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Com ruas de pedra desde 1667, essa cidade de 60 ilhas e 300 praias encanta como um Patrimônio da UNESCO e o único fiorde tropical do Brasil

Encravada entre a Serra do Mar e a Costa Verde fluminense, Paraty guarda um casario colonial que a UNESCO chamou de o mais harmonioso do gênero. Fora do centro histórico, o município abre para 300 praias, mais de 60 ilhas e um pedaço raro de Mata Atlântica preservada.

A vila colonial que virou Patrimônio Mundial

Fundada em 1667 como Villa de Nossa Senhora dos Remédios de Parati, a cidade nasceu como porto do ouro que descia de Minas Gerais pelo Caminho do Ouro. Até os anos 1950, só era possível chegar por barco, isolamento que preservou o traçado original.

Em 2019, Paraty e a vizinha Ilha Grande receberam o título de Patrimônio Mundial da UNESCO. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), foi o primeiro bem brasileiro inscrito na categoria de sítio misto, cultural e natural, abrangendo quase 149 mil hectares que incluem o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu.

Encante-se com Paraty, cenário paradisíaco onde história e natureza se unem para emocionar (Crédito: depositphotos.com / xura)

O que fazer em Paraty entre o mar e a serra?

Os passeios se dividem entre o centro histórico de calçamento pé de moleque, as praias acessíveis por barco e as trilhas de serra que sobem em direção à Bocaina. Vale reservar pelo menos quatro dias para não correr.

  • Centro Histórico: 20 ruas de calçamento colonial fechadas para carros, com quatro igrejas do século XVIII e a Igreja de Santa Rita como cartão-postal.
  • Saco do Mamanguá: único fiorde tropical do Brasil, com 33 praias e trilhas até o Pico do Pão de Açúcar de Paraty.
  • Passeio de escuna pela baía: saídas diárias do cais para paradas em ilhas como Ilha Comprida e Lagoa Azul.
  • Praia do Sono e Trindade: praias rústicas acessíveis por trilha, com piscinas naturais na mata.
  • Caminho do Ouro: trecho preservado da estrada colonial em pedras originais do século XVIII, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
  • Alambiques históricos: destilarias como Pedra Branca, Maria Izabel e Coqueiro abrem para visitação e degustação.
  • Cachoeira do Tobogã: pedra lisa transformada em escorregador natural, na estrada Paraty-Cunha.

A capital histórica da cachaça brasileira

Em 1820, Paraty tinha mais de 150 alambiques em operação e produzia acima de 1,2 milhão de litros de cachaça por ano, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O nome da cidade virou sinônimo de aguardente até meados do século XX.

Hoje restam sete alambiques ativos, mas com um selo raro. Em 2007, Paraty tornou-se a primeira região do país a obter Indicação de Procedência para cachaça e, em 2020, evoluiu para Denominação de Origem, sendo até hoje a única cachaça brasileira a reunir as duas modalidades de Indicação Geográfica.

Sabores caiçaras à beira da baía

A cozinha local mistura frutos do mar frescos, receitas caiçaras e influências portuguesas. Paraty integra a Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO desde 2017.

  • Peixe na banana: filé assado enrolado em folha de bananeira, prato caiçara típico.
  • Camarão casadinho: dois camarões grandes empanados servidos juntos, receita de tradição local.
  • Cachaça com jambu: coquetel que combina a aguardente artesanal com a folha amazônica.
  • Bolinho de aipim com carne-seca: petisco onipresente nos botecos do centro histórico.

Como é o clima de Paraty durante o ano?

O clima é tropical úmido, com chuvas frequentes o ano todo e verões bastante úmidos. As temperaturas quase nunca chegam a extremos.

  • Verão (Dez – Fev): Média de 22-31°C. Chuva muito alta. Aproveite as praias e os tradicionais passeios de barco pelas ilhas da região.
  • Outono (Mar – Mai): Média de 18-28°C. Chuva média. Época excelente para explorar as trilhas e visitar os históricos alambiques locais.
  • Inverno (Jun – Ago): Média de 15-24°C. Chuva baixa. O tempo seco é perfeito para caminhar pelo centro histórico e visitar as cachoeiras com segurança.
  • Primavera (Set – Nov): Média de 17-27°C. Chuva média. Clima agradável para explorar o Saco do Mamanguá e percorrer o Caminho do Ouro.

Dica do especialista: O inverno (15°C a 24°C) oferece o clima seco ideal para caminhar sem pressa pelo centro histórico e explorar as cachoeiras com total segurança. Já na primavera, os dias agradáveis são perfeitos para admirar a beleza única do Saco do Mamanguá e percorrer o lendário Caminho do Ouro!

Paraty é um município histórico no Rio de Janeiro famoso por praias, cultura e patrimônio (Crédito: depositphotos.com / dabldy)

Como chegar em Paraty?

A cidade fica na Costa Verde, a cerca de 260 km do Rio de Janeiro e 300 km de São Paulo, no meio do caminho entre as duas capitais. O acesso principal é pela BR-101 (Rio-Santos), inaugurada nos anos 1970 e responsável pela chegada do turismo em massa.

Não há aeroporto comercial na cidade. Os terminais mais próximos são o de Angra dos Reis, o Aeroporto Santos Dumont, no Rio, e o de Guarulhos, em São Paulo, todos com transfers rodoviários e ônibus regulares até o centro histórico.

Vá conhecer Paraty

Poucos lugares no país reúnem casario colonial, floresta primária e um mar de baía calma no mesmo endereço. Paraty é dessas cidades que continuam vivas em vez de virar cenário parado no tempo.

Você precisa reservar alguns dias para caminhar sem pressa pelo pé de moleque e ver por que a UNESCO se apaixonou por esse pedaço da Costa Verde.

Fonte: Correio Braziliense

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