Projetos sociais mostram o outro lado do Bairro Jk, diminui a violência, gera renda, resgata a auto estima e valoriza os moradores

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Projeto esportivo e inclusivo levou o time do JK ao vice campeonato do Varzeano/Reprodução
Horta comunitária envolve 27 famílias/CORREIO DE MINAS

Muito além do JK, além de paradigmas, de preconceitos e de rótulos que ao longo dos anos transformaram o Bairro como manchetes para inúmeras reportagens que estamparam as capas dos jornais com um dos mais violentos de Lafaiete. “O nosso bairro está reagindo e estamos ocupando e resgatando aquilo que ele perdeu desde quando a violência tomou o JK”. Esta foi a avaliação de Márcia Helena, que lidera e promove ações inclusivas da associação “Rompendo a fé”, no bairro JK que está mudando o perfil do local, em parceria com a associação comunitária.

A mobilização iniciou dentro de um coral de igreja, há cerca de 5 anos, quando as mulheres descobriram que vivenciavam por problemas comuns. Márcia relata que a partir da própria experiência, cuja família passou por envolvimento com droga, juntamente com outras colegas despertaram e perceberam que somente a união podiam superar os problemas vivenciados principalmente os filhos envolvidos no mundo das drogas e o tráfico.

Assim elas criaram a Associação “Rompendo a Fé”. “Quando a gente se juntava para cantar e conversar todos nós víamos que passávamos pelos dramas pessoais. Então resolvemos ir a luta”, resumiu Márcia, enumerando problemas familiares comuns como violência doméstica, baixa estima e drogas na família.

No início a principal tarefa das mulheres, mães e pais era acompanhar os filhos nos campos de futebol. “Onde nossos filhos estavam nos campos a gente ia para torcer”, conta Márcia.

Projeto buffet para geração de renda/CORREIO DE MINAS

Mas aos poucos a associação foi crescendo diante principal problemática das drogas no bairro que tomava lares e famílias. “Nesta época víamos que o tráfico tomou o bairro”, relatou. Com ajuda dos treinadores elas acompanhavam os filhos. Assim formou a Comissão de esportes dentro do grupo “Rompendo a Fé”. Com o grupo nasceu o projeto de esporte que envolve jovens e adolescentes. Como resultado do trabalho, o “União JK”, aos trancos e barrancos, foi o vice campeão, no último domingo, dia 19, conquistando o vice campeão da Copa Varzeana, na categoria Aspirantes. O time é formando na base com garotos promissores no futebol. Com a derrota os jogadores deixaram o campo em choro geral tal o envolvimento na competição.

Observando muitas adolescentes com filhos gerados muito cedo, a associação criou o futebol para este grupo. A intenção foi resgatar a auto estima e criar perspectivas como a criação de emprego e renda. Com ajuda de monitores do bairro nasceu também o projeto de desenvolver o artesanato na comunidade voltado para estas adolescentes. Hoje as peças produzidas são vendidas em um stand da Feira de Artesanato. Márcia conta que o projeto não avança mais por que falta materiais para confeccionar os produtos. Há outro projeto de venda marmitex a preço bem acessível, ao custo de R$8,00, na qual trabalham diversas moradoras.

Há 2 anos, a associação comunitária, com a perspectivas de gerar renda e até mesmo abastecer as famílias, criou horta comunitária que funciona no terreno da sede da associação.  Vinte e sete famílias estão envolvidas no projeto do plantio, cultivo e manutenção.

Entre  tantas atividades desenvolvidas pela Associação “Resgatando a Fé”, há também a sopa, servida duas vezes por semana, com produtos recolhidos em varejões e sacolões. A alimentação é servida a qualquer morador.

Projeto esportivo e inclusivo levou o time do JK ao vice campeonato do Varzeano/Reprodução

Desdobramentos

Com tanta disposição, garra e espírito mobilizador, a líder Márcia Helena conta que os resultados estão presentes dentro do bairro. Apesar da droga ainda estar presente entre as famílias, houve um queda substancial. “Nosso bairro sofre com a discriminação, mas a realidade mudou. Estamos ocupando nosso espaço e espalhando ações do bem e resgatando as famílias. Da nossa união veio a alegria semeada nos lares”, frisou Márcia.

Mães e monitores do projeto de artesanato/CORREIO DE MINAS

Sentimentos idênticos são comungados pelo presidente da Associação Comunitária do JK, Glauber Júnior Dias, entusiasta do trabalho social e defensor do bairro. “O Jk é um bairro distante do que ainda falam e mostram os jornais. As pessoas têm vir aqui para ver o outro lado do bairro, gente simples que se dedica ao bem dos outros. Talvez seja o bairro onde a própria comunidade mais desenvolve projetos sociais, mas falta valorização do poder público”, relatou o líder.

A comunidade agora luta para construir a sede da associação “Resgatando a Fé”. O Jk é um exemplo para Lafaiete com a dedicação desprendimento de pessoas predestinadas a ajudar a transformar a realidade em um território do bem e da promoção da paz. O JK é uma experiência que ganha êxito na medida que as pessoas se juntam e participam e começam a olhar o bairro com os olhos de que todos somos responsáveis pelas melhorias”, analisou Márcia.

Atletas participantes do projeto do esporte/CORREIO DE MINAS