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ESTAMOS VIVENDO A EXPERIÊNCIA DO EGITO

Avelina Maria Noronha de Almeida                           [email protected]

“Estamos vivendo a experiência do Egito”. Frase que ficou girando em minha mente

 

Pouco antes de vir para o computador escrever este artigo, já com o assunto na cabeça, por coincidência, ligando na Rede Viva, as primeiras palavras que vieram ao meu ouvido foram ditas um padre que encerrava a missa: “Estamos vivendo a experiência do Egito”. Frase que ficou girando em minha mente até que resolvi: vou usá-la no meu artigo.

O que é a experiência do Egito? A que ele se referia? Naturalmente às dez pragas do Egito que ocorreram no tempo de Moisés, narradas no Livro do Êxodo do Antigo Testamento. Foram calamidades que Deus inflingiu aos egípcios para convencer o Faraó a libertar os hebreus que estavam sendo escravizados naquele país. A relação que desejo fazer é com a quarta praga assim narrada: moscas escurecem o ar e atacam homens e animais. E o Egito ficou infestado de moscas.

Será que a crise trazida pelos Aedes Egyptis é um castigo porque não estamos gerindo com sabedoria, honestidade e responsabilidade a vida dos seres humanos e a qualidade do meio ambiente?

A caminho do computador, vi um jornal que acabara de chegar e li a manchete: “Minas registra 54 novos casos suspeitos de dengue por hora”. E mais adiante dizia que o número de gestantes infectadas dobrou em uma semana, chegando a 30 no Estado. No dia anterior fiquei impressionada com outra notícia que dizia estarem os médicos suspeitando que o avanço da síndrome de Guillain-Barré esteja ligado à chegado do Zica Vírus em Minas e a preocupação deles tem sentido pois, como noticia a seguir, no ano passado 223 pessoas foram internadas no Estado internadas com a terrível síndrome acima citada. O vírus Zica, assim como a dengue da febre chikungunya são também transmitidas pelo Aedes.

Felizmente, autoridades internacionais estão considerando essas doenças uma emergência da saúde pública mundial. Tenho visto imagens pela televisão nas quais constatamos que campanhas e ações estão sendo postas em ação também no Brasil. Graças a Deus estão levando a sério a terrível ameaça!

E, vendo as imagens, lembrei-me do passado. Década de quarenta. Eu, menininha, debruçada no lindo e delicado murinho branco com quadradinhos furados na frente de minha casa, localizada no alto de um barranco, perto da Praça José Ferreira. Do murinho, eu via a rua ao lado do solar dos Baeta Neves, que ficava onde há um estacionamento que era do antigo SuperComaz e hoje é do Supermercado Dia. Naquele tempo, havia a visita, a todas as residências, de homens com seu uniforme caqui, que faziam a inspecção periódica nos quintais. Traziam consigo as bombas de flit, que aspergiam onde houvesse necessidade. Multavam os moradores quando achavam lugares sujos e com recipientes que acumulavam água das chuvas. Um dia desapareceram, talvez porque o trabalho deles foi tão eficiente que se tornaram desnecessários.

Como estava contando, gostava de ficar no murinho apreciando o pequeno movimento da rua e, quando via os mata-mosquitos aparecendo lá no beco, saía correndo para avisar a Geórgia, que cuidava da casa e tomava conta de mim. Corríamos para o jardim, depois para o quintal e limpávamos tudo. Recolhíamos qualquer sujeira, tampas de garrafas, tubos de dentifrício, papéis, qualquer coisa que não fora jogada corretamente no lixo. Depois varríamos tudo bem varridinho. Como antes passavam por casas que havia no caminho, tínhamos tempo para fazer isso e, quando chegavam na minha casa, achavam tudo nos conformes.

Pelo que tenho visto, a campanha de combate ao Aedes está empenhada nas atividades antigamente desenvolvidas pelos mata-mosquitos. Que o sucesso dessa campanha venha depressa para bem da população. E que cada um de nós contribua com sua parte, colaborando com os “mata-mosquitos” atuais, cuidando bem da limpeza a nosso redor.

 A situação está difícil, mas com coragem, boa vontade e responsabilidade o Brasil vai vencer mais este desafio.