Em 26 de julho de 1842, a então Vila de Queluz tornou-se palco de um dos episódios mais decisivos da história política de Minas Gerais. Naquele dia, tropas liberais e legalistas encontraram-se em campo de batalha, em um confronto que foi muito além do som dos canhões.A Batalha de Queluz foi um capítulo central da Revolução Liberal de 1842. Foi a luta de mineiros que sonhavam com um Brasil mais justo, com maior autonomia para as províncias e respeito às liberdades. Foi sangue derramado em nome de ideais. Foi a marca de um povo que não se calou diante do autoritarismo. Por muito tempo, essa história ficou à margem dos livros. Mas esquecer Queluz é esquecer parte de nós mesmos. É apagar uma página fundamental da formação do nosso município, hoje Conselheiro Lafaiete.
É por isso que nasce o Projeto Memorial Batalha de Queluz.
Idealizado pelo pesquisador, educador popular e um dos guardiões da memória viva de Queluz, João Vicente, o projeto conta com o apoio institucional do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) e da Academia Ciências e Letras(ACLCL), instituições de referência na defesa da história, da cultura e do patrimônio mineiro.
A materialização desse sonho acontece pelas mãos da Artccol Monumentos, com a arte e a sensibilidade do escultor Felipe Dias, e com a articulação cultural do agente cultural GuiPiranga. Juntos, unem pesquisa, arte e gestão cultural para transformar a memória em monumento.O memorial não será apenas pedra e placa. Será símbolo. Será resistência.
Será um espaço para que as novas gerações compreendam de onde viemos; para que pesquisadores encontrem fontes; para que escolas ensinem, com orgulho, a própria história; e para que turistas reconheçam Lafaiete como terra de luta e de memória.
Construir esse memorial é fazer justiça.
É tirar do silêncio os nomes, as datas e os ideais de 1842 e colocá-los no centro da nossa identidade.Relembrar a Batalha de Queluz é afirmar que a história não se esquece. Ela se honra. Ela se preserva. Ela se transmite.E, no dia 26 de julho, reafirmamos: a memória de Queluz vive. E agora terá um lugar
Circuito Cultural Geraldo Lafayette
O Circuito Cultural Geraldo Lafayette (CCGL) é um roteiro histórico e turístico criado em Conselheiro Lafaiete (MG) para preservar e difundir o patrimônio, a memória e as tradições da cidade. Foi instituído pela Prefeitura Municipal em homenagem ao saudoso escritor, teatrólogo e ex-secretário municipal de Cultura José Geraldo de Almeida.
O circuito abrange um conjunto de espaços e edificações de grande relevância histórica, localizado no território que marca a fundação do antigo arraial, no entorno da Igreja Nossa Senhora da Conceição e do Largo da Matriz, palco da Batalha de Queluz.O projeto busca fortalecer a identidade cultural local e incentivar a visitação de moradores e turistas ao rico acervo arquitetônico lafaietense.
A Revolução Liberal de 1842
O movimento revolucionário de 1842 foi um levante armado organizado pelo Partido Liberal nas províncias de São Paulo e Minas Gerais contra as medidas centralizadoras adotadas pelo Partido Conservador. Em Conselheiro Lafaiete — então denominada Vila de Queluz —, o movimento ganhou grande força regional.
A seguir, destacam-se alguns aspectos do confronto e de seu desfecho militar na região:
- A vitória dos revoltosos
Em 26 de julho de 1842, a Vila de Queluz foi palco de um intenso e sangrento confronto militar. Os liberais enfrentaram as forças legalistas do Império e obtiveram a vitória na Batalha de Queluz.
- Curiosidade histórica
A derrota sofrida pelas forças imperiais em Queluz foi tão marcante que o episódio acabou retratado no verso das antigas cédulas de cem cruzeiros, lançadas em 1981 em homenagem ao Duque de Caxias. A ilustração representa justamente o confronto em que as tropas legalistas recuaram diante das forças liberais.
- O desfecho da revolta
Apesar da vitória em solo queluzense, a Revolução Liberal em Minas Gerais foi sufocada poucas semanas depois pelo então Barão de Caxias, na decisiva Batalha de Santa Luzia, travada em 20 de agosto de 1842.



