Projeto bilionário da construção da ferrovia mais ambiciosa em SC promete ficar pronto em março, mudar a economia regional, transformar o agro, atrair indústrias e revolucionar a logística do Sul do Brasil, conectando Chapecó aos portos e reduzindo custos de transporte.
Uma mudança que pode sair dos trilhos… para entrar neles. Durante décadas, o Oeste de Santa Catarina cresceu à base de caminhões, rodovias sobrecarregadas e altos custos logísticos. Agora, esse cenário pode mudar de vez. O projeto de ferrovia bilionário, que liga o interior produtivo do Sul do Brasil aos portos do Paraná e de Santa Catarina, começa a ganhar forma com 75% das obras concluídas e já é visto como um divisor de águas para o agro, a economia e o futuro industrial da região.
O trem promete reduzir custos, destravar investimentos, atrair indústrias e transformar cidades como Chapecó em verdadeiros hubs logísticos.

O problema logístico que trava o agro catarinense
Santa Catarina importa, todos os anos, cerca de 5 a 7 milhões de toneladas de grãos, principalmente milho, vindos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e até do Paraguai. Esse volume é essencial para alimentar os enormes plantéis de aves e suínos que fazem do estado o maior produtor nacional de carne suína e um dos líderes em avicultura.
O problema é que 100% desse transporte é feito por rodovias.
Segundo Lenoir Antônio Broch, presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC):
“Hoje, todas as cargas de cereais chegam à região pelo transporte rodoviário, o que encarece muito o custo de produção.”
Estradas ruins, longas distâncias e gargalos logísticos fazem com que empresas repensem investimentos. Algumas, inclusive, já começaram a reduzir operações ou migrar para regiões melhor atendidas por ferrovias.
A ferrovia como solução concreta e viável

É nesse contexto que surge o ramal Cascavel (PR) – Chapecó (SC), com 263 quilômetros de extensão, integrado ao projeto da Nova Ferroeste.
Os estudos técnicos e ambientais já foram concluídos e apontam um dado decisivo:
redução de até 28% no custo do transporte de grãos.
“Só por isso, a ferrovia já se mostrou viável”, afirma Broch.
Esse trecho funcionaria como um complemento estratégico da Nova Ferroeste, projeto liderado pelo Governo do Paraná que prevê 1.304 km de trilhos, ligando o Porto de Paranaguá a Maracaju (MS).
Ferrovia do Frango: o projeto mais ambicioso de SC
Paralelamente, Santa Catarina avança em outro grande projeto ferroviário: o trecho Chapecó – Correia Pinto, com 319 km, conhecido por muitos anos como Ferrovia do Frango.
Hoje, o nome oficial é Corredor Ferroviário de Santa Catarina, refletindo a diversidade de cargas previstas.
Status atual do projeto:
- 75% do projeto básico concluído
- Conclusão prevista para março de 2026
- Investimento estimado: US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões)
- Projeto incluído no Novo PAC para estudos de concessão via PPP
O custo do projeto básico é de R$ 28 milhões, já com recursos públicos aplicados.
Chapecó e o Oeste catarinense podem viver a maior transformação econômica de sua história
Com a soma dos dois trechos — Cascavel–Chapecó e Chapecó–Correia Pinto —, a cidade passaria a estar conectada:Play Video
- Ao Porto de Paranaguá
- Aos portos de Itajaí e Navegantes
- À malha ferroviária nacional
O investimento total pode chegar a R$ 6,8 bilhões.
Especialistas apontam que Chapecó, hoje com cerca de 250 mil habitantes, pode dobrar de tamanho nas próximas duas décadas, impulsionada por:
- Novas indústrias
- Empresas de logística
- Cadeias do agro e de exportação
Cidades como Maringá e Cascavel são exemplos claros de como a chegada da ferrovia acelera o crescimento regional.
Interesse da iniciativa privada e segurança jurídica
O setor produtivo já demonstra interesse real. A própria ACIC financiou estudos de viabilidade do trecho Cascavel–Chapecó e os doou ao Governo do Paraná para acelerar sua inclusão na Nova Ferroeste.
Além disso, o Governo de Santa Catarina trabalha na criação de uma Lei Estadual de Ferrovias, que dará mais segurança jurídica a investidores e permitirá concessões diretas dentro do estado.
Segundo Broch:
“O modal ferroviário é essencial para longas distâncias. Ele reduz custos, melhora a competitividade e fortalece o PIB regional.”
Desafios ambientais e planejamento estratégico
Um dos principais entraves está no licenciamento ambiental, especialmente em áreas com presença indígena. Para evitar conflitos, os estudos já respeitam um raio de 5 a 10 km dessas áreas, reduzindo riscos jurídicos.
Esse cuidado tem sido fundamental para manter o projeto tecnicamente viável e atrativo para investidores privados.
Um impacto que vai além do transporte
A nova malha ferroviária não beneficia apenas o transporte de cargas. Ela influencia diretamente:
- O preço dos alimentos
- A competitividade das exportações
- A atração de investimentos bilionários
- O fortalecimento da economia do Sul do Brasil
Como destaca o próprio Ministério dos Transportes em materiais recentes, ferrovias são essenciais para um país continental como o Brasil.
O futuro do agro e da indústria passa pelos trilhos
Depois de mais de 50 anos sem inaugurar uma nova ferrovia em Santa Catarina — a última foi em 1969, o estado finalmente vê projetos concretos avançarem.
Se os cronogramas forem respeitados e os investimentos confirmados, Chapecó e o Oeste catarinense podem viver a maior transformação econômica de sua história.
O futuro do agro, da indústria e da logística do Sul do Brasil está, literalmente, nos trilhos.
E você, acredita que a ferrovia vai sair do papel? Deixe seu comentário abaixo, compartilhe este conteúdo e participe do debate sobre o futuro da infraestrutura no Sul do Brasil.
FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS



