Vale pode se tornar ré em ação no Reino Unido por Mariana

A tragédia ocorreu em novembro de 2015, quando uma barragem da mineradora Samarco localizada em Mariana (MG) se rompeu

A mineradora Vale poderá se tornar ré no Reino Unido em processo que julga as responsabilidades pela tragédia ocorrida em Mariana (MG). A mineradora anglo-australiana BHP Billiton já é alvo desse processo. A questão foi discutida durante dois dias em uma audiência em Londres e encerrada nesta quinta-feira (13). Ainda não há data para que uma decisão seja tomada.

A tragédia ocorreu em novembro de 2015, quando uma barragem da mineradora Samarco localizada em Mariana se rompeu. No episódio, a avalanche de rejeitos escoou pela bacia do Rio Doce, impactando dezenas de municípios mineiros e capixabas. Dezenove pessoas morreram.

A Vale é uma das duas acionistas da Samarco. A outra é a BHP Billiton, que tem sede em Londres e responde ao processo que tramita desde 2018 na Justiça do Reino Unido. Ele foi movido por milhares de atingidos representados pelo escritório Pogust Goodhead. Também integram o processo municípios, empresas e instituições religiosas que alegam ter sido impactados na tragédia.

A inclusão da Vale no processo foi pedida pela BHP Billiton. A mineradora anglo-australiana alega que, em caso de condenação na Justiça do Reino Unido, a Vale também precisa ser responsabilizada no país para arcar com, no mínimo, 50% das indenizações.

O pedido da BHP Billiton foi apresentado após a Justiça do Reino Unido negar pedidos para que o processo fosse arquivado. A mineradora alegou anteriormente haver uma duplicação de julgamentos e defendeu que a reparação dos danos deveria se dar unicamente sob a supervisão dos tribunais brasileiros. De outro lado, a defesa dos atingidos sustenta que o Brasil não tem sido capaz de assegurar uma justa reparação. Em março, 500 mil novos autores aderiram ao processo. Dessa forma, agora são mais de 700 mil pessoas e entidades representadas pelo escritório Pogust Goodhead.

No Brasil, todas as ações reparatórias são administradas pela Fundação Renova, entidade criada em 2016 conforme acordo firmado entre as três mineradoras, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Cabe a ela a gestão de mais de 40 programas. Mas, passados quase oito anos, sua atuação é alvo de diversos questionamentos judiciais por parte dos atingidos e do poder público. Há discussões envolvendo desde a demora para conclusão das obras de reconstrução dos distritos arrasados na tragédia até os valores indenizatórios.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) chegou a pedir a extinção da Fundação Renova por considerar que ela não possui a devida autonomia frente às três mineradoras. Uma tentativa de repactuação do processo reparatório, capaz de apontar para uma solução para mais de 85 mil processos sobre a tragédia, está em andamento desde o ano passado.

Alinhamento

Na audiência realizada nos últimos dois dias, a Vale defendeu que a Justiça do Reino Unido não tem jurisdição para avaliar o caso, se alinhando ao posicionamento já apresentado pela BHP Billiton. Em nota, a mineradora também sustentou que mais de R$ 30,05 bilhões dos recursos destinados à Fundação Renova foram designados para a indenização de mais de 417,5 mil pessoas. “As eventuais indenizações impostas na ação coletiva [movida no Reino Unido] deverão considerar valores já recebidos pelos mesmos autores no Brasil, por força de acordos individuais ou decisões judiciais”, acrescenta o texto divulgado pela Vale.

Do lado de fora do tribunal, uma comitiva de atingidos organizou um protesto. Estiveram presentes moradores de áreas atingidas e representantes de diferentes etnias indígenas. O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) divulgou uma manifestação do seu coordenador Joceli Andreoli, que integrou a comitiva.

“Nós sabemos que a Justiça brasileira tem sido falha e a Vale quer ser julgada lá, porque ela tem influência. Ela tem enrolado os atingidos há oito anos, nesse que é o maior crime socioambiental do país. Esperamos que a Vale também seja julgada aqui e que ela cumpra com a reparação integral dos atingidos e atingidas”.

O escritório Pogust Goodhead, que representa os atingidos, divulgou uma manifestação do advogado Tom Goodhead. “As duas maiores mineradoras do mundo estão em uma briga judicial para decidir quem deve ser responsabilizado por esse grande crime, quando na verdade o que deveria estar em discussão é a compensação das vítimas que sofrem há oito anos. Estão gastando tempo, energia e recursos em vez de sentarem com as vítimas e resolverem esse caso. Não encaram as consequências de suas negligências. É um espetáculo repugnante”, criticou.

Em nota, a BHP afirma que continuará a se defender na Justiça do Reino Unido e que considera o processo desnecessário por duplicar questões que estão cobertas pelo trabalho da Fundação Renova ou são objeto de discussões judiciais no Brasil. Segundo o texto, o pedido de inclusão da Vale foi uma medida processual necessária para que as responsabilidades sejam compartilhadas caso ocorra uma ordem de pagamento.

Conforme a nota, a situação não afeta as relações entre as duas mineradoras. A BHP Billiton afirma que continuará a trabalhar em estreita colaboração para apoiar as ações de reparação em andamento. “No total, mais de 200.000 autores da ação inglesa já receberam algum tipo de pagamento no Brasil”, acrescenta o texto.

Julgamento em 2024

A ação no Reino Unido chegou a ser suspensa na etapa inicial, quando ainda se discutia se o caso poderia ser analisado no país. Sem adentrar no mérito da questão, o juiz inglês Mark Turner considerou em 2020 que havia abuso, entre outras coisas, porque poderia haver sentenças inconciliáveis com julgamentos simultâneos no Brasil e no Reino Unido.

Para o juiz, não havia evidências suficientes de que a Justiça brasileira fosse incapaz de assegurar a justa reparação. No entanto, em julho de 2022, a Corte de Apelação aceitou recurso dos atingidos e determinou que o mérito do processo deveria ser analisado.

As audiências que julgarão o mérito do processo e avaliarão se a BHP Billiton tem responsabilidades pela tragédia estão inicialmente marcadas para abril de 2024. No entanto, em maio, a Justiça do Reino Unido remarcou a data e o caso será analisado apenas em outubro de 2024. O adiamento atendeu parcialmente o pedido da mineradora. A BHP Billton queria mais prazo para permitir a manifestação da Vale no processo e chegou a defender a realização das audiências apenas em 2025. Já a defesa dos atingidos se manifestou contra o adiamento. (com Agência Brasil)

FONTE JORNAL DO BRASIL

Vale pode se tornar ré em ação no Reino Unido por Mariana

A tragédia ocorreu em novembro de 2015, quando uma barragem da mineradora Samarco localizada em Mariana (MG) se rompeu

A mineradora Vale poderá se tornar ré no Reino Unido em processo que julga as responsabilidades pela tragédia ocorrida em Mariana (MG). A mineradora anglo-australiana BHP Billiton já é alvo desse processo. A questão foi discutida durante dois dias em uma audiência em Londres e encerrada nesta quinta-feira (13). Ainda não há data para que uma decisão seja tomada.

A tragédia ocorreu em novembro de 2015, quando uma barragem da mineradora Samarco localizada em Mariana se rompeu. No episódio, a avalanche de rejeitos escoou pela bacia do Rio Doce, impactando dezenas de municípios mineiros e capixabas. Dezenove pessoas morreram.

A Vale é uma das duas acionistas da Samarco. A outra é a BHP Billiton, que tem sede em Londres e responde ao processo que tramita desde 2018 na Justiça do Reino Unido. Ele foi movido por milhares de atingidos representados pelo escritório Pogust Goodhead. Também integram o processo municípios, empresas e instituições religiosas que alegam ter sido impactados na tragédia.

A inclusão da Vale no processo foi pedida pela BHP Billiton. A mineradora anglo-australiana alega que, em caso de condenação na Justiça do Reino Unido, a Vale também precisa ser responsabilizada no país para arcar com, no mínimo, 50% das indenizações.

O pedido da BHP Billiton foi apresentado após a Justiça do Reino Unido negar pedidos para que o processo fosse arquivado. A mineradora alegou anteriormente haver uma duplicação de julgamentos e defendeu que a reparação dos danos deveria se dar unicamente sob a supervisão dos tribunais brasileiros. De outro lado, a defesa dos atingidos sustenta que o Brasil não tem sido capaz de assegurar uma justa reparação. Em março, 500 mil novos autores aderiram ao processo. Dessa forma, agora são mais de 700 mil pessoas e entidades representadas pelo escritório Pogust Goodhead.

No Brasil, todas as ações reparatórias são administradas pela Fundação Renova, entidade criada em 2016 conforme acordo firmado entre as três mineradoras, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Cabe a ela a gestão de mais de 40 programas. Mas, passados quase oito anos, sua atuação é alvo de diversos questionamentos judiciais por parte dos atingidos e do poder público. Há discussões envolvendo desde a demora para conclusão das obras de reconstrução dos distritos arrasados na tragédia até os valores indenizatórios.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) chegou a pedir a extinção da Fundação Renova por considerar que ela não possui a devida autonomia frente às três mineradoras. Uma tentativa de repactuação do processo reparatório, capaz de apontar para uma solução para mais de 85 mil processos sobre a tragédia, está em andamento desde o ano passado.

Alinhamento

Na audiência realizada nos últimos dois dias, a Vale defendeu que a Justiça do Reino Unido não tem jurisdição para avaliar o caso, se alinhando ao posicionamento já apresentado pela BHP Billiton. Em nota, a mineradora também sustentou que mais de R$ 30,05 bilhões dos recursos destinados à Fundação Renova foram designados para a indenização de mais de 417,5 mil pessoas. “As eventuais indenizações impostas na ação coletiva [movida no Reino Unido] deverão considerar valores já recebidos pelos mesmos autores no Brasil, por força de acordos individuais ou decisões judiciais”, acrescenta o texto divulgado pela Vale.

Do lado de fora do tribunal, uma comitiva de atingidos organizou um protesto. Estiveram presentes moradores de áreas atingidas e representantes de diferentes etnias indígenas. O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) divulgou uma manifestação do seu coordenador Joceli Andreoli, que integrou a comitiva.

“Nós sabemos que a Justiça brasileira tem sido falha e a Vale quer ser julgada lá, porque ela tem influência. Ela tem enrolado os atingidos há oito anos, nesse que é o maior crime socioambiental do país. Esperamos que a Vale também seja julgada aqui e que ela cumpra com a reparação integral dos atingidos e atingidas”.

O escritório Pogust Goodhead, que representa os atingidos, divulgou uma manifestação do advogado Tom Goodhead. “As duas maiores mineradoras do mundo estão em uma briga judicial para decidir quem deve ser responsabilizado por esse grande crime, quando na verdade o que deveria estar em discussão é a compensação das vítimas que sofrem há oito anos. Estão gastando tempo, energia e recursos em vez de sentarem com as vítimas e resolverem esse caso. Não encaram as consequências de suas negligências. É um espetáculo repugnante”, criticou.

Em nota, a BHP afirma que continuará a se defender na Justiça do Reino Unido e que considera o processo desnecessário por duplicar questões que estão cobertas pelo trabalho da Fundação Renova ou são objeto de discussões judiciais no Brasil. Segundo o texto, o pedido de inclusão da Vale foi uma medida processual necessária para que as responsabilidades sejam compartilhadas caso ocorra uma ordem de pagamento.

Conforme a nota, a situação não afeta as relações entre as duas mineradoras. A BHP Billiton afirma que continuará a trabalhar em estreita colaboração para apoiar as ações de reparação em andamento. “No total, mais de 200.000 autores da ação inglesa já receberam algum tipo de pagamento no Brasil”, acrescenta o texto.

Julgamento em 2024

A ação no Reino Unido chegou a ser suspensa na etapa inicial, quando ainda se discutia se o caso poderia ser analisado no país. Sem adentrar no mérito da questão, o juiz inglês Mark Turner considerou em 2020 que havia abuso, entre outras coisas, porque poderia haver sentenças inconciliáveis com julgamentos simultâneos no Brasil e no Reino Unido.

Para o juiz, não havia evidências suficientes de que a Justiça brasileira fosse incapaz de assegurar a justa reparação. No entanto, em julho de 2022, a Corte de Apelação aceitou recurso dos atingidos e determinou que o mérito do processo deveria ser analisado.

As audiências que julgarão o mérito do processo e avaliarão se a BHP Billiton tem responsabilidades pela tragédia estão inicialmente marcadas para abril de 2024. No entanto, em maio, a Justiça do Reino Unido remarcou a data e o caso será analisado apenas em outubro de 2024. O adiamento atendeu parcialmente o pedido da mineradora. A BHP Billton queria mais prazo para permitir a manifestação da Vale no processo e chegou a defender a realização das audiências apenas em 2025. Já a defesa dos atingidos se manifestou contra o adiamento. (com Agência Brasil)

FONTE JORNAL DO BRASIL

Cachaça produzida por destilaria mineira foi a única que conquistou medalha de ouro em competição de bebidas no Reino Unido

Fundada em 1980 em Salinas, cidade do sertão de Minas Gerais, e considerada uma das cachaças de alambique mais tradicionais e apreciadas do país, a Seleta conquistou medalha de ouro na 28ª edição do International Spirits Challenge

Recentemente foi divulgada a lista dos ganhadores da 28ª edição do International Spirits Challenge, considerado um dos mais importantes e influentes concursos de bebidas do mundo. O evento que acontece no Reino Unido recebeu mais de 1.000 inscrições de quase 70 países. A competição tem como objetivo premiar os melhores destilados produzidos ao redor do mundo. Os competidores são avaliados por um júri formado por especialistas renomados do setor de bebidas. Os vencedores são contemplados com medalhas de bronze, prata e ouro.

Diferentes tipos de destilados participam do concurso como o Gin, Whisky, Vodka, Tequila, Rum e a bebida que carrega o DNA do Brasil em sua história: a cachaça. A aguardente de cana-de-açúcar está conquistando cada vez mais destaque fora do país, graças ao empenho das marcas em produzir bebidas de qualidade e com sabores incomparáveis. Entre as marcas que se destacaram na edição deste ano do concurso está a Seleta.

Fundada em 1980 em Salinas, cidade do sertão de Minas Gerais, e considerada uma das cachaças de alambique mais tradicionais e apreciadas do país, a marca conquistou medalha de ouro na competição com a sua cachaça Seleta Ouro. No total, três cachaças foram premiadas no concurso, sendo que a Seleta foi a única que conquistou medalha de ouro. 

Feita a partir de canas rigorosamente selecionadas e armazenadas em tonéis de Umburana por aproximadamente cinco anos, ela possui sabor suave com notas finais de baunilha e canela, além de aroma frutado e amadeirado.

Versátil, ela pode ser apreciada pura ou então em drinks clássicos como a tradicional caipirinha. A cachaça também pode ser servida em temperatura ambiente ou gelada. “A Seleta Ouro é uma cachaça fácil de beber, agrada diferentes tipos de paladar e combina com diferentes tipos de refeições. Ganhar medalha de ouro em uma competição tão respeitada como o International Spirits Challenge mostra que o nosso objetivo foi cumprido, ou seja, conseguimos produzir uma bebida para quem tem bom gosto e aprecia uma cachaça de qualidade”, afirma Gilberto Luiz, diretor executivo da marca.

Essa não é a primeira vez que a Seleta Ouro conquista um prêmio internacional. Já são cinco medalhas de ouro conquistadas em diversos concursos como o Spirits Selection by Concours Mondial de Bruxelas e no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil em 2020. Em 2021 ela foi eleita o melhor destilado de cana-de-açúcar da américa do sul no International Sugarcane Spirits Awards 2021. Além de ser uma cachaça que pode ser consumida em drinks ou pura, ela também pode ser utilizada na produção de receitas.

O chef parceiro da Seleta, Renato Quintino, explica como preparar Cubos de surubim com farofa de pimenta biquinho que leva na receita a cachaça Seleta Ouro, confira: 

Ingredientes

1/2 xícara de Cachaça Seleta Ouro;

4 porções de 200g de filé mignom;

2 colheres de sopa de óleo de milho;

Sal

Pirmenta-do-reino preta moída;

2 ramos de tomilho fresco;

4 colheres de sopa de pimenta-biquinho;

1 folha de louro;

500g de mandioca

300g de creme de leite fresco;

1/2 xícara de queijo canastra meia-cura ralado;

1/2 xícara de queijo minas curado ralado.

Modo de Preparo

Em um tabuleiro, coloque a mandioca fatiada em lâminas finas. Tempere com sal e pimenta-do-reino. Cubra com o creme de leite fresco. Salpique por cima o queijo canastra ralado. Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus e asse por cerca de 35 a 40 minutos, ou até a mandioca estar macia e gratinada.

Em uma frigideira aqueça o óleo de milho e doure as porções de filé por cerca de 3 minutos do primeiro lado e 1 minuto do segundo lado. Coloque na panela a cachaça e flambe.

Acrescente o creme de leite, o tomilho, o louro e a pimenta biquinho picada em conserva (sem o molho) e misture rapidamente. Abaixe o fogo e reduza pela metade.

Retire do fogo e sirva o molho com filé guarnecido com uma porção do parmentier de mandioca.

Sobre a Seleta

A história de uma das cachaças de alambique mais tradicionais – e apreciadas – do país começou com a ousadia do salinense Antônio Rodrigues que, em 1980, fundou a Seleta. Toda a produção da Seleta está concentrada na Fazenda Engenho dos Rodrigues, em Salinas, cidade localizada no sertão de Minas Gerais. Conhecida como a Capital Nacional da Cachaça, Salinas recebeu em 2012 o selo de Indicação Geográfica do INPI pelas características do clima, solo e localização geográfica, responsáveis pela singularidade das cachaças produzidas na região. Saiba mais em https://cachacaseleta.com.br/

Auroras impressionantes se formam nos céus do Reino Unido, onde eventos assim são raros

Não é sempre que os britânicos têm a sorte de testemunhar a exibição de auroras no céu, como aconteceu no fim de semana

Um fluxo de plasma solar chegou à Terra nos últimos dias, sobrecarregando a atmosfera com partículas do vento solar que desencadearam exibições de auroras em vastas porções do Reino Unido, região onde é extremamente rara a ocorrência desses eventos.

Diversos registros feitos nesta madrugada foram compartilhados nas redes sociais, e os meteorologistas preveem que mais exibições desse tipo estão a caminho, já que uma rajada que se originou em outra erupção solar é esperada para atingir nosso planeta nesta segunda-feira (27).

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Uma das capturas mais impressionantes foi feita a bordo de uma aeronave que se aproximava do aeroporto de Heathrow, em Londres, vindo de Billund, Dinamarca.

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“Vistas maravilhosas da aurora boreal ontem à noite no voo de Billund para Heathrow da  British Airways”, publicou o passageiro Ben Applin. “Obrigado ao piloto que apagou as luzes para que pudéssemos capturar este momento! Consegui alguns lapsos de tempo e eles saíram ótimos”.

Pela primeira vez, o fotógrafo Evan Boyce, da Irlanda do Norte, experimentou uma noite de perseguição de auroras, produzindo resultados incríveis para uma caçada de estreia.

“Eu peguei uma câmera pela primeira vez durante o lockdown da Covid-19 e queria capturar a aurora desde então”, relatou Boyce ao site Space.com por e-mail. “É muito difícil viver na Irlanda do Norte, dado o quão longe ao sul estamos em comparação com onde a aurora normalmente pode ser vista”.

Ele acrescentou que todas as suas tentativas anteriores de capturar auroras foram arruinadas pelo tempo nublado. Na noite de domingo (26), Boyce dirigiu até uma praia entre as cidades de Bangor e Donaghadee, a uma curta distância de carro da capital Belfast. Lá, conseguiu registrar um misterioso brilho verde e vermelho sobre uma construção histórica, tendo como pano de fundo um céu repleto de estrelas.

Raríssimas formações de auroras sobre uma construção histórica na Irlanda do Norte. Crédito: Evan Boyce

“Eu mal posso acreditar o quão sortudo eu fui”, disse Boyce. “A julgar pela reação de outros fotógrafos locais, a força e as cores da noite passada foram um evento raro”.

O astrofotógrafo Stuart Atkinson, que vive no popular parque natural Lake District, no noroeste da Inglaterra, finalmente conseguiu capturar intensas luzes vermelhas após o que ele descreveu como uma “frustrante caça a auroras” sabotada pelo clima.

O astrofotógrafo Stuart Atkinson capturou esta incrível aurora boreal no parque natural Lake District, no Reino Unido.Crédito: Stuart Atkinson

“Eu obtive as imagens ontem à noite de um lugar chamado Shap, provavelmente um dos locais mais altos da minha área e longe o suficiente mais ao norte de onde eu moro para me dar uma visão melhor da aurora do que eu teria em casa”, disse Atkinson. “As condições da noite passada foram muito pobres no início, quase nuvens totais, mas depois de uma hora ou mais uma grande lacuna apareceu e eu consegui algumas fotos”.

Relatos de avistamentos de auroras também vieram do Canadá e dos estados norte-americanos do Alasca, Ohio e Nova York.

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De acordo com o serviço de meteorologista espacial do Reino Unido, Met Office, o espetáculo foi resultado da ejeção de massa coronal (CME), uma poderosa explosão de plasma solar de uma região ativa, ou mancha solar, que entrou em erupção do Sol na sexta-feira (24).

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As cores visíveis nas exibições de auroras são causadas por reações particulares entre as partículas do vento solar e os compostos químicos presentes no ar. “Gases diferentes brilham de uma cor diferente”, disse Affelia Wibisono, astrônoma do Observatório Real de Greenwich. “O oxigênio brilha verde, e as cores azul e roxo são emitidas pelo nitrogênio. Se essas partículas carregadas recebidas são particularmente energéticas, então o oxigênio de alta altitude também pode emitir uma cor vermelha profunda e o nitrogênio pode brilhar rosa”.

Os caçadores de aurora estão de prontidão para esta noite, já que outra CME ainda mais poderosa está pronta para chegar. O Met Office prevê uma forte tempestade geomagnética G3, que além de produzir exibições de auroras mais impressionantes, também pode causar pequenos problemas aos operadores de satélites e redes elétricas em latitudes setentrionais.

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FONTE OLHAR DIGITAL

E se minha cidade natal fosse inglesa?

Ou: uma imprevisível conexão entre duas pequenas cidades de Minas Gerais e do Reino Unido

As vezes não resisto a estabelecer alguns paralelos, por mais absurdos que sejam. Trago aqui algumas comparações entre o estado em que nasci, Minas Gerais, e a Inglaterra. A premissa parece meio desbaratinada se apresentada assim, mas espero que aos poucos ela vá fazendo algum sentido.

Em termos estéticos, essa comparação não é lá tão descabida. Caetano Veloso já falou sobre isso, se não me engano na época dos textos da sua “obra em progresso”: ele identificou no canto de Thom Yorke e nos climas das músicas do Radiohead algo semelhante ao Clube da Esquina. Vocais agudos, que parecem querer ultrapassar as montanhas de sua topografia, tristezas dos acordes de sétima aumentada, experimentalismo… Enfim, se fossemos analisar aqui esse único paralelo (a música britânica e a mineira), teríamos que escrever todo um outro artigo (talvez um livro), então me perdoem por falar disso assim, de maneira tão breve e rasa. Mas essa citação serve aqui para que eu explore um outro tópico dessa comparação.

Mapa de Minas Gerais. Fonte: Flickr.

Parece estranho comparar um estado brasileiro com um país — e, por sinal, um dos maiores países europeus em termos de PIB, de tradições culturais, de influência, etc. Mas os números mostram que a comparação é possível em algum nível. O território inteiro da Inglaterra é de 130.279km², enquanto que o de Minas Gerais é 586.52⁸², ou seja, cabem umas 3 ou 4 inglaterras no território mineiro. No aspecto demográfico, a disparidade favorece os ingleses: a população deles é de 55,98 milhões (dados de 2018), enquanto que a mineira é de 20,87 milhões (menos da metade, porém os dados de Minas são de 2015).

Nesse exercício de comparação, se não formos tão rigorosos, conseguimos traçar paralelos bem concretos: a Abadia de Westminster seria a nossa Praça da Liberdade? O Rio Tâmisa seria a nossa Lagoa da Pampulha? O Palácio de Buckingham seria a nossa Cidade Administrativa (ok, fui bem irônico nessa aqui).

Rio Tâmisa, Londres. Fonte: Flickr.

Como eu disse antes, cada um desses paralelos, com toda a sua carga de absurdidade e de aparente “forçação” de barra, mereceriam todo um estudo mais aprofundado, com potencial de se explorar questões sociais, culturais, políticas, geográficas, etc. Deixo isso aqui como provocação, mas também para preparar o paralelo que eu realmente quero analisar nesse texto: falar da minha cidade natal, Congonhas, e de sua correlata inglesa (vou adiar a informação para manter um certo ar de mistério).

Congonhas fica localizada a 75km da capital de Minas, Belo Horizonte, tem uma população de 55.836 habitantes, e é conhecida por ter o maior acervo barroco a céu aberto do mundo. Sua principal igreja é o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, com seu imponente adro composto pelos doze profetas esculpidos em pedra-sabão por Aleijadinho e seus assistentes.

Basílica do Bom Jesus de Matosinhos, Congonhas, MG. Fonte: Flickr.

O Santuário (declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO) foi inspirado em outras igrejas portuguesas, como o Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego. É o principal centro devocional da devoção ao Senhor Bom Jesus, e um dos maiores centros devocionais brasileiros. Recebe milhares de peregrinos anualmente, sejam nos dias correntes do ano, feriados, ou, principalmente, na época do Jubileu (entre 08 e 14 de setembro).

Canterbury, Inglaterra. Fonte: Flickr.

Pois bem, descobri uma cidade correlata na Inglaterra. E ela é Canterbury. Vejam só os paralelos em relação aos aspectos que descrevi acima sobre Congonhas: Canterbury fica localizada a 87km da capital inglesa, Londres. Tem uma população de 55.240 habitantes, e, devido a grande quantidade de catedrais históricas, é considerada como uma “cidade catedral” (todas tombadas pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade). A principal delas é a Catedral de Canterbury, onde está situado o túmulo de Saint Thomas Becket. A importância dessa Catedral é enorme do ponto de vista devocional, e, há séculos, a circulação de peregrinos para a cidade chega a ultrapassar numericamente cidades ainda mais antigas que Canterbury no quesito de peregrinações devocionais, como Frideswide, Cuthbert ou Wulfstan.

Catedral de Canterbury, Inglaterra. Fonte: Flickr.

Cabe aqui ainda uma curiosidade: Uma das mais importantes obras literárias medievais é baseada nesse circuito de peregrinação: Contos da Cantuária (Canterbury Tales)livro escrito por Geoffrey Chaucer entre 1387 e 1400. O enredo desse livro apresenta um grupo de peregrinos que saem da pousada Tabbard Inn (localizada em Southwark, distrito de Londres que fica ao sul do Rio Tâmisa) rumo à Catedral de Canterbury. A obra de Chaucer reúne vários contos escritos em verso e em prosa narrados por cada um desses peregrinos.

(e qual seria a versão brasileira dos Contos da Cantuária? Sugiro O Grande Mentecaptode Fernando Sabino, que é composto de capítulos meio interdependentes, e, em um deles, temos uma peregrinação à Congonhas).

O fato é que, entre Congonhas e Canterbury, a quantidade de coincidências é considerável: distância similar da capital, população similar, papel histórico de centro devocional e peregrinação, etc. Mas talvez os paralelos se encerrem aí, e vem a parte triste da história — para nós, brasileiros, no caso.

Canterbury. Fonte: Pexels.

Enquanto a economia de Canterbury é baseada no turismo (sendo uma das cidades mais visitadas de todo o Reino Unido), Congonhas passou muitos anos sendo ignorada dos roteiros turísticos das cidades históricas mineiras (apesar de seu impressionante acervo barroco). Sua economia até hoje ainda é fortemente baseada na extração mineral e na indústria metalúrgica.

Nos últimos anos, houve algum investimento para impulsionar o turismo em Congonhas, e o ponto alto desse esforço foi claramente a construção do Museu de Congonhas, em 15 de dezembro de 2015. Na época, a então presidenta do Brasil Dilma Rousseff e o então Ministro da Cultura Juca Ferreira, além do presidente da UNESCO Lucien Muñoz, estiveram pessoalmente na cidade para inaugurar essa importante obra. Apesar disso, o fluxo de turistas na cidade ainda é inferior ao de cidades mineiras como Ouro Preto ou Tiradentes.

Ainda no tópico do turismo, o acesso à Canterbury apresenta várias opções interessantes, como os trens (a cidade tem duas estações ferroviárias, uma sendo uma delas a primeira ferrovia regular de passageiros do mundo), e acesso por três diferentes rodovias. Caso se escolha ir de carro, o turista pode, no meio da estrada, fazer paradas para visitar o Leeds Castle, ou as falésias brancas de Dover, e ainda a simpática cidadezinha de Rye.

Já Congonhas aposentou a sua ferrovia (bem, mais ou menos. Ela ainda existe, mas é exclusiva das mineradoras. Pelo menos a antiga estação de Congonhas foi convertida em um espaço cultural). A cidade dos profetas só tem um acesso por rodovia, através da BR-040 (que liga Brasília ao Rio de Janeiro). O trecho mais perigoso da rodovia se situa justamente nos arredores de Congonhas, e a falta de um canteiro central, aliado ao elevado número de caminhões, gera constantes acidentes graves no local. Mas nem tudo são problemas. Nesse trecho da estrada, um destino turístico em especial atrai os viajantes que trafegam pelo circuito das cidades históricas mineiras: o Instituto Inhotim, localizado na cidade de Brumadinho, considerado o maior museu a céu aberto do mundo, com um impressionante acervo de arte contemporânea.

A grande questão é que a atividade mineradora, que tanto eclipsa o acervo histórico, impacta também todo esse potencial turístico. A mesma cidade de Brumadinho onde fica Inhotim é mais lembrada por um fato lamentável: o rompimento de uma barragem de minério ocorrido em janeiro de 2019, que é considerado o maior acidente de trabalho no Brasil em perdas humanas e o segundo maior desastre ambiental do século (perdendo apenas para o rompimento de barragem em Mariana, ocorrido a apenas 86 km de distância um do outro).

Rompimento de barragem em Mariana, Minas Gerais. Fonte: Wikimedia Commons.

Nesse sentido, vale mencionar que Congonhas tem uma barragem classificada como sendo de alto risco — a barragem Casa de Pedra, localizada no alto da cidade. Seu tamanho monumental (é a maior localizada em território urbano na América Latina) e sua localização faz com que a quantidade de pessoas e de áreas atingidas em caso de rompimento teria um impacto catastrófico, com implicações possivelmente maiores que as já lamentáveis tragédias de Mariana e Brumadinho.

E no aspecto educacional? A cidade de Canterbury apresenta alto fluxo de estudantes (31 mil, a maior proporção de estudantes/residentes em todo o Reino Unido), por conta da presença da Universidade de Kent, além das Canterbury Christ Church University, University of Creative Arts e a Girne American University Canterbury Campus. Além disso, a Kings School (a mais antiga do Reino Unido) é uma das dez melhores escolas públicas do Reino Unido. Já Congonhas não sedia nenhum campus universitário federal ou estadual. O consolo é saber que a cidade tem um campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, que conta com duas licenciaturas, dois bacharelados e uma pós graduação lato sensu.

Kings School, Canterbury, Inglaterra. Fonte: Wikimedia Commons.

Quis propositalmente interromper aqui o fluxo de comparações depreciativas em relação à Congonhas, porque trata-se de uma cidade pela qual tenho muito afeto. Seria muito injusto situar a cidade inglesa como impecável e Congonhas como um lugar sem nenhum aspecto digno de nota. Canterbury, por exemplo, apesar de lançar nos anos 1970 um dos movimentos mais interessantes da música nas últimas décadas, chamado de “Canterbury Scene”; deixou esse legado meio de lado, ao ponto de muitos dos artistas associados a essa cena (como Hugh Hopper ou Richard Sinclair) reclamarem bastante da falta de lugares adequados na cidade para apresentações musicais.

Banda Wilde Flowers (1964–1967), cujos ex-integrantes formariam as principais bandas da Canterbury Scene, como Soft Machine e Caravan. Fonte: Wikimedia Commons.

Meu objetivo com essa comparação de dados é tentar esclarecer a diferença entre um país que consolidou sua economia na mera exportação de matéria prima (Brasil), e um país que entendeu que não é salutar essa história de ancorar a produção econômica de toda uma nação em cima de uma única (e predatória) atividade. Para além da necessidade de diversificação de meios econômicos, o exemplo de Canterbury mostra também o compromisso da Inglaterra com suas tradições, seu patrimônio, não apenas no sentido de preservação estanque, mas de transformar esse acervo em circulação financeira, através do turismo (com seus inúmeros cafés, museus, espaços culturais, etc.), dos centros de ensino de excelência, e muito mais.

Congonhas tem um potencial turístico completamente desperdiçado, além de sítios arqueológicos abandonados, espaços culturais precários e completamente apartados da tradição cultural da cidade, e isso sem contar o desperdício também no potencial de se tornar uma cidade estudantil: ao comparar com cidades próximas como Ouro Preto ou São João del Rei, boa parte da circulação econômica nesses lugares se ampara no alto fluxo de seus estudantes residentes.

Congonhas, Minas Gerais. Fonte: Wikimedia Commons.

O exemplo de Canterbury mostra o que Congonhas poderia se tornar — e, em certa medida, esse exercício de comparação mostra bem o que o Brasil como um todo poderia ser — caso tivéssemos representantes políticos que não usassem de seus cargos para autorizar atividades econômicas desvencilhadas de qualquer compromisso ético com as populações de seus respectivos países.

FONTE RAFAEL SENRA

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