Área de preservação é a cereja do bolo em uma viagem à Zona da Mata; confira nosso roteiro pelo parque
Nossa viagem na press Minas Inédita — que busca ampliar a visibilidade de vilas, distritos e pequenos municípios que preservam modos de vida, patrimônios culturais e belezas naturais — sai de Piacatuba e vai para Conceição do Ibitipoca. Aproximadamente 206 km separam os dois distritos. Mais famoso entre os viajantes, Conceição do Ibitipoca concorre ao selo “Melhor Vila Turística do Mundo” em uma premiação da ONU Turismo.
O distrito de Lima Duarte, com pouco mais de mil moradores, está localizado na Serra de Ibitipoca e é porta de entrada para o Parque Estadual, a unidade de conservação mais visitada de Minas Gerais. No ano passado, segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), gestor da unidade, o parque recebeu 99.122 visitantes; já de janeiro a maio deste ano foram 39.922 pessoas.
A cidade preserva aquele jeito pacato das vilas mineiras nos dias de semana e muita movimentação nos feriados e finais de semana. As ruas de pedras, as casinhas coloniais, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, uma das mais antigas de Minas, e a colorida Igreja de Nossa Senhora do Rosário, encantam de cara o visitante. Depois da pavimentação da LMG-871, estrada que dá acesso ao distrito, a rua principal também está em obras.
O parque do Ibitipoca é a cereja do bolo de um roteiro pela Zona da Mata. Ibiti, como é chamado pelos mais íntimos, foi criado em 1973. Para quem o visita, são três os circuitos — Janela do Céu, do Peão e das Águas, respectivamente 16 km, 11 km e 5,2 km (ida e volta). De abril a outubro é justamente o melhor período para desbravar a reserva natural.
Nossa escolha recaiu sobre no Circuito das Águas, o menos longo, de nível moderado e com o maior número de quedas d’água permitidas à visitação. O guia Rafael Henrique, contratado pelo receptivo Suçuarana Ecoturismo, acompanhou nosso grupo. “Esse é o circuito mais leve, contemplativo”, adianta.
No Circuito das águas, que inicia por cima do Paredão de Santo Antônio e segue paralelo ao leito do Rio do Salto, estão a Prainha, o lago dos Espelhos e Negro, a Lagoa das Miragens, a Ponte de Pedra, as grutas dos Coelhos e dos Gnomos, finalizando na Cachoeira dos Macacos. A dica é usar calçado confortável, usar boné e óculos de sol, levar garrafa de água, repelente e protetor solar.
Bem sinalizadas e com baixa dificuldade de acesso aos atrativos, a trilha pode ser autoguiada. O limite de visitação é de 300 pessoas nos dias úteis e 800 nos finais de semana. Ibitipoca tem a fama de ter o ar mais puro de Minas Gerais, graças à altitude e à densa vegetação. No percurso, Rafael aponta no tronco de árvores e rochas líquens em tons vermelho e rosa, o mais forte indicador da pureza do ar da região.
A caminhada é pontuada por paradas em mirantes e cachoeiras de águas cristalinas com coloração âmbar, resultado da decomposição vegetal. Ao longo do trajeto, a natureza surpreende em diversos momentos, como a Ponte de Pedra, um arco rochoso formado pela ação das águas há milhares de anos. Como não é possível passar por cima dela, há quem a confunda com uma imensa gruta.
Como área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, além de mirantes e banhos gelados em piscinas naturais, pelo caminho percebe-se o florescimento de inúmeras espécies de bromélias, orquídeas e samambaias, As candeias também são encontradas em grande quantidade, além da famosa “barba-de-velho”, um líquen esverdeado que pendem das árvores.
Boa parte dos visitantes do Ibitipoca escolhem o Circuito Janela do Céu, o mais desafiador e que exige maior condicionamento físico. Mas há um outro jeito de conhecer a queda d’água mais famosa do parque: pela parte debaixo, atravessando uma propriedade particular.
De longe já se avista a fenda de onde despenca a queda. São apenas 200 metros até a base da cachoeira. Por causa do grau de dificuldade, alcança-se apenas três das sete quedas na parte baixa. No caminho, uma Janela do Céu “fake”, similar à original, faz a diversão dos caminhantes.
A Suçuarana Ecoturismo ainda faz um passeio panorâmico pelos campos rupestres da Zona da Mata, com paradas no vilarejo de Rancharia e na Vila dos Moreiras. O final do passeio é em Santa Rita do Ibitipoca, cidade que cresceu no entorno de uma capela dedicada à santa. No entorno da pacata vila, estão atrativos naturais como a Serra da Água Santa, conhecida pelas lendas locais e pelo espetacular pôr do sol, e a Cachoeira de Água Limpa. Reza a lenda que escravos enfermos isolados no alto da serra bebiam água da nascente de uma gruta e retornavam curados.
Serviço:
Como chegar:
- De carro: A partir de Belo Horizonte, pegue a BR-040 até o trevo de acesso à BR-267, seguindo por Lima Duarte até o distrito de Conceição do Ibitipoca.
- De ônibus: Pegue um ônibus da Viação Atual até Juiz de Fora e um ônibus da empresa Bassamar até Lima Duarte, em frente à rodoviária da cidade. Ao chegar em Lima Duarte, pegue uma conexão até Conceição do Ibitipoca.
Pousada Villa Manso: Está localizada bem no centro de Conceição do Ibitipoca e tem 16 suítes, piscina com borda infinita e estacionamento. Algumas suítes têm banheira de hidromassagem. Diária a partir de R$ 540 na baixa estação e a partir de R$ 580 na alta temporada.
Onde comer:
- Restaurante do Zé Bétio: Estrada Parque do Ibitipoca. Bufê de comida mineira no fogão à lenha.
- Portal da Serra: Rua Cônego Otaviano Dias, s/n, Centro. Complexo de bares, restaurantes e lojas.
- Cantinho da Vovó: Rua Mariano José Pacheco, 13, Centro. Famoso pelo frango caipira.
- Cabra da Peste: Rua Olga Silva Oliveira, 14, Centro. Oferece o famoso torresmo de rolo.
- Pão de Canela da Elaine: Estrada Parque do Ibitipoca.
- Bar do Firma: Rua Revalino Carvalho da Fonseca, Centro. Melhor local para encerrar a noite.
- Ibitilua: Rua Olga Silva Oliveira, Centro. Famoso pelo Baby King.
Passeios:
- Parque Estadual do Ibitipoca: Funciona das 7h às 17h. Ingresso a R$34 (inteira) e R$17 (meia); estacionamento a partir de R$ 20. Para permanência, paga-se R$ 45 por pessoa no camping.
Onde contratar:
- Suçuarana Ecoturismo: Circuito Janela do Céu (a partir de R$ 550); Janela do Céu na parte baixa e Rancharia (a partir de R$ 230 cada) e Circuito das Águas (a partir de R$ 500). Instagram @sucuaranaecoturismo ou (32) 8833-0678.
Fonte: O TEMPO



