Comunidade do Pires chora mortes e contabiliza vidas ceifadas na linha férrea; o que vale mais a vida ou o mercado?

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Com medo de protesto, MRS reforçou segurança na linha férrea na última segunda-feira/Reprodução

O bairro Pires existe há mais de cem anos. Na década de 90, a ferrovia o dividiu ao meio. Com a grande demanda interna e externa, o tráfego de carretas de minério cresceu assustadoramente. Não há estatística correta sobre o número de mortes, mas moradores arriscam em contar mais de 10 vidas ceifadas nas linhas férreas. A aposentada Dona Terezinha, de 83 anos, perdeu a vida no último domingo, dia 23, quase 3 anos exatos depois da morte do jovem Victor Emídio Matos Gomes, atropelado pelo trem quando voltava da escola para a casa.

Com chegada da ferrovia em 1994, a obrigação legal era de que a MBR (depois a sucedida concessionária MRS) fizesse as passarelas e viaduto já que a comunidade já existia antes da linha férrea. Enquanto vidas são ceifadas em total desrespeito humano, por outro cresce o mercado sedento por aumento ganhos com o crescimento vertiginoso do transporte de minério.

A luta vem de mais de 10 por mais segurança nas travessias. As mortes recentes trazem a tona a discussão e a demora na construção de passarelas e de um viaduto, alvo já de um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público. As desapropriações estão no caminho lento da justiça. Os moradores cobram a instalação de cancelas e seguranças 24 horas nas travessias.

Na segunda feira passada, dia 24, com supostas ameaças de protestos de moradores, a MRS reforçou a seguranças para evitar atos ou paralisações. Mas a comunidade já tão sofrida pela poluição e o descaso vive também o temor e medo de novas tragédias.

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