Um grupo de quatro vereadores protocolou, nesta quinta-feira (21), uma representação na Câmara Municipal solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o prefeito Charles Lopes Moreira. A medida é uma resposta à entrega, fora do prazo legal e de forma incompleta, da prestação de contas referente ao exercício financeiro de 2025.
Segundo os parlamentares Diego Pimentel de Assis Moreira, Clero Domingos Sávio de Faria, Dércio de Souza Gomes e Geraldo Magela Ferreira de Souza, a documentação deveria ter sido entregue até o dia 15 de abril, conforme estabelece a Lei Orgânica do Município. No entanto, o protocolo na Casa Legislativa ocorreu apenas no dia 28 de abril.
Além do atraso, os vereadores apontam que o material enviado pelo Executivo, por meio do Ofício nº 78/2026, continha apenas os balancetes dos primeiros oito meses de 2025. A justificativa apresentada pela administração municipal de que os documentos restantes estariam sendo “xerografados” foi classificada pelos autores da representação como “juridicamente inaceitável” e um sinal de “desídia com a transparência pública”.
Pedido ao Ministério Público
Além da criação da CPI para investigar se a fragmentação dos dados visa ocultar possíveis irregularidades financeiras, os vereadores solicitaram o envio imediato do caso ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais. O objetivo é que a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público apure a conduta do prefeito, que pode configurar ato de improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A representação aguarda agora a leitura em plenário na próxima sessão da Câmara para os devidos trâmites regimentais e envio do requerimento ao Ministério Público.
A disputa de grupos
No final de 2025 o relatório final da CPI apontou suspeitas de desvios que chegam a mais de R$2 milhões. Ainda em dezembro, o MPG ajuizou ação civil pública com pedido de bloqueio cautelar de bens para cobrar R$ 1,97 milhão (valor já atualizado até dezembro de 2025). As investigações indicaram que o então tesoureiro do município realizou, durante cerca de quatro anos, transferências irregulares de recursos públicos para contas pessoais e de familiares, valendo-se do acesso indevido às senhas bancárias da prefeitura.
A ação também inclui pedido de arresto de bens de todos os envolvidos, a fim de garantir o ressarcimento integral ao município de Capela Nova. O caso segue agora para análise do Poder Judiciário da Comarca de Carandaí.




