em um artigo “Municipalização da História: O exemplo da Importância Histórica de Entre Rios de Minas”, João Amílcar Salgado, Professor Aposentado da Faculdade de Medicina da UFMG.