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A Incoerência como Espinho​

Por: Anderson Francisco

​Não é raro nos pegarmos perdidos no labirinto das atitudes alheias. É um exercício de paciência tentar traduzir o dialeto de quem diz uma coisa, mas pratica outra. No cotidiano, as contradições humanas saltam aos olhos: o cuidado que se transforma em maltrato, a simplicidade que mascara o materialismo e o silêncio que, na verdade, esconde segredos que deveriam ser sagrados.

​Viver essas dualidades é como lidar com uma rosa. Somos atraídos pela cor e pelo perfume, mas esquecemos que a mesma haste que sustenta a flor, carrega os espinhos que ferem sem aviso. Muitas vezes, quem mais cobra “pequenos gestos” é quem menos percebe os detalhes que realmente marcam uma trajetória a dois.

​Ao final, quando a conta não fecha e o peso das incoerências recai sobre um lado só, o abandono surge não como uma escolha, mas como um instinto de sobrevivência. Partir torna-se necessário quando a nossa saúde — física, mental e financeira — começa a pagar o preço de uma guerra que não nos pertence.
Fica a lição de que, entre o que se diz e o que se faz, o que realmente define alguém é a pegada que ela deixa na vida do outro, e não as palavras que o vento leva.

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