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Terras raras transformam o Brasil em peça-chave da geopolítica mundial enquanto os Estados Unidos articulam uma frente global para reduzir o domínio da China

Convite do governo Donald Trump coloca o Brasil no centro de uma articulação internacional que envolve recursos críticos, geopolítica e o controle das cadeias globais de tecnologia.

Um movimento diplomático de alto impacto ganhou forma em 4 de fevereiro de 2026, quando o governo de Donald Trump passou a articular uma frente internacional voltada ao comércio e ao controle das terras raras. Nesse cenário, o Brasil assume papel estratégico, mesmo mantendo, historicamente, uma relação econômica sólida com a China.

O convite partiu dos Estados Unidos, que buscam reunir aliados estratégicos para reduzir a influência chinesa sobre recursos considerados essenciais para tecnologia avançada, defesa e transição energética. O governo norte-americano formalizou o convite ao Brasil, embora o país ainda não tenha confirmado adesão à iniciativa.

Foto: Isac Nóbrega/PR e Ricardo Stuckert/PR

Reunião em Washington amplia debate sobre o mercado de terras raras

O tema avançou após a confirmação de uma reunião prevista para esta semana na Casa Branca, em Washington. O encontro deve reunir cerca de 20 países e ocorre sob a liderança de Marco Rubio, atual chefe da diplomacia norte-americana.

Segundo informações divulgadas pelo ICL Notícias, o encontro terá como foco a criação de um mecanismo internacional de preço mínimo de importação para terras raras. Com isso, os Estados Unidos buscam limitar a capacidade da China de definir sozinha os preços globais desses elementos estratégicos.

China lidera reservas globais, enquanto Brasil amplia relevância estratégica

Atualmente, a China concentra a maior reserva conhecida de terras raras do planeta, enquanto o Brasil ocupa a segunda posição global, fator que amplia o peso brasileiro nas discussões internacionais sobre esses recursos.

Vista aérea ultra realista da Ilha das Guianas no Norte do Brasil, com rios amazônicos, floresta densa e litoral fluvio-marinho.

Conforme explica o Serviço Geológico Brasileiro, as terras raras formam um conjunto de 17 elementos químicos encontrados em minerais específicos. Esses elementos permitem ganhos de eficiência em produtos de alta tecnologia, além de aplicações diretas em energias limpas, satélites, foguetes e mísseis, o que reforça seu valor estratégico.

Governo brasileiro conduz avaliação diplomática com cautela

Apesar da relevância do convite, o governo brasileiro ainda avalia sua posição oficial. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não participará da reunião por compromissos previamente assumidos. Ainda assim, o governo do presidente Lula mantém consultas internas em andamento.

Nesse contexto, o Brasil não descartou a participação, embora ainda não tenha anunciado decisão formal. O debate envolve, portanto, o equilíbrio entre interesses econômicos consolidados com a China e as pressões geopolíticas crescentes lideradas por Washington.

Estados Unidos intensificam mapeamento de terras raras no Brasil

Paralelamente às articulações diplomáticas, os Estados Unidos intensificaram o mapeamento de reservas de terras raras em território brasileiro. Conforme relatado pelo ICL Notícias, autoridades norte-americanas enfrentaram dificuldades para acessar diretamente decisores do Ministério de Minas e Energia, o que levou à aproximação com diplomatas e governos estaduais.

Além disso, documentos oficiais indicam que, ainda em 2025, a Casa Branca orientou a CIA a mapear reservas de terras raras em toda a América Latina, reforçando a dimensão estratégica e de longo prazo da iniciativa.

Geração de energia

Disputa por recursos críticos redefine o cenário internacional

A crescente movimentação em torno das terras raras reflete uma disputa global por recursos minerais críticos, fundamentais para segurança tecnológica e energética das principais economias. Nesse cenário, o Brasil passa a ocupar posição central, observada simultaneamente por grandes potências.

Especialistas avaliam que qualquer decisão brasileira precisará considerar impactos econômicos, diplomáticos e estratégicos, além da preservação da autonomia sobre seus recursos naturais.

Diante desse cenário, o Brasil deve priorizar alianças geopolíticas imediatas ou manter uma postura equilibrada para proteger seus interesses de longo prazo?

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