Urna funerária indígena é localizada em Belo Vale, restaurada pela UFMG e passa a pertencer ao Museu do Escravo

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Urna cerâmica composta por corpo e tampa, medindo 66 cm / diâmetro por 73 cm de altura e parede interna de 2 cm, em exposição no “Museu do Escravo de Belo vale”. Foto: Tarcísio Martins

O Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (MHNJB), através de seu Centro Especializado de Conservação e Restauração de Acervos, entregou ao Museu do Escravo de Belo Vale, um conjunto cerâmico composto por urna funerária em formato piriforme com tampa em formato similar, ambos associados à tradição indígena Aratu-Sapucai, conforme identificação do arqueólogo André Prous.

O conjunto cerâmico em exposição e que passa a compor o acervo do Museu do Escravo, foi encontrado no ano de 2004, no “Sítio dos Paivas”, em Belo Vale, de propriedade de Roberto Monteiro Fernandes. A professora de Educação Inclusiva da “Escola Estadual Gama Cerqueira”, Ana Júlia Cordeiro Fernandes conta que a urna foi encontrada quando um trabalhador do sítio, ao bater a enxada para cavar um buraco, pensou que tivesse quebrado uma manilha. “Meu pai Roberto, entusiasmado, achou que se tratava de um pote de escravos e que continha ouro. Assim, decidiu chamar o historiador Antônio Sebastião de Rezende, que confirmou tratar-se de urna funerária indígena e não de escravo”, relatou a professora.

Tampa – vista da abertura. Foto: Alexandre Costa

Antônio Sebastião de Rezende acionou o Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico, Nacional (IPHAN), que comunicou ao Museu da UFMG para resgatá-la.  A identificação e resgate foram feitos pelo arqueólogo francês André Prous, que confirmou no local, a presença do conjunto cerâmico. Dentro do mesmo, foram encontrados fragmentos de dentes (alguns cacos sem raiz, denotando serem dentes de leite-germes) extremamente fragilizados, os quais passaram por limpeza mecânica superficial a seco, com trincha macia, sendo devidamente acondicionados.

Desde então, as peças permaneceram sob a guarda do Museu da UFMG, sendo seus estudos preliminares divulgados no II Simpósio de Arqueologia da Zona da Mata Mineira em Juiz de Fora, pelo cartaz intitulado: “Vestígios de uso no vasilhame cerâmico do setor de Arqueologia da UFMG”.

Colando os fragmentos no corpo da tampa. Foto Alexandre Costa

Em 2012, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) passou a articular o restauro do conjunto e sua devolução para seu município de origem, promovendo assim, ações de Educação Patrimonial e estimulando os laços de identidade e pertencimento da comunidade de Belo Vale. “Considerando a atuação já desenvolvida pelo Museu na salvaguarda do conjunto, a estruturação e implementação do Laboratório de Arqueometria e Preservação em Arqueologia e o compromisso da Universidade no ensino, pesquisa e extensão, o MPMG viabilizou o desenvolvimento do Projeto de Restauração da Urna Belo Vale, por meio do direcionamento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), aplicado a empresa Gerdau, por danos ao patrimônio Arqueológico”; diz o “Relatório final: Conservação-restauração do conjunto – tampa e corpo – Urna Cerâmica de Belo Vale”.

Alunos e professores da Rede Municipal de Ensino de Belo Vale visitaram o MHNJB em outubro de 2015, para atividades de Educação Patrimonial. Foto: Alexandre Costa.

O conjunto passou por um minucioso e delicado processo de intervenção com limpeza, colagem e montagem dos fragmentos, documentação científica por imagens e análises físico-químicas. O processo durou 10 meses e foi desenvolvido por uma equipe especializada de pesquisadores do MHNJB, sob coordenação da professora Yacy-Ara Froner Gonçalves.

Segundo o “Relatório Final”, o processo de restauração da urna possibilitou aos bolsistas envolvidos, acompanharem todo o processo de intervenção, atuando pro ativamente nas várias etapas desenvolvidas. A experiência contribuiu para formação de uma base crítica de reflexão e aprendizado, expandindo o conhecimento na área de Conservação e Restauro de cerâmicas arqueológicas. As atividades de extensão envolvendo a comunidade de Belo Vale mostraram-se gratificantes para todos os envolvidos no processo, no sentido da valorização do Patrimônio Cultural daquele município, como forma de inclusão social e cidadania.

Jornalista Tarcísio Martins

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