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Cidade com apenas 12 mil habitantes vai receber fábrica de R$ 27 bilhões com terminal portuário de R$ 3 bi e promessa de emprego para toda a população

Um município gaúcho de pouco mais de 12 mil habitantes entrou no radar da indústria de celulose com um projeto bilionário da CMPC, que combina fábrica e logística portuária e ainda depende de etapas ambientais e de aval interno.

Um município gaúcho com pouco mais de 12 mil habitantes deve receber um grande investimento industrial ligado ao setor de celulose.

A chilena CMPC avançou em etapas consideradas relevantes para viabilizar a instalação de uma nova fábrica em Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em um projeto divulgado pela companhia como um aporte de cerca de R$ 24 bilhões.

O empreendimento é chamado de Projeto Natureza e prevê uma unidade com capacidade de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto.

Além da planta industrial, o plano inclui uma estrutura de logística para exportação, com terminal portuário dedicado e contratos relacionados à ampliação do transporte marítimo.

Terminal de Uso Privado no Porto de Rio Grande e logística de exportação

Nos comunicados mais recentes sobre o projeto, a CMPC informou ter formalizado a concessão de área e a construção de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto de Rio Grande, no sul do Estado.

A medida foi anunciada em agendas públicas que reuniram representantes do governo federal, do governo estadual e da administração portuária.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, o terminal previsto inclui capacidade de armazenagem da ordem de 194 mil toneladas e foi apresentado com potencial de movimentação de até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação.

Ainda segundo a pasta, a estrutura foi planejada para permitir a operação de dois navios ao mesmo tempo.

Já a autoridade portuária do Rio Grande do Sul informou que o projeto do TUP envolve investimento de R$ 1,5 bilhão e foi associado à expectativa de geração de mil empregos diretos ligados ao terminal.

Em declaração divulgada pela Portos RS, o diretor-geral de Celulose da CMPC Brasil, Antonio Lacerda, afirmou que a concessão é “um passo muito significativo e fundamental” para a execução do Projeto Natureza.

No conjunto divulgado pela empresa, a frente logística aparece como uma das parcelas centrais do orçamento.

Segundo executivos ouvidos por veículos especializados, a estrutura portuária e contratos vinculados a embarcações somam cerca de R$ 3 bilhões dentro do investimento total previsto.

Licenciamento ambiental e aprovação no conselho da CMPC

Apesar do avanço em contratos e infraestrutura, a empresa tem indicado que a decisão final de investimento ainda precisa passar pelo conselho de administração.

A CMPC relaciona esse passo à obtenção das licenças ambientais, que, segundo a companhia, estão em fase final de análise no Rio Grande do Sul.

Em entrevistas reproduzidas por publicações setoriais, Antonio Lacerda disse que a empresa está “na fase final de aprovações” e que precisa das licenças ambientais para encaminhar a decisão ao conselho.

As informações foram atribuídas ao executivo em reportagens do Valor Econômico e em repercussões posteriores.

Quanto ao calendário, a CMPC tem mantido, nas declarações públicas, a previsão de concluir as obras do terminal em meados de 2029.

A empresa também informou que o início das operações industriais ocorreria cerca de dois meses depois, com entrada em funcionamento no segundo semestre de 2029, se as etapas previstas forem cumpridas.

Protocolo de intenções, investimento de R$ 24 bilhões e projeções de empregos

O projeto ganhou tração no Estado a partir de acordos anunciados anteriormente.

Em abril de 2024, governo do Rio Grande do Sul e CMPC assinaram um protocolo de intenções para orientar o processo de licenciamento e os estudos técnicos do empreendimento.

Na ocasião, o governo estadual descreveu o aporte de R$ 24 bilhões como um dos maiores investimentos privados já anunciados no RS.

(Imagem: Reprodução/CMPC)
(Imagem: Reprodução/CMPC)

Ainda segundo a comunicação oficial do governo, a estimativa apresentada naquele momento era de aproximadamente 12 mil empregos durante as obras e de cerca de 1,5 mil vagas diretas e indiretas quando a planta entrasse em operação.

Esses números foram divulgados como projeções associadas ao projeto, e não como contratações já confirmadas.

Fábrica de celulose em Guaíba e base florestal no Rio Grande do Sul

A CMPC já mantém uma fábrica de celulose em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, além de base florestal no Estado.

Em materiais institucionais e comunicações públicas ligadas ao tema, a companhia e o governo estadual informaram que a unidade de Guaíba tem capacidade anual em torno de 2,4 milhões de toneladas.

Ao tratar da viabilidade operacional, a empresa afirmou que já possui madeira plantada suficiente para abastecer, por cinco anos, tanto a futura unidade quanto a operação existente no Brasil.

A CMPC também tem citado o planejamento florestal como um dos pontos do projeto, em paralelo às frentes industrial e logística.

A formação de mão de obra aparece como outra etapa destacada pela companhia.

A empresa informou empregar cerca de 6,5 mil trabalhadores diretos e indiretos no país e declarou que esse número pode superar 10 mil após a entrada em operação da nova planta.

Segundo a CMPC, parcerias com instituições locais estão sendo estruturadas para capacitação profissional.

Preço da celulose, oferta global e competitividade da produção brasileira

O avanço do Projeto Natureza ocorre em um contexto de variações no mercado global de celulose, com mudanças de preço e de oferta.

Em falas atribuídas a executivos e reproduzidas por veículos do setor, a CMPC relacionou oscilações recentes a fatores como aumento de capacidade instalada e movimento de unidades integradas na China.

Ainda nessas declarações, a empresa sustentou que a celulose produzida no Brasil segue competitiva.

Trata-se de uma avaliação apresentada pela própria companhia, em entrevistas e comunicados, e que costuma ser considerada por empresas do setor ao discutir custos de produção, logística e acesso a mercados externos.

Para Barra do Ribeiro, o anúncio foi apresentado por autoridades e pela empresa como um marco por causa do porte do investimento e do potencial de movimentar serviços e contratações ao longo das obras.

A cidade tem população estimada pelo IBGE em pouco mais de 12 mil habitantes, o que ajuda a explicar por que o projeto passou a ser acompanhado de perto por lideranças locais e estaduais.

O município fica a cerca de 60 quilômetros de Porto Alegre, em uma região com conexão rodoviária com o litoral e com o Porto de Rio Grande, rota citada como estratégica no desenho logístico do projeto.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS.

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