Astrônomos no Atacama identificam um cometa “kamikaze” ligado ao lendário gigante observado em 1106, viajando rumo ao Sol a 3,2 milhões km/h e com chance de aparecer em 2026 mais brilhante que a Lua caso sobreviva ao periélio.
Do alto do deserto do Atacama, um dos melhores lugares do planeta para olhar o Universo, astrônomos registraram um objeto que chamou atenção por tudo ao mesmo tempo: um cometa “kamikaze”, associado a um lendário gigante visto no ano de 1106, viajando a cerca de 3,2 milhões de quilômetros por hora rumo ao Sol. O termo “kamikaze” não é exagero retórico: a órbita desse corpo é tão extrema que ele deve passar perigosamente perto da nossa estrela, arriscando literalmente se desintegrar diante dos instrumentos.
Se ele resistir ao periélio, porém, o cenário muda completamente. Os cálculos indicam que esse cometa “kamikaze” pode surgir no céu de 2026 mais brilhante do que a própria Lua, transformando um objeto hoje invisível a olho nu em protagonista de um espetáculo global. Entre o risco de desaparecer para sempre e a chance de se tornar o show astronômico de uma geração, o cometa coloca cientistas e curiosos em estado de expectativa máxima.
O que torna o cometa “kamikaze” tão especial
A primeira razão é simples: não é “apenas mais um cometa”. O cometa “kamikaze” foi identificado a partir de observações cuidadosas no Atacama, cruzando dados de brilho, movimento aparente no céu e trajetória.
O padrão de órbita é típico de objetos que se aproximam muito do Sol e, muitas vezes, não saem inteiros desse encontro.
Cometas são, em essência, blocos de gelo, poeira e rochas que passam a maior parte do tempo nas regiões mais distantes do Sistema Solar.
Quando um desses núcleos é “puxado” para perto do Sol, o aquecimento intenso faz o gelo sublimar, liberando gás e poeira e formando a famosa cauda.
No caso deste cometa “kamikaze”, a órbita é tão fechada e inclinada que o periélio deve colocá-lo em uma zona de calor extremo, com risco real de ruptura.
Ligação com o gigante de 1106: eco de um passado brilhante
Outro ponto que torna o cometa “kamikaze” único é a sua ligação com o lendário gigante observado em 1106. Registros históricos descrevem um cometa tão luminoso que teria sido visível mesmo durante o dia em algumas regiões, marcando fortemente as crônicas da época.
Ao comparar a órbita reconstruída desse antigo visitante com os dados atuais, os astrônomos encontraram semelhanças que indicam que o cometa “kamikaze” pode ser um fragmento remanescente daquele gigante de 1106.
Em outras palavras, o que vemos agora seria um pedaço de um corpo muito maior que passou perto do Sol há séculos e, desde então, vem retornando em trajetórias cada vez mais extremas.
Se essa conexão se confirmar, estaremos observando não só um cometa “kamikaze”, mas também um mensageiro direto de um evento astronômico registrado há mais de 900 anos.
A corrida rumo ao Sol a 3,2 milhões km/h
A velocidade de cerca de 3,2 milhões de quilômetros por hora pode parecer quase abstrata, mas é isso que permite ao cometa “kamikaze” cruzar enormes distâncias em prazos relativamente curtos.
Quanto mais ele cai em direção ao Sol, mais rápido acelera sob influência gravitacional, como uma pedra rolando ladeira abaixo.
Essa velocidade extrema não é apenas um número impressionante: ela tem consequências práticas. Quanto maior a velocidade no periélio, mais intensa é a interação com o campo de radiação solar, o que pode aumentar a perda de massa e a chance de fissuras ou ruptura total do núcleo.Play Video
Para os astrônomos, acompanhar esse processo em tempo real é uma oportunidade rara de estudar como cometas se comportam em situações limite, algo que normalmente só conseguimos inferir depois que eles já se desintegraram.
Pode realmente ficar mais brilhante que a Lua em 2026?
A grande pergunta, tanto para a comunidade científica quanto para o público, é se o cometa “kamikaze” vai cumprir a promessa de ficar mais brilhante que a Lua em 2026.
Para isso acontecer, dois fatores precisam se combinar: ele precisa sobreviver ao periélio com uma boa parte do núcleo intacta e precisa liberar uma quantidade enorme de gás e poeira.
Se isso ocorrer, a superfície que reflete a luz solar aumenta muito, formando uma cauda longa e uma coma brilhante.
Um cometa “kamikaze” que resista ao calor e à maré gravitacional do Sol pode literalmente “explodir em brilho” no céu noturno, tornando-se facilmente visível a olho nu e até dominando o horizonte em certas noites.
Por outro lado, se o núcleo for pequeno demais ou já estiver muito fragmentado, o objeto pode simplesmente desaparecer, deixando apenas um rastro difuso que mal será percebido.
Por que ele é chamado de cometa “kamikaze”
O apelido cometa “kamikaze” vem justamente da natureza arriscada de sua órbita. Cometas desse tipo fazem passagens extremamente próximas ao Sol, em trajetórias que beiram o limite entre sobreviver e se desfazer completamente.
Em muitos casos, eles só são vistos uma vez e nunca mais retornam, pois se desintegram no primeiro mergulho mais agressivo.
No caso específico deste cometa “kamikaze”, o periélio funciona como uma espécie de roleta astronômica. Se sua estrutura interna tiver fissuras grandes ou zonas de fraqueza, o estresse térmico e gravitacional pode rachá-lo em múltiplos fragmentos.
Alguns desses pedaços podem entrar em novas órbitas, outros podem ser completamente vaporizados. Se o núcleo estiver mais coeso do que parece, ele pode resistir, perder massa, mas seguir em frente para uma órbita mais longa e depois retornar em séculos futuros.
O que os astrônomos esperam aprender com o cometa “kamikaze”
Do ponto de vista científico, o cometa “kamikaze” é uma janela aberta para o passado e para o comportamento extremo de pequenos corpos do Sistema Solar.
A conexão com o gigante de 1106 permite comparar registros históricos com dados modernos e entender melhor como esses objetos se fragmentam ao longo do tempo.
Além disso, acompanhar em detalhe a aproximação, o periélio e o possível brilho em 2026 ajuda a refinar modelos de evolução de cometas, previsões de brilho e estimativas de risco para futuras passagens de corpos similares.
Cada dado obtido com o cometa “kamikaze” (cometa C/2026 A1) melhora nossa capacidade de interpretar outros cometas que sigam caminhos parecidos, seja em termos de espetáculo no céu, seja em termos de segurança e monitoramento.
E você, se o cometa “kamikaze” realmente aparecer em 2026 mais brilhante que a Lua, pretende sair para observar o céu ou acha que tudo isso é exagero em torno de um visitante de gelo e poeira?





