Revoltados, moradores e sitiantes retiram barreiras e pedras em estrada vicinal

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Em menos de 15 dias, moradores e sitiantes sofrem com as constantes barreiras colocadas pela Concessionária Via 040 em uma estrada vicinal, perto da BR 040, que dá acesso a diversas fazendas, comunidades e cidades como Queluzito, Casa e Cristiano Otoni.

A estrada é usada por diversos produtores de Lafaiete e região e é canal de interligação regional. Pela estrada passa o escoamento de mexerica, feijão e milho. Ela dá acesso a antiga estrada da União Indústria.

Máquina retira bloqueio da estrada//Foto: CORREIO DE MINAS
Máquina retira bloqueio da estrada//Foto: CORREIO DE MINAS

Nesta manhã, dia 13, cerca de 40 sitiantes e moradores contrataram um retroescavadeira para retirar pelo menos 5 bloqueios de pedra e concreto na estrada que impedia o acesso a suas propriedades dos moradores e produtores. Até um morador doente está ilhado na região e passa por dificuldades de doença.

Nossa reportagem acompanhou a luta dos moradores para manter o seu acesso livre. Indignados eles acusaram a Via 040 de vandalismo em bloquear uma estrada pública e como também conivência do dono da Fazenda Lagartixa em permitir o impedimento com pedras e buracos. “Esta fazenda têm um acesso a 040 por outro lado. Estou andando até 12 km com o bloqueio desta estrada. Isso é vandalismo da Via 040 com a permissão do dono de fazenda”, denunciou o produtor rural José Fonseca que usa estrada como para escoamento de sua produção de hortifruti ao Ceasa. “Esta estrada é nossa e não particular como dizem os donos da fazenda. Ela tem mais de 100 anos”, disse Fonseca que gasta mais de R$800,00 com pedágio.

Máquina retira concreto que obstruía estrada//Foto: CORREIO DE MINAS
Máquina retira concreto que obstruía estrada//Foto: CORREIO DE MINAS

O produtor rural Joubert Meireles, produtor de mexerica, também critica a atitude da Via 040. “Com a falta deste acesso tenho que percorrer mais de 12 km até a minha propriedade”, afirmou. Um dos moradores mostrava um documento do Google Earth que aponta que uma ponte destruída ontem fica nos domínios do município de Queluzito e faz ligação com a Estrada Real. “È um absurdo o que fazem conosco. Uso esta estrada há mais de 40 anos”, comentou Gilberto Brum, vereador em Queluzito. Outro produtor de mexerica também criticava a atitude de invadir uma área pública para impedir o acesso dos produtores. “A Via 040 está atrapalhando nossa vida e nossa produção”, disse Èlton Fernandes.

Moradores e sitiantes aguardam desobstrução da estrada//Foto: CORREIO DE MINAS
Moradores e sitiantes aguardam desobstrução da estrada//Foto: CORREIO DE MINAS

A estrada, alvo da ira dos moradores, corta os terrenos de Tadeu Dutra. As terras foram herdadas de seu avô, Licínio Dutra. “Esta estrada sempre existiu e a região agora sofre com esta maneira autoritária da Via 040 em impedir os moradores de acesso. È uma covardia o que fazem conosco e as prefeituras têm de entrar na questão para defender os produtores a não ficarem reféns da Via 040. Ela só pensa em lucro”, questionou.

 

Para proprietário, estrada é particular e diz não ser contra as barreiras

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José Maria Azevedo/Foto: CORREIO DE MINAS

Durante a ação passiva dos moradores em desbloquear a estrada, um dos donos da Fazenda Lagartixa, José Maria Azevedo, apareceu em meio aos protestos. A propriedade produz feno e milho para silagem. José Maria é um dos donos da propriedade e é filho do ex prefeito de Belo Horizonte, Celso Mello de Azevedo ((1955/1959), falecido em 2004, como também dono da construtora Mello Azevedo. A propriedade tem 40 funcionários.

José Maria foi entrevistado por nossa reportagem em meio aos mais de 30 produtores rurais que ouviam nossos questionamentos. Primeiramente ele disse que a estrada que passa dentro do seu sítio e dá acesso aos produtores é particular e mantida por ele desde 2007, quando adquiriu a propriedade. Ele negou qualquer participação na ação de bloqueio da estrada porém concorda com a obstrução. “Depois do pedágio mais de 400 carros passam aqui diariamente. No ano passado estes veículos, durante as chuvas, destruíram nossa estrada e até danificaram nossa ponte”, argumentou. Segundo ele, seus caminhões pagam mais de R$1 mil/mês com o pedágio. “Eu não fechei a estrada, mas concordo com o fechamento. Não estou ameaçando ninguém aqui. A estrada é minha”, disse, quando um dos produtores contestou sua versão afirmando que há mais de 100 anos a estrada usada pelos moradores. “Eu não fiz nada. Se foi a Via 040 que destruiu a ponte e colocou as barreiras o problema é dela. Não vou concordar ou discordar da atitude dela”, disse José Maria.

“Se colocarem barreiras vamos novamente desobstruir. Queremos trabalhar”, provocou o produtor Joubert Meireles. O vereador Fernando Bandeira (PTB) disse aos moradores e produtores que vai apressar a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal para discutir o problema. “A população não pode ser sofrer com esta invasão promovida pela Via 040. Acredito que o poder público e as autoridades devem intervir na questão para resguardar os direitos dos moradores”, comentou.

 

Via 040 diz não entrada para estrada não oferece segurança

 

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Funcionários da via 040 estiveram no local/Foto: CORREIO DE MINAS

Em resposta a nosso questionamento sobre o problema a Via 040 informou que “as ações de regularização de acessos realizadas em Conselheiro Lafaiete fazem parte do compromisso contratual da Concessionária de adequar, regularizar e fechar os acessos presentes em todo o trecho concedido. Estas medidas visam a reduzir os riscos associados ao uso de acessos irregulares, preservando a vida e a segurança dos usuários que transitam pela rodovia diariamente.

A Via 040 reafirma que age em conformidade com a legislação de trânsito e o contrato de concessão, buscando em primeiro lugar o aumento do nível de segurança na rodovia.

No caso em questão, o acesso não apresenta elementos de segurança fundamentais, tais como faixas de aceleração e desaceleração, o que faz com que as manobras para entrada ou saída na rodovia sejam de grande risco.

A Concessionária reforça, ainda, sua posição de manter-se aberta ao recebimento das solicitações comunitárias para amplo estudo e discussão técnica, sempre de maneira organizada e com atenção à segurança de todos.

Os usuários que desejarem entrar em contato podem fazê-lo por meio de ligação gratuita, com atendimento 24 horas, para o número 0800-040-0040. Também estão disponíveis canais de atendimento pelos e-mails [email protected] e [email protected], além do site www.via040.invepar.com.br.”

 

 

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