Museu de Congonhas inaugura projeto “Roteiro das Minas”

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Roteiro de Minas - arte30

Na próxima terça, dia 26, às 20h, será inaugurado um projeto inédito no Museu de Congonhas. Trata-se do “Roteiro das Minas“, que vai recuperar em encontros musicais, cênicos e poéticos ao longo do ano, a atmosfera da passagem dos modernistas em Minas Gerais. Aquele momento foi crucial para a reviravolta da valorização do patrimônio cultural de Congonhas e de outras cidades históricas mineiras.

A leitura de poemas na noite de abertura do Roteiro das Minas, terça dia 26 de abril, no Teatro de Arena do Museu de Congonhas, conta com a participação dos atores Gabriel Braga Nunes e Vera Zimmermann, da poeta e compositora Beatriz Azevedo (que assina a curadoria do evento), e do cantor e compositor Vinicius Cantuária.

O roteiro da Abertura abarca a série de textos publicados por Oswald de Andrade sob o título de “Roteiro das Minas”, relatando a viagem dos Modernistas a Minas Gerais.  Os atores interpretarão também trechos do Manifesto Pau Brasil (1924, mesma data da viagem dos Modernistas a Minas) e do Manifesto Antropófago (1928). O Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão também será interpretado, dentro do contexto de procedimento antropofágico de Oswald de Andrade ao se apropriar do texto bíblico para fazer o pedido de casamento à sua última musa, Maria Antonieta D’alkimim, com quem ficou casado até o fim dos seus dias.  Com Amor e Humor, Oswald acrescentou um tom erótico ao agregar a flauta e o violão ao original bíblico.

Todo esse repertório poético será também recriado no universo musical, tanto com intervenções experimentais da guitarra de Vinícius Cantuária, tanto em canções interpretadas pelos artistas, compostas por Beatriz a partir de poemas dos Modernistas, com destaque para Raul Bopp, Pagu e Oswald de Andrade.   A noite de abertura conta ainda com o pocket show de Vinícius Cantuária que, no mote do Amor, Humor Oswaldiano, cantará alguns de suas composições mais marcantes, como Lua e Estrela (gravada por Cantuária e Caetano Veloso), e muitas canções criadas em parceria com Gilberto Gil, Chico Buarque, David Byrne, e outros.

Durante parte do século XIX e início do século XX, muitos viajantes estrangeiros, assim como escritores e intelectuais brasileiros, registraram impressões de desapreço em relação ao Conjunto do Santuário, identificando as obras de Aleijadinho como malfeitas e de gosto duvidoso. A percepção do Conjunto do Santuário como expressão legítima da cultura e da arte foi resultado de mudanças de sensibilidade, a partir dos anos 1910 e 1920. Concorreu para isso a viagem realizada a Minas Gerais, em 1924, por artistas e intelectuais modernistas. O grupo, que contava com os paulistas Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, percorreu as cidades coloniais mineiras, entre as quais Congonhas, em um tour de reconhecimento do legado artístico e cultural do passado, que marcou o processo de transformação do acervo do Santuário em Patrimônio Nacional.

 Partindo desse marco histórico, quando a proposição de Oswald de Andrade, “ver com olhos livres” teve aplicacão prática e efetiva no reconhecimento do valor artístico do patrimônio de Congonhas, apresentamos o projeto Roteiro das Minas no Museu de Congonhas, que procura aprofundar esse olhar com o suporte conceitual da Antropofagia, em atividades diversas, incluindo oficinas, workshops, lançamento de livro, debates e apresentações artísticas no espaço do Museu de Congonhas. O evento é uma realização da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Congonhas (FUMCULT), com curadoria da carioca Beatriz Azevedo.

      Desdobramento natural do Modernismo, a Antropofagia surgiu logo após a Semana de Arte Moderna e a Viagem dos Modernistas a Minas Gerais, que provocou profundas transformações, tanto no trabalho dos artistas paulistas, como no cenário cultural brasileiro, que passou a valorizar a imensa contribuição de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e do Santuário de Congonhas.

SERVIÇO

ROTEIRO DAS MINAS

Performance poética e musical com os atores Gabriel Braga Nunes e Vera Zimmermann, a poeta e compositora Beatriz Azevedo e o cantor e compositor Vinicius Cantuária.

Dia 26, às 20h, no Museu de Congonhas (Alameda Cidade de Matosinhos de Portugal, 77, Basílica). Informações: 31 3731-3979.

Programação Completa:

Abril

Dia 26 – Encontro e Leitura de Poemas com atores Gabriel Braga Nunes e Vera Zimmermann, a poeta e compositora Beatriz Azevedo e o cantor e compositor Vinicius Cantuária

Maio

Dias 24 e 25

Oficinas + encontro com Zé Celso Martinez Correa + Lançamento do Livro Antropofagia

Junho

Dias 21 e 22

Oficinas + Show antroPOPhagia com Beatriz Azevedo e participação especial de Zélia Duncan

Julho

Dias 19 e 20

Oficinas + Show Paulinho Moska ou Zé Miguel Wisnik

Agosto

Dias 23 e 24

Oficinas + Show com João Bosco