20 de abril de 2024 17:54

Jovens e experientes artistas de Lafaiete e região se unem para realizar curta metragem sobre a vida no campo

Abordando o dia a dia de uma família da zona rural de Minas Gerais, o curta-metragem “Nada de novo debaixo do sol”, traz um retrato artístico da vida no campo e suas peculiaridades.

Produzido em abril de 2022, o primeiro filme realizado pelo lafaietense Pedro Rocha e pelo são-joanense Lucas Alexander contou com uma ajuda coletiva de mais de 30 colaboradores em 4 dias de filmagem. A obra foi iniciada em 2020 com a pré-produção de mais de um ano até chegar às gravações.

          Regina Bahia, uma das protagonistas do filme, enfatiza: “Foi um trabalho muito interessante, nós fizemos rodas de conversas antes da produção, o que deu um grande enriquecimento, pois podíamos sentir cada ator, cada presença e a modificação  dos personagens ao longo do tempo. Trabalhar com essa turminha foi muito bom. Nós aprendemos muito e podemos observar como essa meninada está  por dentro do cinema.”

Filmado no período de Pandemia e sem incentivos financeiros, o curta-metragem foi realizado por um trabalho coletivo envolvendo estudantes de cinema, trabalhadores locais e até familiares dos produtores, todos motivados pelo desejo de criar uma história e participar de um filme. Realizado em Esmeril, um distrito de Congonhas, o projeto teve a participação de artistas das cidades de  Conselheiro Lafaiete, Belo Horizonte, São João del Rei, Congonhas, Tiradentes,  Entre Rios de Minas e Ouro Branco.

Afirma o produtor Lucas Alexander, sobre as condições de uma produção cinematográfica que não usufruía dos benefícios de um patrocínio ou  de uma estruturação profissional: “Não vou mentir, foi difícil demais! Acordamos muito cedo e íamos dormir muito tarde, pois todos tínhamos que voltar aos nossos compromissos e responsabilidades ao fim daquela semana. Não podíamos nos dar ao luxo de descansar. Todos se sacrificaram muito para poderem se reunir naquela data específica e sobre aquelas condições climáticas (que por nossa sorte, estavam perfeitas)!”

O filme

O Sr. Baltazar da Rocha, que no passado já havia se arriscado na arte do teatro, retorna agora para a frente das câmeras.  Foto de Ramon Ramos.

“Uma família do campo passa por uma grande provação de fé ao se deparar com um desafio inesperado”, descreve  a sinopse do filme.

O diretor Pedro Rocha ressalta sobre o projeto: “O filme  discute a respeito da vida no campo, sobre o nosso “mineiresco” jeito de ser. Foi pensado de forma que possamos olhar para nossa ‘própria horta’, para os nossos problemas que são tão costumeiros, e que se quer damos importância no dia a dia, mas quando acontecem, vai em um piscar de olhos. Quantas pessoas não passam pela mesma situação que Geraldo? Claro, que foi adicionado uma dose de misticismo em sua problemática. Faz parte da magia do cinema.” 

            No time, eles têm o apoio de Ana Cândida com a Direção de fotografia, Monara Montesso com a Direção de Som e com a produção associada de Luísa Mendonça e  Rodrigo Meireles, profissional cineasta lafaietense. Para realização do projeto, o diretor tem a colaboração com a trilha sonora de um grande músico reconhecido da cidade, Tuca Boelsums.

O músico reflete, questionado sobre seu processo criativo vinculado à obra cinematográfica: Fazer a trilha foi uma experiência muito “massa”! As paisagens rurais sempre fizeram parte da minha vida, mas trabalhar com som através das imagens foi um processo renovador nas minhas composições.”

E para encorpar ainda mais o projeto, o filme conta com as atuações de Marco Antonio Cruz, ator com larga experiência no ramo teatral e Ramon Ramos estudante universitário de teatro em São João del Rei.

Toda a equipe de produção reunida ao entardecer do terceiro dia de filmagem. Foto de Ramon Ramos.

            O ator Marco Antônio Cruz, sobre as características de seu personagem salienta: “O Geraldo é um homem do campo,  uma pessoa simples que leva sua vida no trato diário da terra, da produção do proventos, na convivência com o seu entorno, com as pessoas em volta e é um homem de um casamento resolvido com uma esposa um tanto quanto dominadora, mas que ele leva isso,  devido aos muitos e muitos anos de convivência, ele leva numa boa e ela é uma parceira. Ao mesmo tempo, você consegue perceber toda a solidão por trás desse homem, que tem filho, que tem família, é na realidade um ser solto no mundo, um homem do campo simples, mas com aquela riqueza que só o homem do campo consegue possuir.”

No momento, o projeto está em processo de finalização e aguarda a lei de incentivo Paulo Gustavo para poder ser lançado nas rotas de festivais. A grande ambição dos jovens cineastas e seu grupo é; acima de tudo, apresentar sua arte para a população. Como o grande artista de alma mineira Milton Nascimento já dizia em sua música “Nos bailes da vida”: “Todo artista tem de ir aonde o povo está”.

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