A Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette divulga em seu site o resgate de um documento histórico de grande relevância para os estudos sobre os direitos das mulheres no Brasil. Trata-se do trabalho “A Mulher e a Violência”, apresentado em julho de 1990 pela Acadêmica Fundadora Elaine Matozinhos Ribeiro Gonçalves, quando representou o Brasil na Reunião Interamericana de Consulta Sobre a Mulher e a Violência da OEA, em Washington D.C. Fundadora da primeira Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher de Belo Horizonte (MG), Elaine aborda em seu trabalho temas como violência doméstica, sexual, econômica e a luta por igualdade.
O documento foi recuperado e digitalizado para preservar o legado de Elaine Matozinhos e servir como referência para pesquisas contemporâneas. O estudo inclui uma análise detalhada sobre a legislação brasileira da época, estatísticas de agressões e propostas para o aprimoramento de políticas públicas voltadas à erradicação da violência de gênero.

Elaine Matozinhos é uma figura pioneira na defesa dos direitos femininos. Além de sua atuação como delegada titular da Delegacia da Mulher, ela ocupou cargos importantes como vice-presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica e diretora da Federação das Advogadas do Brasil. No Brasil, coordenou o combate à violência contra a mulher pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher do Ministério da Justiça (1990-1993) e representou o país na elaboração da Convenção Interamericana para Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, um dos pilares da Lei Maria da Penha. Atualmente, é a primeira mulher a assumir a presidência da ADEPOL-MG – Associação dos Delegados de Polícia de Minas Gerais.
O presidente da ACLCL, Moises Mota, destacou a importância desse resgate: “Este material não apenas retrata a realidade das décadas passadas, mas também evidencia a luta contínua das mulheres por justiça. Elaine foi e é uma visionária.”
A instituição disponibiliza o documento em seu acervo digital, reafirmando seu compromisso com a preservação da memória histórica e intelectual de seus membros. O resgate do estudo também coincide com os 40 anos da criação da primeira Delegacia da Mulher no Brasil (1985), marco histórico citado no trabalho de Elaine.