Subtítulo: Objetos religiosos levados do Cemitério Paroquial Nossa Senhora da Conceição são recuperados pela Polícia Militar no bairro Santa Terezinha
Nem na morte. Nem no silêncio dos túmulos. Nem no espaço que, por definição, deveria ser de respeito absoluto. Em Conselheiro Lafaiete, a sensação que fica é a de que nem mesmo o descanso eterno tem sido poupado da ação de criminosos.Nesta semana, a Polícia Militar recuperou diversas peças sacras furtadas do Cemitério Paroquial Nossa Senhora da Conceição. Itens que carregam não apenas valor material, mas sobretudo simbólico, espiritual e afetivo, ligados à memória de famílias e à tradição religiosa da cidade. A investigação levou os militares até o bairro Santa Terezinha, onde um homem de 26 anos foi localizado. Na residência dele, estavam os objetos furtados.
Sem rodeios, o suspeito confirmou que havia adquirido as peças.
A origem, no entanto, revela um enredo que beira o absurdo. Segundo ele, os itens teriam sido comprados de uma mulher de 64 anos. Ao ser encontrada, ela apresentou uma versão que amplia ainda mais o cenário nebuloso: disse que os objetos teriam sido adquiridos por seus funcionários, em negociações com terceiros não identificados. Uma cadeia de “ninguéns” para explicar algo que, na prática, tem dono, história e significado.
Diante dos fatos, os dois foram presos em flagrante por receptação e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, juntamente com o material recuperado. A rápida ação da Polícia Militar devolve, ao menos em parte, aquilo que foi levado. Mas o episódio deixa uma pergunta incômoda no ar, daquelas que ecoam mais alto que qualquer sirene: se nem os mortos são respeitados, o que ainda resta de intocável?









