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O país que cortou a pobreza de quase 60% para 5% em três décadas: com reforma agrária, fábricas e exportação, virou ‘tigre’ em ascensão

Redução histórica da pobreza transformou economia asiática em referência internacional, com reformas estruturais, avanço industrial e expansão de serviços básicos que alteraram renda, emprego e condições de vida ao longo de trinta anos, segundo dados consolidados de organismos multilaterais.

O Vietnã realizou uma das mudanças sociais mais rápidas registradas em países de baixa e média renda.

A proporção de pessoas em situação de pobreza caiu de quase 60% no início dos anos 1990 para 20,7% em 2010 e, no recorte de renda adotado para países de renda média baixa, US$ 3,20 por dia em paridade de poder de compra, recuou para 5% em 2020, segundo o Banco Mundial.

No mesmo período, relatórios de organismos internacionais registram que dezenas de milhões de vietnamitas ascenderam acima das linhas de pobreza, com mais de 10 milhões apenas na década encerrada em 2020.

O movimento foi ancorado por reformas econômicas estruturais, aumento de produtividade agrícola, abertura ao investimento, industrialização com foco exportador e expansão de serviços públicos básicos.

As reformas econômicas do Đổi Mới

A trajetória começou com o pacote de reformas conhecido como Đổi Mới, lançado em 1986, que alterou de maneira estrutural o ambiente produtivo do país.

Houve liberalização gradativa de preços agrícolas, reconhecimento de direitos de uso da terra para famílias camponesas, estímulos a cooperativas e maior espaço para empresas privadas.

Vietnã reduziu a pobreza de quase 60% para 5% em três décadas com reformas agrárias, indústria exportadora e expansão de serviços básicos, segundo dados do Banco Mundial.
Vietnã reduziu a pobreza de quase 60% para 5% em três décadas com reformas agrárias, indústria exportadora e expansão de serviços básicos, segundo dados do Banco Mundial.

A combinação elevou a produção de alimentos, reduziu a insegurança alimentar e liberou mão de obra para atividades industriais e de serviços.

Ao mesmo tempo, o país manteve planejamento estatal e metas de longo prazo, utilizando programas nacionais para reduzir desigualdades regionais e conectar áreas rurais a mercados.

Reforma agrária e produtividade no campo

A reforma agrária envolveu a cessão de direitos de uso e contratos de longo prazo sobre parcelas de terra, o que aumentou os incentivos para investir em insumos, irrigação e técnicas de cultivo.

Ao reduzir o risco de expropriação e ampliar a previsibilidade, agricultores elevaram produtividade e renda.

Em paralelo, o governo direcionou crédito rural e infraestrutura básica, como estradas, eletrificação e armazenamento.

Essas medidas facilitaram o escoamento da produção e a conexão com centros urbanos em expansão.

Esse processo explica por que a pobreza caiu rapidamente no campo, onde se concentrava a maior parte da população.

Industrialização e crescimento das exportações

A industrialização ganhou força com a criação de zonas econômicas especiais e a atração de investimento estrangeiro em segmentos intensivos em mão de obra.Play Video

Inicialmente, destacaram-se setores como têxteis e calçados, seguidos por eletrônicos e montagem de equipamentos.

Dados compilados pelo Banco Mundial mostram que a participação do emprego industrial no total subiu de um dígito no início dos anos 1990 para cerca de um quarto da força de trabalho antes da pandemia.

O país tornou-se um exportador relevante no Sudeste Asiático, integrando cadeias globais sobretudo a partir dos anos 2000.

Estratégia comercial e estabilidade macroeconômica

A estratégia exportadora se apoiou em acordos comerciais, contenção de custos logísticos e estabilidade macroeconômica.

A moeda administrada e a disciplina fiscal favoreceram previsibilidade para o investimento.

Reformas no ambiente de negócios, simplificação de licenças e melhorias em portos e corredores logísticos reduziram o tempo e o custo do comércio exterior.

Com isso, fábricas instaladas no território ampliaram competitividade em preço e, gradualmente, em qualidade.

Expansão de serviços públicos e inclusão social

Vietnã reduziu a pobreza de quase 60% para 5% em três décadas com reformas agrárias, indústria exportadora e expansão de serviços básicos, segundo dados do Banco Mundial.
Vietnã reduziu a pobreza de quase 60% para 5% em três décadas com reformas agrárias, indústria exportadora e expansão de serviços básicos, segundo dados do Banco Mundial.

O avanço econômico veio acompanhado de políticas sociais de grande escala.

A eletrificação alcançou praticamente todos os domicílios, melhorando condições de estudo, conservação de alimentos e comunicação.

A expansão da educação básica e o aumento dos anos de escolaridade contribuíram diretamente para a mobilidade social.

Na saúde, a ampliação da atenção primária e ações de nutrição impactaram indicadores infantis e de produtividade.

Programas de transferência e iniciativas comunitárias ajudaram populações vulneráveis a enfrentar choques econômicos.

Indicadores oficiais e avaliações internacionais

Os resultados aparecem de forma consistente em avaliações do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Relatórios destacam que a pobreza caiu de quase 60% nos anos 1990 para pouco mais de 20% em 2010.

Posteriormente, a proporção abaixo da linha de US$ 3,20 por dia recuou para 5% em 2020.

Estudos também indicam que cerca de 30 milhões de pessoas saíram da pobreza ao longo das duas primeiras décadas de reformas.

Desigualdades regionais e desafios persistentes

A queda da pobreza não ocorreu de forma uniforme em todo o território.

Regiões montanhosas e áreas com maior presença de minorias étnicas apresentaram avanços mais lentos.

Avaliações oficiais apontam a necessidade de programas específicos de infraestrutura, educação e inclusão produtiva.

Em áreas urbanas, a migração interna gerou pressão sobre moradia e serviços públicos.

Políticas de segunda geração e produtividade

A década de 2010 marcou a consolidação de políticas voltadas à qualificação profissional, mobilidade e apoio a pequenas empresas.

O foco passou a ser elevar renda de grupos vulneráveis a recaídas na pobreza.

Relatórios recentes indicam a necessidade de ampliar produtividade e conteúdo tecnológico das exportações.

Esse desafio se tornou central diante do aumento dos custos trabalhistas e da competição regional.

Continuidade das reformas e impactos recentes

Relatórios internacionais apontam que choques recentes, como a pandemia de Covid-19, desaceleraram temporariamente o avanço dos rendimentos.

Apesar disso, as tendências de longo prazo não foram revertidas.

Medidas emergenciais e planos de retomada priorizaram emprego, cadeias produtivas e inclusão social.

Nota sobre lacunas: este texto utiliza dados públicos do Banco Mundial e do FMI.

Alguns indicadores administrativos por província não foram incluídos devido à ausência de séries comparáveis e metodologias uniformes para todo o período analisado.

Na sua avaliação, qual dessas políticas teria maior impacto em países que buscam repetir o caso vietnamita: reforma agrária com crédito ruralindustrialização voltada à exportação ou expansão acelerada de serviços básicos?

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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