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terça-feira, 27 julho 2021
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Mulher liga para a polícia pedindo açaí para denunciar violência doméstica

Mais uma vez, um pedido de socorro disfarçado fez com que uma mulher fosse salva de uma situação de violência doméstica no Brasil. Desta vez, uma vítima ligou para a Brigada Militar do Rio Grande do Sul simulando o pedido de um açaí, para denunciar a violência provocada pelo seu companheiro, no início deste mês, em Porto Alegre.

Em pouco tempo, o soldado que atendeu a ligação percebeu que se tratava de um pedido de ajuda, assim como aconteceu quando uma mulher fingiu pedir uma pizza em Andradina, no interior de São Paulo, no fim de maio deste ano (leia mais abaixo). O soldado Danilo Garcia, que atendeu o telefonema, acredita que a vítima de Porto Alegre possa ter visto a repercussão do caso e se inspirado na ligação para pedir ajuda.

No áudio da ligação, disponibilizado pela Secretaria de Segurança Pública, é possível ouvir a mulher pedindo um açaí assim que o soldado na linha atende. Sem entender direito a princípio, ele explica que o número é da polícia. “Eu sei… Alô, queria um açaí”, diz a mulher (veja a íntegra do diálogo abaixo).

O militar então percebe do que se trata e questiona: “Está ocorrendo alguma coisa aí, senhora?”. A mulher confirma e volta a pedir um açaí. “A senhora está sendo agredida?”, questiona o atendente, que ouve novamente a mesma resposta: “Sim, eu queria um açaí”. O PM então consegue mobilizar uma equipe para prestar socorro à mulher.

Atendimento raro

Ao BHAZ, o soldado da Central de Atendimento do Departamento de Comando de Controle Integrado de Porto Alegre conta que, primeiro, fez alguns questionamentos para se certificar de que a ligação não era engano. “Perguntei se ela tinha sido agredida, e ela disse que sim. Nessa hora, deu para ouvir que tinha alguém perto dela, e ela começou a xingar o homem”, explica.

“Quando eles tiveram esse atrito, parei de questionar sobre a agressão e já pedi o endereço. Ela informou, como se fosse para a entrega do açaí, e eu mandei para a área responsável”, completa Danilo Garcia.

O policial conta que, em 3 anos trabalhando na central, nunca havia visto um pedido de socorro “em código” como esse. “É bem raro. Acho que a repercussão do caso do interior de São Paulo influenciou na decisão dela de chamar a polícia, e no jeito de pedir essa ajuda”, finaliza.

Preso, mas solto

De acordo com a RBS TV, os policiais chegaram ao local pouco tempo depois da ligação e o agressor foi preso em flagrante. A vítima relatou que tinha sofrido empurrões e tapas. “Não houve desdobramentos mais graves porque, justamente, ela teve iniciativa de recorrer e solicitar atendimento no primeiro estágio de violência doméstica”, explicou a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, da Delegacia da Mulher de Porto Alegre, à emissora.

Segundo a Polícia Civil, o homem já tinha histórico de agressão, mas foi solto. A mulher entrou com uma medida protetiva contra ele e, de acordo com a delegada, está em segurança. “Nossa equipe entrou em contato para orientar que caso tenha uma nova ameaça ou caso haja um descumprimento dessa medida protetiva, que ela procure a polícia para que a gente faça a prisão em flagrante ou represente pela prisão preventiva do agressor”, contou.

“Em briga de marido e mulher, a gente mete a colher, a gente mete a polícia, porque temos que intervir para evitar que as mulheres morram em razão da nossa inércia, do nosso silêncio. Então, nós estamos preparados para acolher, para intervir”, finalizou a delegada.

Pedido de pizza

No interior de São Paulo, uma mulher de 54 anos simulou um pedido de pizza para denunciar a situação de violência, no dia 27 de maio. O soldado que atendeu a ligação entendeu que aquilo era um pedido de socorro acionou as viaturas para que fossem até casa da mulher, e foi confirmado que a solicitante vinha sendo agredida constantemente pelo companheiro, de 57, com ofensas verbais. As informações são do UOL.

Em conversa com os militares, a mulher contou que o esposo ficou preso por 20 anos. Após sair da cadeia, voltou para o convívio da família, mas desde então sempre xingava e ofendia a companheira. No dia da denúncia, ele ameaçou matá-la e disse que se não conseguisse iria executar os filhos dela.

Onde conseguir ajuda?

Caso você seja vítima ou conheça alguém que precise de ajuda, pode fazer denúncias pelos números 181, 197 ou 190. Além deles, veja alguns outros mecanismos de denúncia em Minas Gerais:

Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher: av. Barbacena, 288, Barro Preto | Telefones: 181 ou 197 ou 190

Casa de Referência Tina Martins: r. Paraíba, 641, Santa Efigênia | 3658-9221

Nudem (Núcleo de Defesa da Mulher): r. Araguari, 210, 5º Andar, Barro Preto | 2010-3171

Casa Benvinda – Centro de Apoio à Mulher: r. Hermilo Alves, 34, Santa Tereza | 3277-4380

Ponto de Acolhimento e Orientação à Mulher em Situação de Violência: avenida dos Andradas, 3.100, no Núcleo de Cidadania da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Aplicativo MG Mulher: Disponível para download gratuito nos sistemas iOS e Android, o app indica à vítima endereços e telefones dos equipamentos mais próximos de sua localização, que podem auxiliá-la em caso de emergência. O app permite também a criação de uma rede colaborativa de contatos confiáveis que ela pode acionar de forma rápida caso sinta que está em perigo.

Seja qual for o dispositivo mais acessível, as autoridades reforçam o recado: peça ajuda.

Diálogo na íntegra:

Atendente: Bom dia, Soldado Garcia, qual sua emergência?
Vítima: Queria um açaí.
Atendente: Não entendi
Vítima: Ah, eu queria um açaí
Atendente: A senhora ligou pro 190, para a Brigada Militar
Vítima: Eu sei… Alô, queria um açaí…
Atendente: Mas tá ocorrendo alguma coisa aí, senhora?
Vítima: Sim, eu queria um açaí
Atendente: A senhora tá sendo agredida?
Vítima: Sim, eu queria um açaí, moço…
Atendente: Qual o seu endereço?
Vítima: [responde]
Atendente: Qual o seu nome?
Vítima: [responde]
Atendente: Vou informar ao batalhão da área, tá bom?
Vítima: Tá, obrigada

FONTE BHAZ

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