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Popularização das bikes elétricas acende alerta para segurança no trânsito; veja as regras de circulação

Aumento no uso do modal muda dinâmica da mobilidade urbana no Espírito Santo e exige cuidados como uso de equipamento de segurança e atenção quanto ao limite de velocidade permitido.

Seja nas ciclovias, seja nas pistas, as bicicletas elétricas já são uma presença confirmada no trânsito capixaba. Mais rápidas e práticas que as bicicletas convencionais, elas conquistam aqueles que querem fugir de engarrafamentos e ter mais tempo na rotina.

Uma delas foi a estudante de Educação Física Juliana Pessanha, de 23 anos. A jovem conta que decidiu trocar o carro pela bicicleta elétrica por conta dos altos custos com manutenção do veículo. “A rotina com o carro era bem estressante por conta do trânsito. Com a bike elétrica, tenho mais liberdade de locomoção, ainda que me sinta um pouco vulnerável ao andar na rua, nos trechos sem ciclovia. Por isso, para mim, o maior desafio ainda é a segurança”, relata.

E a preocupação de Juliana não é incomum. De acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública, de janeiro a abril deste ano, 205 sinistros (acidentes de trânsito) foram registrados, com 27 lesões graves e duas vítimas fatais. Além disso, a maior parte dos acidentes ocorreu em via pública (167 casos) e foram, principalmente, entre carros e bicicletas elétricas (100 casos).

Impactos na saúde pública e nas escolas

No Hospital Estadual Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha, o aumento dos acidentes já é percebido pelas equipes médicas. Segundo o ortopedista e traumatologista Igor Cristiano Silveira Vasconcelos, os acidentes costumam envolver traumas de maior gravidade justamente pela velocidade alcançada pelas bicicletas elétricas. “Observamos aumento de fraturas de punho e clavícula, traumatismos cranianos e lesões que exigem cirurgia. A combinação de velocidade elevada, trânsito urbano intenso e pouca experiência de parte dos usuários contribui diretamente para a gravidade dos acidentes”, afirma.

O médico emergencista Adenilton Rampinelli, do Hospital Estadual de Urgência e Emergência São Lucas, em Vitória, afirma que adolescentes e adultos jovens estão entre as principais vítimas e reforça que o capacete, assim como nas motocicletas, reduz a gravidade das lesões e pode salvar vidas.

No Up Centro Educacional, em Vitória, o crescimento no número de alunos chegando de bicicleta elétrica fez com que a instituição tivesse que reorganizar espaços e endurecer regras de segurança, tornando o uso do capacete obrigatório para a entrada com o veículo.

Guia de bom uso

Segundo a Guarda Municipal de Vitória, boa parte dos modelos que circulam atualmente sequer se enquadram como bicicleta elétrica tradicional e devem ser classificados como equipamentos autopropelidos por possuírem acelerador manual. A diferença técnica muda as exigências de circulação conforme a Resolução 996 do Contran.

Em abril de 2026, o município de Vitória regulamentou a circulação de ciclomotores, bicicletas elétricas e autopropelidos por meio de decreto que define áreas permitidas e limites de velocidade:

  • Vias com limite acima de 60 km/h: Proibida a circulação de ciclomotores, bicicletas, bicicletas elétricas e autopropelidos.
  • Vias de até 60 km/h: Ciclomotores pelo bordo direito; bicicletas e autopropelidos apenas com infraestrutura cicloviária.
  • Vias de até 40 km/h: Preferência por ciclovias/ciclofaixas; na ausência, bordo direito da pista.

Pedestres têm a prioridade nas calçadas

Tanto bicicletas elétricas quanto autopropelidos podem trafegar em ciclovias e ciclofaixas com velocidade máxima de até 32 km/h. As calçadas são prioritárias para pedestres; a circulação é permitida apenas em áreas sinalizadas como compartilhadas, com limite de 6 km/h.

No caso dos ciclomotores, as exigências são semelhantes às das motocicletas: condutor deve usar capacete homologado para motos, possuir CNH e circular apenas na pista (nunca em ciclovias ou calçadas). O descumprimento, como circular sem placa, está sujeito a multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e remoção do veículo.

O Detran-ES ressalta que, embora não haja emplacamento para bikes elétricas, os usuários estão sujeitos às infrações do Código de Trânsito Brasileiro em caso de desrespeito às normas, como trafegar em locais proibidos ou falta de equipamentos de segurança.

Fonte: A Gazeta

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