Nova agenda na saúde vai promover fim das filas, organização do setor e ampliação das consultas nos PSF’s

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Fim das filas: Prefeitura inicia teste da agenda programada em que médicos vão cumprir carga horária de 8 horas e exigência de 24 consultas/dia; novo modelo é pioneiro em Minas/Arquivo

A prática antiga da distribuição de senhas limitadas pela manhã, que acarretava em filas nas unidades durante a madrugada, será eliminada

“É uma atitude de coragem e sabemos que vamos correr o risco de falta de médicos, porém não quero pagar ou responder por omissão ou improbidade administrativa”. Assim resumiu o Secretário Municipal de Saúde, Alessandro Gonçalves Pereira, durante reunião mensal do Conselho Municipal de Saúde, ocorrida esta semana, na Casa dos Conselhos. A Secretaria apresentou a Agenda Programada da atenção básica aos conselheiros que prevê um novo modelo de atendimento com agendamento dos pacientes nos 24 Unidades do Programa de Saúde da Família (PSF’s). Há 60 dias a secretaria havia pedido adiamento da implantação do novo.

Apesar da nova agenda encontrar grande resistência na classe médica, por outro lado ela vem respaldada pelo Conselho de Saúde, Ministério Público e vereadores, além dos usuários que vão ganhar em agilidade e qualidade nos atendimentos. Conforme exortou o secretário de saúde, as novas medidas vão exigir mudança na cultura dos usuários, já que a consultas serão agendadas.

Promotoria e Conselho de Saúde aprovam nova agenda para a saúde/CORREIO DE MINAS

Com o novo modelo padrão haverá mecanismos nos quais os médicos contratados terão que cumprir 8 horas diárias de trabalho, totalizando 40 semanais, quando atendimentos começariam às 7:00 horas e término ás 12:00 horas. No turno da tarde, o início seria às 14:00 horas e término às 17:00 horas, de segunda a sexta feira. O novo fluxo previa um atendimento de 24 pacientes ao dia através de consultadas agendadas, espontâneas e retorno. O atendimento seria por ordem de chagada. Dentro do horário de atendimento dos médico está as visitas domiciliares e atendimento a grupos de diabéticos, gestantes e hipertensos. A prática antiga da distribuição de senhas limitadas pela manhã, que acarretava em filas nas unidades durante a madrugada, já é antiquada e não beneficia nem o usuário, nem os profissionais.

A intenção do novo sistema de agendamento é por fim às constantes reclamações dos usuários do sistema de saúde e estabelecer normas de controle de horário, ampliando o atendimento buscando a eficiência dos resultados e produtividade.

A nova agenda já começa a ser testada e avaliada nas unidades de saúde já visando adequações ao movo modelo, mas oficialmente estará em funcionamento pleno a partir de meados de novembro.

Avaliação e desafios

O secretário Alessandro Gonçalves Pereira reconheceu os desafios e impactos das novas medidas, já que não é realidade somente de Lafaiete, como das cidades brasileiras, a rotina da falta de cumprimento da carga horários pelos médicos. “Estamos assumindo com a coragem e comprometimento da nossa equipe e com apoio do prefeito Mário Marcus este grande desafio. Nos preparamos em conjunto com diversos atores que envolvem a saúde”, assinalou.

Outro problema levantando é falta de um piso regional para os médicos. Enquanto Lafaiete estipulou o valor de R$ 8 mil/ mês, por outro lado,cidades da região chegam a pagar super salários de até R$ 15 mil. Esta distorção é apontada como fator de fuga de profissionais para outros municípios.

Questionado como seria a reposição de médicos em caso da falta, Alessandro disse que a prefeitura trabalha com um quadro de reserva e termina esta semana as inscrições para um novo processo seletivo. “Temos certeza que estamos do lado da população. Não foi uma decisão da secretaria, mas temos total apoio da promotoria, os vereadores e do conselho de saúde. A saúde dá um grande passo em Lafaiete, talvez a maior transformação da última década em favor dos direitos dos usuários do sistema de saúde”, frisou Alessandro.