Megafábrica da BYD em São Paulo terá 180 mil metros quadrados e mira produzir até 7 mil chassis por ano. Projeto prevê até 800 empregos diretos, foco em ônibus elétricos e estratégia de transformar o Brasil em base regional de exportação. Operação plena é estimada para dois a três anos.
A megafábrica da BYD marca um salto na presença industrial chinesa no Brasil com um complexo de cerca de 180 mil metros quadrados no estado de São Paulo, voltado à produção de chassis de ônibus elétricos e com possibilidade futura de incluir caminhões elétricos, hoje majoritariamente importados.
A megafábrica da BYD nasce após a operação atual em Campinas (SP), com aproximadamente 7 mil m², não conseguir acompanhar a demanda. O plano projeta capacidade de até 7 mil chassis por ano, até 800 empregos diretos e reposicionamento do país como polo estratégico fora da China para veículos comerciais elétricos.
O que a megafábrica da BYD muda no mapa industrial em São Paulo
A nova unidade foi anunciada como um complexo destinado a concentrar as atividades de veículos comerciais da marca no Brasil. A proposta é substituir as instalações atuais e reunir em um único local a produção que hoje ocorre em escala menor.
Pelo desenho do projeto, a megafábrica da BYD se conecta a uma estratégia industrial mais ampla: elevar volume, reduzir gargalos de entrega e preparar o Brasil para desempenhar papel regional no fornecimento de veículos elétricos pesados.
Capacidade, área e empregos: os números centrais do projeto
Os principais números apresentados para o empreendimento em São Paulo são objetivos e de alto impacto:
Área total de cerca de 180 mil metros quadrados
Capacidade de até 7 mil chassis por ano
Empregos diretos estimados em até 800
Foco produtivo em chassis de ônibus elétricos
Possibilidade futura de inclusão de caminhões elétricos
Além do efeito direto no emprego, o projeto reorganiza a estrutura de pessoal do segmento no país: em plena operação, a estimativa é que o quadro de funcionários em veículos comerciais salte de 80 a 100 para 700 a 800 trabalhadores, ampliando o peso industrial da operação.
Por que a operação de Campinas virou pequena para a nova demanda
A BYD produz chassis de ônibus elétricos em Campinas desde 2015. Em quase dez anos, o volume acumulado informado é de cerca de 600 unidades. Esse número, porém, deixou de servir como referência quando a demanda acelerou com a adoção do transporte elétrico por grandes cidades brasileiras.
Segundo Marcelo Schneider, diretor de veículos comerciais da BYD Brasil, somente em 2026 a empresa já teria encomendas suficientes para produzir cerca de 1.200 chassis, praticamente o dobro do que foi fabricado em toda a década anterior. O contraste é o sinal mais claro de ruptura entre a fase inicial e o novo patamar de pedidos.
A conta da produção: limite nominal de 2.000 chassis e a trava dos modelos complexos
A unidade atual é descrita com capacidade nominal de até 2.000 chassis por ano, mas com desempenho real menor devido à variedade de modelos produzidos. Um exemplo citado são os ônibus articulados, que demandam mais tempo de fabricação e reduzem o ritmo efetivo da linha.
Esse detalhe operacional é central para entender a pressão por expansão: não é apenas volume de pedidos, mas também a complexidade de mix de produtos, que reduz a capacidade entregue na prática.
A fábrica temporária em quatro a seis meses para evitar atrasos em 2026
Enquanto a planta definitiva não entra em operação, a empresa planeja uma unidade provisória próxima a Campinas, com início em quatro a seis meses. O objetivo declarado é quase dobrar a capacidade no curto prazo, reduzir risco de atrasos e garantir atendimento aos pedidos já contratados.
A meta associada a essa fase é direta: permitir que a BYD alcance a produção de 1.200 chassis em 2026, mesmo antes de a megafábrica definitiva estar pronta.
Prazo de dois a três anos e a estratégia de centralizar veículos comerciais
A previsão informada para a plena operação da nova planta é de dois a três anos. O projeto é descrito como uma reestruturação industrial, com concentração das atividades de veículos comerciais em um único complexo e substituição da estrutura atual.
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Na prática, o cronograma cria uma transição em duas etapas: expansão emergencial com a planta temporária e, depois, mudança estrutural com a megafábrica de 180 mil m².
Brasil como base de exportação: Mercosul no foco e África como horizonte
Além do mercado interno, a nova fábrica faz parte de um plano explícito de posicionar o Brasil como hub regional de exportação de veículos elétricos pesados. A prioridade apontada é abastecer a América do Sul, especialmente dentro do Mercosul, com a África citada como possibilidade de longo prazo.
Esse recorte reforça que a megafábrica da BYD não foi desenhada apenas para atender encomendas domésticas, mas para sustentar escala e previsibilidade que permitam exportar a partir do Brasil.
A megafábrica da BYD em São Paulo reúne escala, prazo e ambição regional: 180 mil metros quadrados, até 7 mil chassis por ano, até 800 empregos diretos, foco em ônibus elétricos e um plano de transformar o Brasil em base de exportação sul-americana, com operação plena estimada em dois a três anos e uma planta temporária prevista para começar em quatro a seis meses.



