26 de abril de 2024 22:49

Poeta lafaietense faz réquiem para Rio Bananeiras

O poeta, escritor e cronista lafaietense, Jair Dias da Silva Filho/Reprodução

O poeta gosta de brincar com as palavras, mas através delas expressa, com sarcasmo, suas angústias e alegrias, sem contudo ludibriar a realidade. O poeta, escritor e cronista lafaietense, Jair Dias da Silva Filho, não escondeu sua revolta e tristeza em torno da penúria por passa o Rio Bananeiras e denunciou em versos sua situação. Sucumbindo ao esgoto, ao abandono e a todo tipo de descaso e poluição, ele corre, quase como filete d’água.

Para manifestar sua dor diante de tamanha tragédia, Jair chama a atenção e lança seu olhar ao rio que faz parte da história de Lafaiete e resiste aos atentados diários e mesmo assim abastece a cidade.  O poema, que toma emprestado a letra do Hino Nacional Brasileiro, foi escrito em 2014. A vida se sucumbe e resiste, apesar da esperança. O cenário de tristeza enriquece a visão do poeta. “Sugiro que cantemos o hino que fiz a letra aproveitando a música do nosso glorioso Hino Nacional com todo respeito que lhe é merecido”, afirmou Jair.

HINO AO BANANEIRAS

Ouviram do Bananeiras às margens imundas,
De um povo porco, o lamento retumbante,
E a sujeira que está em grande quantidade,
Flutua na superfície a todo instante.
Se o fedor dessa maldade
Conseguimos respirar e muito forte,
Em teu leito, ó piedade,
Dia a dia espelhando a tua morte!
O rio amado,
Envenenado,
Salvem, salvem!
Bananeiras, um pesadelo, um rio morto
Sem amor, sem esperança, só fenece,
Se em teu medonho leito é puro esgoto,
A imagem do descaso resplandece.
Apequenado por tamanha malvadeza,
És feio, és raso, fétido, horroroso,
Do teu passado não há mais beleza.
Rio poluído,
Entre outros mil,
És tu Bananeiras,
Tão destruído.
Dos filhos desta urbe és lixeira,
Ó rio amado,
A morrer.
Correndo eternamente em total pernície,
Ao sabor do puro lixo, moribundo,
Fulguras ó Bananeiras com a imundície,
Transformado em verdadeiro nauseabundo!
Do teu fundo, lama fedida,
Teus tristonhos sujos poços, maus odores;
As tuas águas tão decaídas,
Tuas margens é um circo de horrores.
Ó rio amado,
Envenenado,
Salvem, Salvem!
Bananeira de águas límpidas seja símbolo
O estado que exibes é inominado,
E diga o verde lodo desse desastre
Seco no futuro e água no passado.
Mas se clamas ao Divino e reza forte,
Pedindo por favor que não te matem,
Evitando por piedade a sua morte.
Rio poluído,
Entre outros mil,
És tu Bananeiras,
Tão destruído!
Dos filhos desta urbe és lixeira,
Ó rio amado,
A morrer.

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