A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou nesta segunda-feira (6/3) o resultado de uma operação que apreendeu cerca de 15 mil pares de calçados falsificados. A Operação Replicário, deflagrada na última terça-feira (31/3) desarticulou uma organização criminosa dedicada à fabricação e comercialização de calçados falsos. Durante a ação, houve o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em ativos financeiros.
A operação, coordenada pelo Departamento Estadual de Combate à Corrupção e Fraudes (DECCOF), cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Nova Serrana, Ouro Branco e cidades adjacentes. A investigação, iniciada há cerca de dois anos a partir de denúncias do próprio Mercado Livre e das marcas afetadas, revelou um esquema estruturado que atuava desde a produção dos produtos falsificados até a venda em plataformas digitais.
Em Nova Serrana, principal polo calçadista de Minas, os policiais localizaram uma fábrica e dois grandes depósitos. Foram apreendidos milhares de pares de tênis de marcas famosas, como Nike, Adidas e outras. A produção ocorria em condições insalubres, com forte odor de produtos químicos, ausência de equipamentos de segurança e presença de lixo e animais no local. Delegados presentes relataram que o ambiente era tão inadequado que chegou a causar mal-estar na equipe durante a ação.
Entrevista coletiva da PCMG sobre a apreensão de 15 mil pares de tênis falsificados e bloqueio de R$10 milhões dos envolvidos
Os produtos eram comercializados principalmente pelo Mercado Livre, além de Instagram, sites próprios e até WhatsApp, utilizando o modelo de dropshipping. As vendas não se limitavam a Minas Gerais: os tênis falsificados chegavam a consumidores de todo o Brasil. A organização ainda utilizava “laranjas” para movimentar o dinheiro e dificultar o rastreamento.
O delegado Adriano Assunção, chefe do DECCOF, e o delegado Magno Machado, da Divisão de Combate à Corrupção e Fraudes, destacaram que o esquema “causava prejuízos às marcas, às plataformas de venda, ao consumidor (que recebia produto de qualidade inferior) e ao Estado, pela sonegação tributária”. Os investigadores também identificaram indícios de lavagem de dinheiro.
O delegado Anderson Rezende Koppke, titular da Terceira Delegacia Especializada de Investigação de Fraudes, explicou que a investigação mapeou toda a cadeia produtiva. “Da fabricação em Nova Serrana à comercialização em Ouro Branco. Por enquanto, não houve prisões, mas a polícia identificou os principais responsáveis (dois em Ouro Branco e um em Nova Serrana)”. Ele ainda pediu a postergação do flagrante para aprofundar as apurações com o material apreendido.
Além dos crimes contra marcas e contra as relações de consumo, os investigados podem responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PCMG informou que vai encaminhar ao Ministério do Trabalho e à Polícia Federal os indícios de condições degradantes de trabalho na fábrica para as providências cabíveis. A operação contou com a participação de mais de 40 policiais civis e teve o apoio técnico dos representantes das marcas lesadas e das plataformas de e-commerce.
As investigações continuam em andamento para concluir os inquéritos e responsabilizar todos os envolvidos na cúpula da organização.
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