×

Fim do trabalhador na mineração: Vale prevê minas 100% automatizadas, aposta em IA como ‘caminho sem volta’, investe US$ 700 milhões em P&D e planeja adicionar mais 150 equipamentos autônomos à frota

Mineradora avança para um modelo com menos presença humana nas minas, mais centros de controle, equipamentos autônomos e uso crescente de inteligência artificial.

A Vale passou a tratar a automação total de minas como uma possibilidade real para o futuro de suas operações, em um modelo com menor presença física nas áreas de extração e mais atividades concentradas em centros de controle. A avaliação foi feita por Rafael Bittar, diretor de tecnologia da mineradora, durante o Web Summit Rio 2026. Para o executivo, a inteligência artificial (IA) deixou de ocupar um papel experimental e passou a fazer parte da estratégia de negócios da companhia.

Vale mira mineração com menos presença humana

Ao tratar do avanço tecnológico no principal negócio da Vale, Bittar citou a possibilidade de uma mina 100% automatizada. Na prática, a empresa já utiliza centros de controle capazes de permitir a teleoperação de equipamentos a centenas de quilômetros de distância, aproximando a operação mineral de uma rotina remota e digitalizada.

Nesse cenário, caminhões, perfuratrizes, escavadeiras e tratores de esteira tendem a ganhar mais espaço, enquanto equipes humanas passarão a atuar de forma concentrada em supervisão, controle, manutenção e análise de dados. A projeção aponta para uma mudança gradual no tipo de atividade exercida, visando ampliar segurança, produtividade e eficiência.

Frota autônoma deve ganhar mais 150 equipamentos

Nos planos da companhia, a Vale pretende adicionar mais 150 equipamentos autônomos à sua frota até o fim do próximo ano. Com a automação, tarefas antes realizadas diretamente nas minas são executadas por máquinas monitoradas remotamente, deslocando o trabalho humano para atividades ligadas ao controle operacional e interpretação de informações. Ainda não há detalhamento sobre a distribuição específica desses ativos ou o impacto direto nos postos de trabalho.

Descarbonização pode receber parcela maior do P&D

Além da automação, a Vale avalia ampliar a fatia dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) voltada à descarbonização. Atualmente, cerca de 25% de um total de US$ 700 milhões destinados a P&D é direcionado a pesquisas relacionadas à redução de emissões e à transição energética. A empresa estuda a possibilidade de elevar esses recursos conforme os projetos avançam para estágios mais maduros, de olho em uma futura valorização do minério produzido de forma sustentável (conhecido como quality premium).

Automação avança sem detalhamento sobre impactos trabalhistas

As falas da diretoria indicam uma visão de mineração digital, automatizada e dependente de IA. No entanto, ainda faltam informações públicas detalhadas sobre planos de substituição de trabalhadores, cronogramas por unidade ou estimativas de impacto real sobre empregos diretos e terceirizados. Por enquanto, a iniciativa reflete uma diretriz tecnológica da companhia sustentada por equipamentos autônomos, teleoperação e pesquisa aplicada.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp