A cidade mineira que eletrificou as ruas antes de São Paulo
Em agosto, quando os ipês explodem em amarelo e roxo ao longo das avenidas, Lavras revela de uma vez o motivo do seu lema mais conhecido: “terra dos ipês e das escolas”.
A 237 km de Belo Horizonte, no sul de Minas Gerais, a cidade de quase 110 mil habitantes mistura tradição cafeeira, campus universitário de referência mundial e cachoeiras na Serra da Bocaina.
O berço de escolas no sul mineiro
O Arraial de Sant’Ana das Lavras do Funil nasceu na primeira metade do século XVIII, quando bandeirantes paulistas chegaram à região em busca de ouro. O metal escasseou rápido, e a agricultura e a pecuária assumiram o protagonismo. Em 1868, Lavras conquistou sua emancipação e, nas décadas seguintes, viveu um surto educacional raro para o interior do país.
O Instituto Evangélico, fundado em 1892 pelo missionário americano Samuel Rhea Gammon, trouxe métodos de ensino inovadores. Em 1908, Gammon criou a Escola Agrícola de Lavras, embrião da atual Universidade Federal de Lavras (UFLA). Três anos depois, em 1911, a cidade ganhou uma linha de bondes elétricos, um luxo que pouquíssimas cidades do interior brasileiro conheciam na época. Os bondes circularam até 1967.

Uma universidade do interior entre as mais verdes do planeta
A UFLA cresceu ao ponto de mudar o ritmo da Atenas Mineira. No GreenMetric 2024, o principal ranking internacional de sustentabilidade universitária, a instituição alcançou a 35ª posição mundial e foi considerada a 2ª universidade mais sustentável do Brasil.
As pesquisas em café, pecuária leiteira, biotecnologia e sustentabilidade impactam diretamente o agronegócio brasileiro. A presença de milhares de estudantes e pesquisadores aquece o comércio, diversifica a gastronomia e mantém a cidade mais jovem do que o tamanho sugere.
Como é viver na Atenas Mineira?
Com um IDH de 0,782, Lavras é a 5ª cidade com melhor índice de desenvolvimento humano de Minas Gerais e a 113ª do país, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Os índices de alfabetização superam a média nacional e estadual. A altitude de 919 metros garante um clima ameno que ameniza o calor típico do interior.
O cotidiano mistura o ritmo universitário com a tranquilidade mineira. A Praça Dr. Augusto Silva, no centro, funciona como ponto de encontro desde 1908. Aos domingos, a feira hippie reúne artesanato e petiscos no calçadão. Bairros como Campestre e Vila Elizabete atraem famílias que buscam ruas arborizadas e deslocamentos curtos até o campus.

O que conhecer entre ipês e cachoeiras?
A cidade e seus arredores oferecem opções que vão da história ao contato direto com a natureza da Serra da Bocaina.
- Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito: 235 hectares de Mata Atlântica preservada com cachoeiras, trilhas, arvorismo, mirante e piscinas naturais. Fica a 10 km do centro pela MG-354.
- Museu Bi Moreira: no campus histórico da UFLA, preserva documentos, fotos e objetos que contam a trajetória da universidade e da cidade.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário: edificação do século XVIII que serviu como primeira Matriz de Sant’Ana.
- Trilha das Lagoas: percurso autoguiado dentro da UFLA, entre ipês, lagos e áreas de pesquisa.
- Serra da Bocaina: ponto culminante do município, com mirante que permite avistar até São Thomé das Letras em dias de boa visibilidade.
Quem curte Minas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 55 mil visualizações, onde a equipe mostra a rica história e atrações de Lavras:
Café na mesa e na história da cidade
A região sul de Minas Gerais é reconhecida mundialmente pela qualidade dos grãos especiais, e Lavras cresceu como importante centro cafeeiro desde o século XIX. A cultura do café moldou a arquitetura das fazendas centenárias, a gastronomia local e até a grade de pesquisa da UFLA, referência em ciência do café.
Fazendas históricas da região abrem as portas para vivências que vão da colheita à degustação de cafés premiados. Na cidade, padarias e cafeterias servem o grão com o cuidado que só quem produz há gerações consegue manter.
Quando os ipês florescem e o clima ajuda?
O clima tropical de altitude garante verões quentes e chuvosos e invernos secos e frescos. A floração dos ipês, entre julho e setembro, é o cartão-postal natural da cidade. A tabela abaixo ajuda a planejar a visita.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à terra dos ipês?
Lavras fica a 237 km de Belo Horizonte e a cerca de 320 km de São Paulo. O acesso principal é pela BR-381 (Fernão Dias) até o trevo da BR-265, que leva ao centro da cidade. Ônibus partem das rodoviárias de BH e São Paulo com frequência diária. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Varginha (85 km), seguido por Confins (280 km).
Uma cidade que cresce sem perder o cheiro de café
Lavras consegue algo difícil de encontrar no interior brasileiro: uma universidade de projeção global, índices de qualidade de vida acima da média nacional e um ritmo de cidade que ainda permite caminhar sob ipês sem pressa. A ciência que sai dos laboratórios da UFLA chega às fazendas da região e volta transformada em café premiado, leite de qualidade e tecnologias que o país inteiro aproveita.
Você precisa subir a Serra da Bocaina numa manhã de inverno e depois tomar um café especial no centro de Lavras para entender por que tanta gente chega para estudar e resolve ficar.
FONTE: O ANTAGONISTA





