Familiares e amigos prestam as últimas homenagens nesta terça-feira, 13 de outubro, a Claudiomiro dos Santos Ribeiro, conhecido carinhosamente como “Gaguinho”. O jovem, de 25 anos, foi vítima de um homicídio por disparos de arma de fogo durante uma festa em um sítio no Chacreamento Vista Alegre, em Congonhas, no último domingo, dia 11.
As cerimónias de despedida aconteceram no Velório São Jorge, situado na Rua Cornélio Souza Costa, nº 111, em Congonhas. O início do cerimonial de despedida ficou marcado para as 08:00h. O sepultamento ocorreu no final da tarde do feriado (12) às 17:00h, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, também no município de Congonhas.
O Caso
De acordo com os levantamentos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o crime aconteceu durante uma confusão generalizada no evento, no Chacreamento Vista Alegre, em Congonhas, precedida por desentendimentos e agressões físicas entre os participantes. Claudiomiro foi atingido pelos disparos e chegou a ser socorrido por terceiros até à unidade hospitalar, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
A área do crime foi isolada para os trabalhos da perícia técnica e as autoridades policiais prosseguem com as diligências e colheita de depoimentos para esclarecer a motivação e identificar os responsáveis pelos disparos.
O calvário de uma mãe
Rosana Luisa Santos, mais conhecida como Rosinha, de 43 anos, moradora do Bairro São Vicente, procurou nossa redação para um desabafo. Passando por momentos de angústia, ela relatou o desrespeito e o constrangimento, ao tentar realizar o velório e o sepultamento do próprio filho. Entre falhas de comunicação hospitalar, barreiras burocráticas e a exigência de valores financeiros, o caso expôs a vulnerabilidade de famílias de baixa renda em momentos de luto.
O falecimento e a primeira falha institucional
Após o óbito, a mãe questionou os funcionários do hospital Bom Jesus sobre quais seriam os passos seguintes e se certificou de que seus contatos telefônicos estavam corretos no cadastro. No entanto, segundo o relato, o corpo foi enviado para a autópsia e, posteriormente, a família não foi devidamente comunicada do trâmite.
Quando retornou ao hospital para acompanhar os procedimentos, a mãe constatou com espanto que os funcionários simplesmente “esqueceram” de avisar a funerária e de lhe comunicar que o corpo já havia sido encaminhado para a autópsia e retornado, gerando um longo período de espera sem qualquer satisfação.
O impasse financeiro e o choque no serviço funerário
Ao chegar à funerária para organizar as despedidas, a situação agravou-se. A mãe, que trabalha para pagar aluguel e cuida de três filhos, foi informada de que o sepultamento não seria realizado caso não houvesse o pagamento imediato.
A funerária e órgãos municipais teriam alegado inicialmente que, apesar de o sepultamento poder ser custeado pela prefeitura para pessoas de baixa renda, o processo exigia trâmites que esbarravam na falta de recursos imediatos e na indisponibilidade de atendimento ágil por ser feriado. Desesperada, sem conseguir empréstimos e sem possuir bens de alto valor para vender, a mãe recorreu às redes sociais, postando apelos públicos com o coração sangrando para conseguir ajuda financeira da comunidade para realizar o velório.
A mobilização e o desfecho tardio
Diante da repercussão do caso nas redes sociais e com o apoio de conhecidos, o contato de um vereador do município acabou por intervir na situação. O edil acionou a prefeitura, que finalmente autorizou a liberação dos serviços funerários por meio do auxílio municipal a que a família tinha direito.
Apesar de o corpo ter ficado pronto para sepultamento ainda pela manhã, a falta de articulação e o choque burocrático estenderam o sofrimento da mãe por várias horas daquele feriado, culminando num processo doloroso que escancara a urgência de humanização e eficiência no atendimento a famílias enlutadas em situação de vulnerabilidade no município.
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