Entre fortaleza colonial e rota aérea da Segunda Guerra, Natal combina geografia estratégica, memória militar e paisagens de dunas e recifes, em um destino marcado por ventos constantes e calor persistente que moldaram tanto sua história quanto o turismo atual.
No litoral do Rio Grande do Norte, Natal reúne dois traços que aparecem com frequência em registros históricos e na divulgação turística: a posição geográfica mais próxima das Américas em relação à África e a combinação de sol, ventos e mar que sustenta a imagem de destino de praia ao longo do ano.
Essa condição também contribuiu para que a cidade e a vizinha Parnamirim ganhassem relevância logística na Segunda Guerra Mundial, quando passaram a operar como ponto de apoio para travessias no Atlântico Sul.
A mesma faixa costeira que hoje concentra hotéis, serviços e passeios foi, em outro período, um corredor considerado estratégico por forças aliadas.
Ao lado desse passado, Natal preserva um marco anterior à própria fundação da cidade: uma fortaleza em formato de estrela na foz do rio Potengi, construída ainda no século XVI.
Forte dos Reis Magos: a fortaleza em estrela na foz do Potengi
A ocupação portuguesa na região começou com uma estrutura militar.
Em 6 de janeiro de 1598, no Dia de Reis, teve início a construção do Forte dos Reis Magos na barra do rio Potengi, sob ordens de Felipe II, no contexto da União Ibérica, quando Portugal e Espanha estavam sob o mesmo monarca.
Fontes históricas associam a obra à tentativa de consolidar o domínio sobre o litoral e conter a atuação de corsários franceses, mencionada em narrativas sobre o contrabando de pau-brasil.

O desenho em estrela, com cinco pontas, segue modelos defensivos usados na época para ampliar o campo de visão e de tiro.
A fundação de Natal só ocorreu em 25 de dezembro de 1599, quase dois anos depois do início da fortificação.
É essa diferença temporal que costuma aparecer nas explicações sobre a origem do nome da capital potiguar.
O forte foi tombado pelo Iphan em 1949 e passou por processos de conservação e restauração registrados em materiais do próprio órgão.
A visitação inclui áreas internas e elementos associados ao uso militar, como canhões, além de uma capela.
Em materiais de divulgação cultural, aparecem referências ao Marco de Touros, marco de posse português datado de 1501 e associado à presença portuguesa no litoral.
Como esse objeto passou por deslocamentos e guarda institucional ao longo do tempo, a identificação de onde ele está em exposição pode variar conforme o período e o acervo consultado.
Parnamirim Field e o “Trampolim da Vitória” na Segunda Guerra
Durante a Segunda Guerra Mundial, a posição de Natal no Atlântico Sul foi usada para encurtar rotas de deslocamento entre a América e a África.
A partir de 1942, a base de Parnamirim Field, na Grande Natal, passou a concentrar operações e apoio a aeronaves em trânsito rumo ao Norte da África e, mais tarde, ao teatro europeu.
Estimativas citadas em publicações históricas e em iniciativas de memória local apontam que cerca de 20 mil aeronaves passaram pela estrutura ao longo do período.
O apelido “Trampolim da Vitória” se popularizou justamente pela ideia de ponte aérea e de conexão rápida entre continentes.
Também há números recorrentes sobre a presença de militares americanos, com registros que mencionam a passagem de milhares de soldados pela região.

A dimensão exata varia conforme a fonte e o recorte adotado, mas o volume é apontado como suficiente para produzir efeitos no cotidiano urbano, como mudanças no comércio e maior circulação de referências culturais estrangeiras.
No campo diplomático, o episódio mais lembrado ocorreu em 28 de janeiro de 1943, quando Getúlio Vargas e Franklin D. Roosevelt se encontraram em Natal no evento conhecido como Conferência do Potengi.
O encontro é citado como um marco nas relações Brasil–Estados Unidos durante o conflito.
Parte desse passado pode ser revisitada em Parnamirim, no Centro Cultural Trampolim da Vitória, que reúne itens relacionados à base e ao período da guerra, como documentos, objetos e peças associadas à aviação e à presença estrangeira.
O que fazer em Natal além das praias: dunas, parque urbano e recifes
A faixa litorânea costuma concentrar a maior parte do fluxo turístico, com destaque para Ponta Negra, praia urbana associada ao Morro do Careca, duna cercada por vegetação e protegida por regras de preservação.
Ao longo da Via Costeira, mirantes e trechos de acesso ao mar ajudam a conectar praias e áreas hoteleiras.
Fora da linha da praia, o Parque Estadual Dunas do Natal aparece como uma das principais áreas de conservação dentro do perímetro urbano.
O espaço foi criado em 1977 e é administrado pelo Idema, com trilhas e ações de educação ambiental.
Em materiais institucionais e de divulgação, o parque é descrito como área de proteção relevante para remanescentes de Mata Atlântica e para a dinâmica das dunas na cidade.
Na região metropolitana, as Dunas de Genipabu, no município de Extremoz, concentram passeios de buggy e paradas em lagoas.
Operadores e guias costumam apresentar o trajeto com a pergunta “com ou sem emoção?”, expressão usada para diferenciar trechos mais rápidos e com descidas acentuadas de um percurso mais moderado.
No litoral norte, os Parrachos de Maracajaú, em Maxaranguape, são procurados em dias de maré mais baixa, quando piscinas naturais e áreas de recife ficam mais acessíveis.
Operadores de turismo e órgãos de orientação aos visitantes recomendam atenção às tábuas de maré e às condições do mar, porque a experiência depende diretamente do nível da água e da visibilidade.
Já no litoral sul, em Parnamirim, o Cajueiro de Pirangi é divulgado como o maior cajueiro do mundo, com área frequentemente estimada em cerca de 8.500 m².
A explicação apresentada em materiais turísticos atribui a expansão a uma anomalia genética que fez galhos crescerem e se espalharem, criando a aparência de vários troncos conectados.
Clima em Natal: quando chove mais e como isso muda os passeios
A fama de Natal como “Cidade do Sol” é reforçada por dados climáticos que indicam temperaturas altas e variação relativamente pequena ao longo dos meses.
Séries de climatologia usadas por serviços meteorológicos apontam que os volumes mais elevados de chuva tendem a se concentrar entre o outono e o inverno, com maior frequência de precipitações entre março e julho.
Mesmo no período mais chuvoso, é comum haver alternância entre pancadas e aberturas de sol, padrão citado em descrições meteorológicas do litoral do Nordeste.
Na prática, a escolha do roteiro costuma considerar esse comportamento: quando o tempo está mais firme, atividades no mar e visitas a recifes ganham prioridade.

Em dias de instabilidade, parte dos visitantes combina praia com passeios de história e cultura, como o Forte dos Reis Magos e espaços dedicados à memória da Segunda Guerra.
A menção a “300 dias de sol por ano”, usada em diferentes materiais promocionais, circula como estimativa, mas nem sempre aparece vinculada a uma série climatológica padronizada.
Por isso, o dado deve ser lido como referência de divulgação e não como estatística única e consensual.
Como chegar a Natal e circular entre praias e atrações
O principal acesso aéreo é pelo Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, com deslocamento até Natal que varia conforme o ponto de chegada e o destino dentro da cidade.
De carro, a BR-101 conecta a capital a Recife e a Fortaleza, em rotas usadas por quem se desloca pelo litoral.
Na circulação interna, o deslocamento costuma ocorrer por táxi e aplicativos, além de transfers, vans e passeios contratados, especialmente para quem pretende sair da área urbana em direção a Genipabu, Maracajaú ou Pirangi.
Em muitos roteiros, o buggy aparece como modal de passeio, operado por condutores e empresas que atuam no turismo de dunas.
FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS




