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Conta de luz deve pesar mais no bolso em 2026 com alta nas tarifas de energia elétrica puxada pela transmissão

Tarifas de energia elétrica devem subir em média 5,4% em 2026, pressionadas por custos de transmissão, segundo projeções da TR Soluções.

Os consumidores brasileiros devem enfrentar um novo reajuste na conta de energia elétrica em 2026. Projeções da TR Soluções, empresa especializada em tecnologia aplicada ao setor elétrico, apontam uma alta média de 5,4% nas tarifas residenciais ao longo do ano.

O estudo analisou dados das 51 concessionárias de distribuição em operação no país. Segundo a empresa, os reajustes não serão homogêneos. Em algumas áreas de concessão, podem ocorrer reduções de até 22%. Em outras, as altas podem ultrapassar 30%, refletindo diferenças regionais e estruturais do sistema.

Sul e Sudeste concentram as maiores pressões tarifárias

Na média regional, os consumidores do Sul devem sentir o maior impacto. A projeção aponta aumento próximo de 10% nas tarifas de energia elétrica. Logo atrás aparece o Sudeste, com elevação média estimada em 8%.

Essas regiões concentram parte relevante da infraestrutura de transmissão e distribuição do país. Além disso, possuem grande densidade de consumo, o que amplia a percepção do reajuste nas contas residenciais e comerciais.

Transmissão lidera pressão sobre a conta de luz

O principal fator de alta identificado pela TR Soluções é o custo da transmissão. De acordo com a empresa, as tarifas desse segmento terão aumento médio de 12% no ciclo 2025/2026.

Segundo Helder Sousa, diretor de Regulação da TR Soluções, esse impacto será mais forte para os consumidores atendidos por distribuidoras com reajustes programados para o primeiro semestre de 2026.

“Essa previsão é reflexo das tarifas de transmissão já definidas para o ciclo 2025/2026 e cujo aumento médio de 12% já é certo para os consumidores atendidos pelas concessionárias que passam por reajuste tarifário no primeiro semestre, mas com aumento menor projetado para as empresas com reajuste no segundo semestre”, explica o diretor.

Compra de energia e distribuição devem subir menos que a inflação

Apesar da pressão da transmissão, outros componentes relevantes da tarifa devem apresentar comportamento mais favorável. A compra de energia e o serviço de distribuição, que juntos representam a maior fatia da conta de energia elétrica, tendem a registrar variações abaixo da inflação em 2026.

Um dos fatores que contribuem para esse cenário é a ampliação da base de arrecadação da Conta de Desenvolvimento Energético voltada à Geração Distribuída (CDE-GD). A mudança foi introduzida pela Lei nº 15.269/2025, que passou a incluir consumidores do mercado livre no rateio do subsídio.

Com isso, o custo deixa de ficar concentrado apenas nos consumidores cativos e passa a ser diluído entre um número maior de agentes do setor elétrico.

Fim de contratos emergenciais traz alívio adicional

Outro ponto que deve ajudar a conter parte da alta é o encerramento dos contratos do leilão emergencial de 2021, realizado durante a crise hídrica. Esses contratos garantiam receita fixa para usinas acionadas em caráter excepcional.

Com o término desses acordos, a expectativa é de redução de quase R$ 2 bilhões na receita fixa de energia de reserva. Esse movimento deve aliviar os custos associados ao Encargo de Energia de Reserva (EER), refletindo de forma gradual na tarifa final.

Mercado livre terá impacto adicional com energia nuclear

Para os consumidores do mercado livre de energia elétrica, o cenário é diferente. A Lei nº 15.235/2025, que converteu a Medida Provisória nº 1.300/2025, determinou que esses consumidores passem a dividir os custos da energia gerada pelas usinas nucleares Angra 1 e Angra 2.

O impacto estimado é de aproximadamente R$ 10 por megawatt-hora no custo da energia para esse grupo. A medida amplia a base de custeio da geração nuclear, mas eleva a despesa para empresas que atuam fora do mercado regulado.Play Video

Diferenças regionais seguem como desafio estrutural

As projeções reforçam que a evolução das tarifas de energia elétrica no Brasil continua fortemente ligada a fatores regionais. Estrutura da rede, calendário de reajustes, custos de transmissão e decisões regulatórias seguem determinando variações expressivas entre estados e concessionárias.

Nesse contexto, o comportamento da conta de luz em 2026 deverá refletir um equilíbrio delicado entre alívios pontuais e pressões estruturais ainda presentes no setor elétrico brasileiro.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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