Com 7,5 mil funcionários, CSN é denunciada por falta de testagem em Congonhas; Sindicato aciona o MP

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Barragem da CSN, em Congonhas, é a maior dentro de um centro urbano da América Latina Foto: Sandoval de Souza Pinto Filho/divulgação

Mais de 7 mil pessoas trabalham no local, segundo as informações; a preocupação é de uma explosão de casos de Covid-19 na cidade, que já acumula uma alta de 180% de casos confirmados em 30 dias

Entidades estão preocupadas com uma possível explosão de casos de Covid-19 em Congonhas, região Central do Estado. De acordo com as denúncias, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não estaria testando os cerca de 7,5 mil trabalhadores que atuam na mina Casa da Pedra, localizada na cidade. Há relatos de que funcionários do local já teriam se infectado pela doença causada pelo novo coronavírus.

Barragem da CSN, em Congonhas, é a maior dentro de um centro urbano da América Latina
Foto: Sandoval de Souza Pinto Filho/divulgação

Diretor de meio ambiente e saúde da União de Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccom), Sandoval de Sousa diz que a pressão pela testagem acontece desde o início da pandemia. “Começamos a perguntar e até hoje não há resposta. Já mandamos email para a empresa, um comunicado para o Conselho Municipal de Saúde, temos feito contato com o prefeito também. E não há resposta”, criticou.

Segundo ele, a mina concentra cerca de 7,5 mil trabalhadores, muitos dos quais não são moradores de Congonhas, o que traz risco para que outras cidades sejam afetadas por um possível crescimento de casos de Covid-19. “Muitos trabalhadores se deslocam para cá. A mina é muito grande e não emprega tanta gente de Congonhas”, diz, explicando que muitos trabalhadores são residentes em Conselheiro Lafaiete, Mariana e Ouro Preto, cidades também localizadas na região Central.

A preocupação, de acordo com Sandoval, é de uma explosão de casos na cidade. Segundo os dados dos boletins epidemiológicos da Prefeitura de Congonhas, entre o início de julho e o início de agosto, houve um aumento de 180% nos casos confirmados. Em 1º de julho, eram 92 confirmações para Covid-19, número que saltou para 258 no boletim divulgado neste sábado (1). O número de mortes no período dobrou, passando de dois para quatro óbitos.

Descumprimento judicial

O Sindicato Metabase Inconfidentes, que representa os trabalhadores do setor de mineração na cidade, denuncia também que a CSN estaria descumprindo uma determinação judicial, feita pelo Ministério Público no mês de julho. De acordo com Paulo Nogueira, diretor financeiro do sindicato, entre as determinações que a CSN deveria cumprir é justamente a testagem dos trabalhadores.

“Soubemos de dois casos lá no mês de maio, eles testaram apenas quatro pessoas que tiveram contato com os infectados. Segundo os trabalhadores, há mais casos, mas não temos mais acesso às informações”, explicou. Diante do impasse, a entidade acionou o Ministério Público, que expediu as recomendações a serem cumpridas pela CSN.

Prefeitura diz que não pode exigir testes

O prefeito de Congonhas, José de Freitas Cordeiro (PSDB), afirmou que a gestão não tem competência para exigir que a CSN realize os testes. “Nosso pedido é para que todas as empresas façam o teste, justamente para que se faça o cercamento de todos os trabalhadores e de todas as pessoas. Agora, não podemos exigir o teste da empresa; podemos sugerir”, disse o gestor, em entrevista à rádio Difusora Congonhas FM.

O prefeito destacou que os testes têm que ser feitos pelas autoridades em âmbito federal, estadual e municipal. “O que estamos fazendo junto às empresas é a fiscalização. Nossas equipes têm acompanhado a situação dos ônibus; dentro das empresas, os fiscais estão checando, por exemplo, se os refeitórios estão muito cheios. Essa fiscalização está sendo feita”, explicou.

A reportagem de O TEMPO entrou em contato com a CSN e aguarda um posicionamento da empresa. (O Tempo)