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Rádio Carijós pode ser vendida e fim de uma era histórica em Lafaiete se aproxima depois de mais 6 décadas

Uma das mais importantes instituições da comunicação de Conselheiro Lafaiete e do interior de Minas está prestes a mudar de mãos. A tradicional Rádio Carijós FM 92,3, referência histórica pode ser vendida nos próximos dias. A informação ainda não foi oficializada publicamente, mas está em estágio avançado. O negócio estaria protegido por cláusula de confidencialidade, instrumento jurídico que impede a divulgação dos nomes dos compradores e dos valores envolvidos na negociação. A expectativa nos bastidores é de que o anúncio se consolide em breve. Fundada em 12 de fevereiro de 1960, quando operava na frequência 1270 AM, a Carijós tornou-se ao longo das décadas uma verdadeira potência socio-política. Hoje instalada no dial 92,3 FM, a emissora carrega uma trajetória que ultrapassa a comunicação e entra diretamente na história política de Lafaiete.

Durante muitos anos, o que era dito nos microfones da Carijós tinha peso decisivo.
Elegia prefeitos. Fortalecia vereadores. Influenciava decisões. Movimentava a economia local. E também projetava seus próprios líderes. O empresário Agostinho Campos Neto, figura central na consolidação do grupo de comunicação, foi eleito deputado estadual em Minas Gerais, exercendo mandato entre 1963 e 1971. Sua projeção política esteve diretamente associada à força da emissora, que se consolidou como principal plataforma de influência pública na região.

A vida social da cidade também passava pela rádio. Anúncios, campanhas, eventos, manifestações culturais e posicionamentos políticos encontravam eco nas ondas da Carijós. Programas de grande audiência alcançavam diversas cidades do Alto Paraopeba e do Campo das Vertentes. Era mais que uma emissora. Era centro de articulação social.

A história da rádio também se entrelaça com nomes de peso da política mineira.
Agostinho Campos Neto era casado com Célia Nogueira de Rezende Campos, irmã de João Nogueira de Rezende, advogado, deputado federal por Minas Gerais e posteriormente ministro do Tribunal de Contas da União. O vínculo familiar marcou o contexto das concessões de radiodifusão da época, período em que o grupo esteve ligado a três emissoras de destaque regional: a Clube, a Carijós e a 89FM. Em um tempo em que o rádio era o principal veículo de massa, possuir uma outorga representava não apenas um empreendimento empresarial, mas uma ferramenta de poder com alcance imensurável.

Hoje, a emissora é administrada por Agostinho de Rezende Campos, filho de Campos Neto, mantendo a tradição familiar à frente da rádio. A possível venda representa mais do que uma transação comercial.Representa o encerramento de um ciclo de influência política e social que marcou gerações. A Carijós não foi apenas uma rádio. Foi voz, palco e instrumento de poder Se confirmada, a negociação marcará o fim de uma era na comunicação de Lafaiete e abrirá um novo capítulo ainda indefinido na história da cidade. Em uma Lafaiete onde, por muitos anos, o que se falava na Carijós era praticamente lei, a pergunta agora eco com força:quem assumirá o microfone dessa história?

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