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Setor de siderurgia no Brasil registra corte de 5,1 mil empregos e suspensão de R$ 2,5 bilhões em investimentos

Aço chinês domina mercado e empurra siderurgia brasileira para queda: até novembro de 2025, setor perdeu 5,1 mil empregos e suspendeu R$ 2,5 bilhões em investimentos.

siderurgia brasileira enfrenta um cenário preocupante em 2025: até novembro, o setor cortou cerca de 5,1 mil empregos e suspendeu R$ 2,5 bilhões em investimentos planejados, conforme dados apresentados pelo Instituto Aço Brasil.

A redução de postos de trabalho e a paralisação de aportes ocorrem em meio à pressão crescente das importações de aço, principalmente vindas da China, que tem alterado a dinâmica competitiva do mercado interno.

Esse movimento foi destacado em coletiva de imprensa em 16 de dezembro, quando representantes da entidade alertaram para a necessidade de medidas mais robustas de defesa comercial — argumentando que a entrada de aço estrangeiro abaixo de preços de mercado tem prejudicado produtores nacionais

Impactos diretos no emprego e na produção

A redução de empregos é um dos efeitos mais tangíveis da atual crise na siderurgia.

Além dos 5,1 mil postos de trabalho extintos, várias usinas tiveram que interromper operações, incluindo quatro alto-fornos, uma aciaria e cinco minimills — unidades menores que operam processando sucata metálica.

Essa situação é reflexo de uma combinação de demanda interna mais fraca e forte concorrência de produtos importados que entram no país a preços mais baixos, segundo o Instituto Aço Brasil.

O volume de aço importado pelo Brasil entre janeiro e novembro de 2025 alcançou 5,4 milhões de toneladas de laminados, com 64% provenientes da China.

Investimentos suspensos no setor de siderurgia refletem retração da confiança

A suspensão de R$ 2,5 bilhões em investimentos sinaliza uma perda de confiança dos grupos siderúrgicos na perspectiva de crescimento no curto prazo.

Esses recursos faziam parte de planos para modernização e expansão de unidades produtivas, mas foram postergados em resposta ao ambiente de negócios adverso.

Além disso, muitos empreendimentos — como alto-fornos e aciarias — saíram de operação ou tiveram atividades reduzidas, representando um retrocesso em capacidade produtiva e competindo com margens mais afinadas por importadores estrangeiros.

Pressão das importações e estratégias de preços

Um dos principais fatores que tem desafiado a siderurgia nacional é a forte presença de aços importados, sobretudo da China, no mercado brasileiro.

A entidade que representa o setor tem apontado indícios de práticas como dumping — quando produtos são vendidos no exterior abaixo do custo ou abaixo de preços de referência para conquistar mercados — o que amplia a competitividade externa sobre a produção interna.

Aço chinês domina mercado e empurra siderurgia brasileira para queda: setor perde 5,1 mil empregos e suspende R$ 2,5 bilhões em investimentos

O preço das bobinas de aço chinesas caiu de US$ 560 por tonelada em janeiro de 2024 para cerca de US$ 454 em novembro de 2025, de acordo com dados citados pelo Instituto Aço Brasil, o que também contribui para reduzir a competitividade do produto nacional.

Queda na produção e utilização da capacidade produtiva

A desaceleração também se reflete nos números de produção. O Instituto Aço Brasil revisou para baixo suas projeções para 2025, estimando uma queda de 2,2% na produção de aço bruto no país, com cerca de 33,1 milhões de toneladas ao fim do ano.Play Video

As vendas internas e ao exterior também devem acompanhar o desempenho mais fraco.

A ociosidade nas usinas brasileiras segue elevada, com utilização estimada em 68% da capacidade instalada, abaixo de níveis considerados saudáveis pela indústria, que giram entre 80% e 85%.

Setor de siderurgia pede ação do governo para conter importações

Diante desse cenário, a siderurgia busca apoio governamental por meio de mecanismos de defesa comercial.

Em 2025, o Brasil manteve alíquotas de 25% para um conjunto de produtos de aço importados que excedem cotas, uma medida que ainda é considerada insuficiente por representantes do setor.

O endurecimento de barreiras tarifárias e cotas é defendido como forma de equilibrar a competição e proteger a indústria nacional — uma estratégia que pode influenciar diretamente a manutenção de empregos e futuros investimentos.

A indústria do aço no Brasil enfrenta um momento delicado, onde a perda de empregos, suspensão de investimentos e excesso de importações apontam para um ciclo de desafios de médio e longo prazo.

Sem ações concretas para conter a pressão externa ou estimular a demanda interna, as siderúrgicas podem seguir enfrentando dificuldades para retomar crescimento sustentável.

Alternativas como políticas de incentivo, abertura de novos mercados e fortalecimento de cadeias produtivas internas são temas que deverão ser debatidos no setor para evitar mais perdas e estabilizar um dos pilares da indústria brasileira.

FONTE: Click petroleo e gas

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