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Cannabis manipulada pode reduzir em até 50% o custo dos tratamentos no país

Medida regulatória inaugura uma nova etapa da cadeia produtiva da cannabis medicinal no Brasil pela capacidade de ampliar o acesso aos tratamentos à base de canabidiol

Setor de cannabis medicinal inicia uma nova fase no Brasil.

Foto: Olena Ruban/GettyImages

Com uma nova medida publicada pela Anvisa, publicada em fevereiro e em vigor desde maio, o setor de cannabis medicinal inicia uma nova fase no Brasil e o custo dos tratamentos pode reduzir em até 50% no país.

Pela primeira vez, o Brasil passa a ter um ambiente regulatório favorável para o uso de canabidiol (CBD) isolado como Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) no mercado magistral, formado pelas farmácias de manipulação, desde que apresente pureza mínima de 98%.

De acordo com Fabricio Pamplona, cientista com atuação internacional na área de canabinoides e sócio-diretor da Brascann, ao reduzir a dependência de produtos acabados importados, o mercado passa a ter condições de construir uma cadeia mais eficiente e competitiva. “Isso cria uma oportunidade concreta para reduzir o preço final dos tratamentos e ampliar o acesso à cannabis medicinal no Brasil”, explica.

Padrão de pureza e flexibilidade clínica

A exigência de pureza mínima de 98% para o CBD utilizado como IFA é um dos pontos centrais dessa nova etapa. Na prática, esse padrão permite maior controle de formulação, precisão na dosagem prescrita e potencial aumento da segurança e da reprodutibilidade das formulações.

Com o CBD isolado disponível como insumo farmacêutico, torna-se possível ajustar dose, forma farmacêutica, veículo e titulação conforme a resposta individual de cada paciente.

“A grande transformação não está apenas no produto, mas na infraestrutura que tornará esse mercado confiável. Agora, ele passa a integrar uma cadeia de insumos, com controle de qualidade, educação médica, treinamento farmacêutico e abastecimento das farmácias autorizadas”, completa o especialista.

A mudança também amplia significativamente as possibilidades clínicas. Segundo o executivo, as principais indicações do CBD manipulado incluem ansiedade, estresse, insônia e outros distúrbios do sono, além de dor crônica, dor neuropática, epilepsia refratária e condições dermatológicas como dermatite, acne e psoríase.

A partir de agora, as formulações também podem ser preparadas em diferentes apresentações, incluindo soluções orais, cápsulas, sprays sublinguais e produtos de uso tópico, como cremes, géis e pomadas.

Marcos que abriram o mercado magistral de cannabis no Brasil

Ano / DataMarco RegulatórioImpacto no Setor
2019RDC 327/2019A Anvisa cria a categoria de produtos de cannabis para fins medicinais e autoriza sua comercialização em farmácias e drogarias mediante prescrição médica.
2022RDC 660/2022Regulamenta a importação excepcional de produtos de cannabis por pessoa física, ampliando o acesso de pacientes a tratamentos disponíveis no exterior.
Fevereiro de 2026RDC 1.013/2026A Anvisa publica as regras para o desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis medicinal no Brasil, incluindo critérios para cultivo, produção, rastreabilidade e controle.
Fevereiro de 2026RDC 1.015/2026Atualiza o marco regulatório e permite o uso de CBD como Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para o setor magistral (pureza mínima de 98%), permitindo a manipulação em farmácias autorizadas.
Maio de 2026Simplificação de PrescriçãoA Anvisa passa a permitir que formulações com baixo teor de THC sejam prescritas por meio da Receita de Controle Especial (RCE), reduzindo etapas burocráticas.
Maio de 2026Entrada em VigorAs mudanças regulatórias entram plenamente em vigor, inaugurando a nova etapa da cadeia produtiva nacional de insumos farmacêuticos de cannabis.

*Sob supervisão de Thomaz Coelho

CNN Brasil

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