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MG tem 11 cursos de medicina na berlinda e 7 em destaque

Cerca de 30 % dos cursos de medicina oferecidos no país podem ser punidos pela baixa qualidade. Estão em risco de sofrer sanções as 99 faculdades que não alcançaram pontuação satisfatória na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram divulgados ontem pelos ministérios da Educação (MEC) e da Saúde. Entre eles estão 11 cursos oferecidos por instituições particulares em Minas Gerais.


Na outra ponta, sete cursos, de seis instituições mineiras formam um grupo de excelência, com nota máxima no exame (veja quadro). Os estudantes das instituições públicas e privadas colocadas na mira do MEC não conseguiram alcançar 60% de proficiência nos conceitos apresentados na prova do Enamed.
No exame, aplicado no segundo semestre de 2025, foram avaliados 351 cursos em todo país, dos quais 43 em Minas Gerais, com a participação de 89 mil estudantes de medicina que estavam no último ano do curso (11º e 12º semestres). De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Educação, 67% tiveram o que o Inep chama de “resultado proficiente”, ou seja, conseguiram mostrar na avaliação conhecimento suficiente. Mas quase 13 mil alunos não conseguiram resultado satisfatório.


Se por um lado, Minas tem 11 cursos de medicina sujeitos a punições pelo Ministério da Educação por terem alcançado pontuação insatisfatória no Enamed, por outro, o estado conta com sete cursos médicos no topo da avaliação promovida pelo MEC, todos eles administrados por seis instituições de ensino públicas: as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), na capital; Uberlândia (UFU), no Triângulo; Viçosa (UFV) e de Ouro Preto (Ufop), na Região Central do estado; e de Juiz de Fora (UFJF), que entra na lista com as notas das faculdades dos câmpus da cidade da Zona da Mata e de Governador Valadares, no Leste do estado; além da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), no Norte de Minas.


A dinâmica do desempenho observada em Minas Gerais se repete país afora. Os melhores desempenhos no Enamed foram observados entre 6.502 estudantes de instituições federais, que apresentaram uma pontuação média de 83,1% de proficiência, seguido dos alunos das estaduais, com média de 86,6%, entre os 2.402 inscritos. Os piores desempenhos foram dos 944 concluintes da rede municipal, que somaram uma média de 49,7% da pontuação máxima, com resultado médio considerado insuficiente pelo exame. Os 15.409 estudantes da rede privada com fins lucrativos também apresentaram uma média de apenas 57,2% da pontuação máxima.


O EXAME

Aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do MEC, o Enamed se propõe a medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino, sendo obrigatório para todos os acadêmicos do último ano da graduação médica. A iniciativa visa ainda avaliar o desempenho dos estudantes de medicina em relação às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), verificar a aquisição de conhecimentos e competências alinhadas às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelecer um instrumento unificado de avaliação da formação médica no país. O resultado também serve para o Exame Nacional de Residência (Enare).


A nota teste varia de 1 a 5. Os cursos que tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Inep, vão ser punidos. O MEC divulgou, no entanto, que as punições não serão imediatas nem automáticas. A pasta entende que, por essa ser a primeira vez que o exame é aplicado, as punições, que valem até a próxima edição, serão gradativas. Vão de suspensão de ingresso no curso, nos casos mais graves (um total de 8 no país), até proibição no aumento de vagas ofertadas.


A partir da publicação dos dados, os cursos com nota insatisfatória e que pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as universidades federais e as instituições privadas, passarão por um processo de supervisão em que podem ser adotadas medidas cautelares. Ao todo, são 99 cursos nessa situação. As instituições públicas estaduais, distritais e municipais não passam pelo processo, uma vez que são supervisionadas pelos respectivos conselhos e secretarias de educação locais.


Primeiro, será aberto um processo administrativo no qual os cursos têm 30 dias para apresentar suas defesas e tentar justificar o desempenho, antes de sofrer punições. “Queremos que a instituição (com nota baixa) corrija o que precisa ser corrigido e melhore”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana.
O exame também é uma resposta a um projeto de lei, que tramita no Congresso Nacional, que quer criar uma espécia de OAB da área, com avaliação própria e não vinculada ao ministério, mas sim ao Conselho Federal de Medicina (CFM). Por sua vez, os ministérios da Educação e Saúde pretendem apresentar um Projeto de Lei ao Congresso Nacional para que o resultado do Enamed conste nos diplomas dos estudantes.


A realização do Eamed causou polêmica no setor educacional e chegou a ser questionada na Justiça. A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) tentou barrar a divulgação dos dados de ontem, mas o Judiciário não aceitou o pedido. Entre outras coisas, a entidade questiona o tempo que as instituições de ensino tiveram para preparar os alunos para o teste. O Enamed foi lançado pelo MEC em abril de 2025 e aplicado em outubro do mesmo ano. (Com agências) 


AS DUAS PONTAS EM MINAS
confira os cursos que ficaram com as piores notas e os que obtiveram a avaliação máxima, de 5 pontos

NA BERLINDA
Curso Cidade Nota
Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac)Juiz de Fora1
Faculdade de Saúde e Ecologia Humana (Faseh)Vespasiano 1
Universidade do Vale do Rio Doce (Univale) Governador Valadares2
Universidade de Itaúna (UI)Itaúna2
Centro Universitário Faminas (Uni Faminas) Muriaé 2
Centro Universitário Unifacig Manhuaçu2
Centro Universitário Vértice (Univertix)Matipó 2
Faculdade Atenas PassosPassos2
Faculdade Atenas Sete LagoasSete Lagoas2
Faculdade de Medicina de BarbacenaBarbacena2
Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga (Fadi)Ponte Nova2

CENTROS DE EXCELÊNCIA (NOTA 5)
CursoCidade
Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) Ouro Preto
Universidade Federal de Viçosa (UFV)Viçosa
Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Uberlândia
Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) Montes Claros
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Belo Horizonte
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Juiz de Fora
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)Câmpus Governador Valadares

FONTE: Em

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