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Construído dentro de uma pedreira abandonada com mais de 100 metros de profundidade, este edifício foi erguido abaixo do nível do solo, tem andares submersos e transformou um buraco industrial em uma das obras mais ousadas da engenharia moderna

Hotel foi construído dentro de uma pedreira com mais de 100 m de profundidade, tem andares abaixo do solo e até níveis submersos em um lago artificial.

Quando a maioria das cidades chinesas apostava em arranha-céus cada vez mais altos, Xangai decidiu fazer o oposto. Em vez de subir, desceu. O InterContinental Shanghai Wonderland foi construído dentro de uma pedreira abandonada, escavada ao longo de décadas para extração de pedra, criando um desnível abrupto que ultrapassa os 100 metros de profundidade. O que antes era um vazio industrial perigoso virou um dos projetos arquitetônicos e de engenharia mais incomuns já executados em ambiente urbano.

Não se trata apenas de um hotel diferente. Trata-se de uma obra que precisou reinventar conceitos básicos de fundação, drenagem, contenção e estabilidade.

Uma pedreira instável virou base estrutural

A pedreira onde o edifício foi implantado apresentava paredes quase verticais, rocha fraturada e histórico de infiltrações de água.

Antes de qualquer construção, foi necessário estabilizar os taludes rochosos com ancoragens profundas, concreto projetado e sistemas de drenagem capazes de controlar a pressão da água subterrânea.

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Diferentemente de um terreno plano, onde as cargas são transmitidas verticalmente ao solo, aqui o desafio era trabalhar com forças laterais constantes, vindas das paredes da pedreira.

Mais de 90 metros abaixo do nível do solo

O edifício possui cerca de 18 pavimentos, sendo a maior parte deles localizada abaixo do nível do terreno original. Apenas alguns andares aparecem acima da borda da pedreira. Os demais descem em cascata, acompanhando a geometria do corte na rocha.

Nos níveis mais baixos, dois pavimentos ficam totalmente submersos em um lago artificial, criado no fundo da antiga cava. Esses andares abrigam áreas com vista direta para o ambiente subaquático, algo raríssimo em construções convencionais.

Andares submersos exigiram engenharia de barragem

A criação dos níveis submersos transformou parte do edifício em uma espécie de estrutura hidráulica. Foi necessário garantir estanqueidade absoluta, controle de pressão da água e segurança contra infiltrações contínuas.

O fundo da pedreira funciona como um reservatório permanente, exigindo sistemas de impermeabilização, bombeamento e monitoramento semelhantes aos usados em túneis submersos e barragens.

Fundação invertida e cargas distribuídas

Em vez de apoiar a construção em grandes blocos de fundação tradicionais, o projeto distribui cargas ao longo das paredes da pedreira, utilizando a própria rocha como elemento estrutural. A edificação se comporta quase como uma estrutura pendurada, ancorada lateralmente.

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Isso exigiu cálculos precisos de deformação da rocha, dilatação térmica e comportamento ao longo do tempo, já que a pedreira não foi originalmente escavada pensando em receber uma construção.

Drenagem permanente para evitar colapso

Um dos maiores riscos do projeto sempre foi a água. A pedreira acumula naturalmente águas pluviais e subterrâneas. Para evitar aumento de pressão hidrostática nas paredes e no fundo, o complexo conta com sistemas de drenagem ativos e passivos, que funcionam continuamente.

Sem esse controle, o risco não seria apenas infiltração, mas instabilidade estrutural progressiva.

Ao contrário de edifícios convencionais, onde o maior desafio é o vento e a carga vertical, aqui os problemas são opostos. A obra precisou lidar com ausência de insolação direta, umidade elevada, circulação de ar limitada e controle térmico em um ambiente naturalmente fechado.Play Video

Esses fatores influenciaram desde o sistema de ventilação até o posicionamento de áreas comuns, iluminação artificial e conforto ambiental.

Um projeto que levou quase uma década

Do início das obras à inauguração, o projeto levou cerca de 10 anos para ser concluído. Boa parte desse tempo foi dedicada não à construção do edifício em si, mas à preparação geotécnica da pedreira, algo que não existe em projetos tradicionais.

O custo total foi estimado em centenas de milhões de dólares, refletindo a complexidade técnica e os riscos envolvidos.

Pedreiras abandonadas costumam se tornar problemas urbanos: áreas degradadas, risco de acidentes e impacto ambiental. O Shanghai Wonderland seguiu o caminho inverso, transformando um passivo industrial em um ativo urbano e arquitetônico.

Mais do que um hotel de luxo, o empreendimento funciona como prova de que a engenharia moderna não precisa apenas dominar o terreno, mas pode reaproveitar cicatrizes industriais de forma estruturalmente segura.

Quando descer é mais difícil do que subir

O InterContinental Shanghai Wonderland mostra que construir para baixo pode ser mais complexo do que erguer um arranha-céu.

Cada metro escavado adiciona pressão, água, risco e incerteza. Ainda assim, a obra permanece como um dos exemplos mais extremos de como a engenharia contemporânea é capaz de transformar um buraco de mais de 100 metros em uma estrutura funcional, segura e permanente.

Em um mundo obcecado por altura, este projeto provou que os maiores desafios podem estar justamente no sentido oposto.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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