Um diminuto vilarejo em uma das inúmeras penínsulas do Lago de Furnas tem chamado a atenção nas redes sociais pelos visuais incríveis e pelo charme, despontando como um novo destino turístico à beira da represa. Santo Hilário, distrito de Pimenta (MG), tem cerca de 100 habitantes, mas chega a receber 2 mil turistas aos fins de semana, atraídos pelo sossego de suas casinhas coloridas e pela beleza de suas cachoeiras e paisagens.
O lugar tem sido comparado aos famosos destinos de Trancoso e Caraíva, e já recebeu até os apelidos de “Trancosinha” e “Riviera Mineira”. A região tem várias paisagens deslumbrantes. Além do Lago de Furnas, considerado o “Mar de Minas”, e das cachoeiras, até ruínas de um antigo hotel e a ponte que leva até o distrito são cenários para fotos. Em uma das extremidades da Serra da Canastra, o vilarejo atrai turistas interessados no contato com a natureza, que é abundante. Mas eles também encontram uma gastronomia saborosa, e o acolhimento e simpatia dos nativos.
“É uma belezinha. É um vilarejo muito charmoso e a gastronomia de lá tem poucas opções, mas é uma delícia! Eu fiquei impressionada com a belezura que é lá, muito aconchegante e muito charmoso”, diz a influencer de viagem Vivi Noronha Palos.
A comunidade é remanescente do antigo distrito de Capetinga do Rio Grande, que foi inundado pela represa. O local, inclusive as ruínas submersas, é tombado pelo patrimônio histórico e cultural da cidade. As comodidades das cidades estão fora da vila. A estrutura ainda é enxuta. O distrito não tem posto de gasolina, farmácia ou banco. O lugar conta com duas pousadas, um supermercado, quatro restaurantes e menos de 10 bares. Há internet e os comércios aceitam cartão de crédito.
A alta temporada é no verão, quando é possível aproveitar o lago de Furnas e as cachoeiras. Mas no inverno, quando não chove, é a melhor época para aproveitar as paisagens dos mirantes, o pôr do sol e as noites de céu estrelado. Não há muitas opções de bares e restaurantes durante a semana. Os espaços começam a abrir a partir de quinta-feira.
O QUE FAZER: No Lago de Furnas há passeios de lancha, chalana e jet ski, tem um bar flutuante e pesca esportiva. As cachoeiras principais são Lajeadoo, Andorinha, Chapadão e Rencão. Estruturas como a ponte que liga a Guapé e as ruínas do Pena Branca, um hotel que nunca chegou a ser terminado, são pontos visitados. Os mirantes incluem a Árvore Solitária e a Igrejinha Nossa Senhora Aparecida. Entre os eventos, todo 2º sábado do mês ocorre a Santa Feira, das 16h às 23h; a Caminhada Penitencial ocorre toda sexta-feira santa até uma igrejinha no alto da serra; o Desafio Hilário é uma competição de natação em águas abertas que ocorre geralmente em outubro. Na gastronomia, destaque para os pratos típicos mineiros e com peixe, que usam os produtos da região e vão dos mais simples aos mais sofisticados.
COMO CHEGAR: Por água, através de balsa, lancha ou barco. Por terra, a rodovia de acesso é a MG-170. O distrito fica a 30 km de Guapé (MG), em uma estrada que tem trechos de terra, mas vale o passeio pela vista, e a 18 km de Pimenta, por estrada totalmente asfaltada.
Santo Hilário começou a se tornar um destino procurado após a pandemia. De acordo com o secretário de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo, Paulo Esteves, o distrito começou a se destacar nas redes sociais, o que atraiu cada vez mais turistas. “Ficou mais conhecido pelo Instagram. Teve muito engajamento, e isso fez o distrito se tornar bastante procurado”, disse. O turismo também tem movimentado o setor mobiliário com a construção de ranchos e casas de veraneio. Nos últimos anos, três condomínios foram construídos.
O chef de cozinha e dono do restaurante Casa Bartô, João Bruno Nogueira Campos, de 41 anos, chegou ao distrito para enfrentar a pandemia na casa de veraneio da família, onde passou boa parte da sua infância. “Fiquei quase 15 anos longe e aí foi um redescobrir Santo Hilário com um novo olhar. Eu gosto muito da natureza e fui explorar outros pontos de vista, estabeleci outro relacionamento com a represa de Furnas e fui ficando”, conta. Ele começou recebendo os amigos em casa para fins de semana de hospedagem e gastronomia. Veio a vontade de empreender naquele vilarejo pequenininho.
“A gente se deu conta de que estava em um lugar bem estruturado para um empreendimento gastronômico: perto da Serra da Canastra, que tem um dos melhores queijos do mundo; ao lado do Sul de Minas, que tem uma produção de café excelente e também de uma cachaça de qualidade e outros insumos importantes na gastronomia.” João também foi um dos idealizadores da Feira Santa, que se tornou mais um atrativo do distrito. O encontro ocorre aos segundos sábados de cada mês e valoriza os produtores locais de artesanato e alimentos. Mesmo com o aumento do interesse, os moradores destacam a preocupação em preservar as características do vilarejo. Por estar em uma península e ter território limitado, Santo Hilário enfrenta restrições naturais de expansão.
Fonte: g1 Sul de Minas





