5 de maio de 2024 21:38

“É um desafio monstro”, analisa novo secretário e reconhece que saúde está “doente”; vereadores sugerem criação de “comitê de crise”

Na primeira reunião pública com a presença de vereadores e segmentos organizados, o novo gestor da pasta de saúde, Saulo Queiróz, foi questionado esta semana em audiência da Diretrizes para Elaboração e execução da Lei Orçamentária, sobre mudanças na área, alvo de intensas críticas em Lafaiete (MG).

Em sua breve explanação, Saulo Queiróz, que já passou por diversas prefeituras, inclusive no ano passado pela prefeitura de Congonhas, reconheceu a gravidade e a dimensão dos problemas vivenciados na saúde. Ele pediu a Câmara a agilidade de aprovação de lei que vão garantir o início das obras da UPA, centro regional do Paulo VI e unidade básica de saúde no Santa Clara. “Vemos que a saúde está doente e precisamos unir esforços. Estou visitando todos os setores, inclusive a policlínica em diversos horários, até de madrugada para sentir a realidade de funcionamento do local”, disse.

Ao citar o termo turnover, a alta taxa de rotatividade de funcionários na pasta, em especial médicos, ele reconheceu a baixa remuneração como o principal fator do o problema que afeta diretamente a continuidade dos serviços. “A questão de profissionais e novas contratações é urgente”, disse.

“Realmente cheguei para fazer uma nova gestão da pasta da saúde que precisa de planejamento e um diagnóstico e o que tenho feito rodando todas as unidades de saúde, a zona rural e regionais. Há situações delicadas que precisam resolvidas a curto prazo. São manutenções, construções e falta de profissionais”, salientou.

Não a transferência

Ele abortou a sugestão de vereadores na realocação do espaço da policlínica em função da precariedade do equipamento. “Temos que trocar o pneu furado com o carro andando. Já vamos fazer algumas reformas pontuais para melhorar o espaço para os pacientes e os profissionais. A troca da policlínica vai exigir uma total readequação do novo espaço e acho isso muito complexa e envolve equipamento e reestruturação”.

Ele adiantou que antiga sala covid-19 no andar abaixo da policlínica será usada para abrigar e acolher os pacientes desafogando a entrada principal. “O desafio é monstro e temos uma saúde doente, o que não precisamos esconder. Lafaiete não é exceção e aqui talvez os problemas são mais volumosos e até mesmo desdobramento da pandemia. Vamos conseguir vencer em Lafaiete e recuperar a necessidade de atendimento. O que não podemos é deixar as pessoas desassistidas e sem continuidade dos serviços. São vidas”.

Vereadores

O novo secretário insinuou que alguns setores travam a saúde, sem citar os nomes. O Vereador João Paulo (União Brasil) foi enfático ao afirmar o papel da Câmara na agilidade de aprovação. “Temos uma policlínica em péssimas condições e local desumano. Vejo que temos recursos e que aumenta a cada ano e o que vejo é um recurso mal aplicado. A Câmara sempre aprovou os projetos de interesse da comunidade”, pontuou.

Saulo reconheceu o local insalubre e reforçou que atuará usando “verdade e a transparência”.

O Vereador André Menezes (PL) voltou a defender a criação do comitê de crise para enfretamento e solução dos problemas. “Temos um aumento vultoso de receitas, mas ainda passamos por um dos momentos mais críticos da saúde, com falta de médicos em ESF’s, a polínica não atende direito e tantos outros desafios. A arrecadação aumenta mas os serviços não chegam ao cidadão”.

Vado Silva (DC) também cobrou maior efetividade e eficiências dos gastos. “O que vemos é falta de gestão. Há recursos mas nossa saúde está capenga. Os problemas são diários e todos nós vereadores recebemos em nossos celulares as demandas de pacientes. Chegou a hora de buscar a solução definitiva e não ficar empurrando os problemas. Já passou da hora de darmos um basta e resolver o problema do povo que está padecemos nos corredores da policlínica”, arrematou.

Esta semana na Câmara, a criação do comitê crise ganhou força interna e o Vereador Sandro José (PROS) defendeu o enfrentamento conjunto para o setor. “A exemplo da pandemia, também tivemos o comitê de crise e não vejo problema algum cria-lo. Isso não é vergonha e porque não podemos adotá-lo em Lafaiete. O povo está carregando uma cruz muito grande na saúde. São mais de 3,8 mil ultrassons de pacientes na fila de espera”.

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