Agência suspende venda e uso de produtos com desvio de qualidade e sem registro sanitário; oxigênio medicinal também é afetado
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização, a distribuição e o uso de suplementos alimentares e outros produtos fabricados por 5 empresas. As medidas foram publicadas na Resolução-RE nº 2.600, de 1º.jul.2026.
A Hypofarma — Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda. teve lotes do Cloridrato de Dobutamina 12,5 mg/mL suspensos para comercialização, distribuição e uso. A Anvisa identificou desvio de qualidade nos lotes 25071640, 25071641, 24071684 e 24092132. Foram encontrados precipitados, partículas em suspensão, cristalização e alteração de cor — com aspecto turvo, avermelhado ou amarronzado — em ampolas íntegras e após a diluição.
A IBG Cryo Indústria de Gases Ltda. teve determinado o recolhimento de todos os lotes de oxigênio medicinal envasados até 11 de junho de 2026. Segundo a Anvisa, a empresa realizava o envase sem licenciamento sanitário e antes da validação da metodologia analítica e dos processos de fabricação.
A Supra Ervas Bebidas e Alimentos Ltda. teve 36 extratos concentrados das linhas Bios 7 e SupraErvas, além do produto Aloe Vera Max, apreendidos e proibidos de comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso. A Anvisa informou que os produtos eram comercializados sem registro, notificação ou cadastro na agência e que a empresa não tem autorização de funcionamento para fabricar medicamentos.
Situação semelhante motivou a ação contra a Primenutri Comércio Virtual Ltda. Seis produtos — entre eles Lipodrene, Ostarine, Cardarine e SLU-PP-332 — foram apreendidos e proibidos de comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso. A agência identificou a venda de produtos sem registro, fabricados por empresa desconhecida.
A Segredos da Terra Cristais Ltda. também foi alvo de apreensão e proibição. A medida abrange 36 produtos da linha Greenora, como Cartilagem de Tubarão, Isoflavona, Berberina, Ginkgo Biloba e Passiflora Incarnata. Segundo a Anvisa, a empresa comercializava medicamentos sem registro e não tinha autorização de funcionamento para fabricá-los.
MAYBEN TEM RESTRIÇÃO MANTIDA A mesma resolução também trata da Mayben Pharmaceutical Ltda. A Anvisa revogou a Resolução-RE nº 2.129, de 26 de maio de 2026, que suspendia todos os produtos da empresa, e publicou uma nova medida restrita aos produtos fabricados até 21 de junho de 2026. Em 22 de junho, a Vigilância Sanitária Municipal de Araraquara (SP) confirmou o cumprimento das exigências e emitiu o Auto de Desinterdição nº 100000114166/26.
Permanecem sob restrição os suplementos Aqualev (carboidrato e eletrólitos em pó), Calcioben (cálcio em comprimidos), Calcioben D (cálcio e vitamina D em comprimidos) e as marcas Lactben e Lactulose Nativida (solução à base de lactulose), em todos os lotes fabricados até 21 de junho de 2026.
A inspeção sanitária realizada entre 25 e 26 de maio de 2026 identificou falhas graves nas boas práticas de fabricação, como estrutura física e condições de higienização inadequadas, ausência de controle de temperatura e umidade, equipamentos danificados, matérias-primas vencidas ou deterioradas, fluxo de produção cruzado e uso de embalagens inadequadas para alimentos.
OUTRO LADO Em nota enviada ao Poder360, a Hypofarma informou que está adotando “todas as providências cabíveis” em relação à determinação da Anvisa. Leia a íntegra:
“A Hypofarma informa que está adotando todas as providências cabíveis em relação à Resolução-RE nº 2.600, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determina o recolhimento de lotes específicos do medicamento Cloridrato de Dobutamina 12,5 mg/mL solução injetável, em conformidade com os protocolos regulatórios aplicáveis e em alinhamento com a autoridade sanitária.
“Com 78 anos de atuação no setor farmacêutico, a Hypofarma reafirma seu compromisso com a qualidade de seus produtos, a segurança dos pacientes e a observância dos mais elevados padrões de controle e conformidade.”
O Poder360 procurou as demais empresas por e-mail para perguntar se gostariam de se manifestar sobre as medidas da Anvisa. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso enviem manifestação.
fonte:Poder360



