Urbanicidade – O ano perdido

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“Ano perdido” é uma expressão ou um termo que significa em economia ou política, um retrocesso. Que nesse caso significa que ganhos auferidos anteriormente foram engolidos por perdas, gerando um resultado, ou uma perspectiva, negativa. Vale tanto para política quanto para a economia. Por exemplo, “Mercado Já Reconhece Que 2017 Será Um Ano Perdido”, (aqui).

Eu, particularmente, não gosto de admitir que perdi um ano de minha vida, afinal comemorei mais uma primavera normalmente. Discretamente, como sempre, mas não tive como escapar de ficar um ano mais velho. Ou mais sábio, como preferem sabiamente alguns.

Mas sem sombra de dúvida este ano que se passou de uma maneira mais turbulenta do que o normal, trouxe uma enorme necessidade de reflexões profundas, principalmente sobre como nos comportamos como um coletivo, com uma sociedade, como cidadãos, como um povo, enfim, como uma Nação. Sociedade pachorra.

Falo por todos nós. Não quero aqui entrar nas sempre desinteressantes discussões ideológicas, partidárias ou afins, mas o que mais me incomoda é a completa falta de noção de como nos comportamos verdadeiramente como um povo sob uma mesma bandeira.

Sim, pois a começar pelo nosso dia a dia, mas até nas grandes discussões nacionais, é inadmissível aceitar tamanhas mudanças na formatação do Estado brasileiro sem nenhuma discussão mais ampla, aliás, sem qualquer debate a respeito. Rápida como um raio.

Aposentadoria, trabalho, privatização, saúde, educação são assuntos para serem exaustivamente debatidos antes de se alterar uma mínima linha e não é isso que está acontecendo no olimpo de Brasília no momento. Lamentável!

Afinal, se algo não funcionar daqui a 10, 20 anos, não tenho como recuperar o tempo perdido. A quem reclamar aquele “ano perdido”?

São decisões que alteram completamente o rumo de muitas vidas, algumas lançadas a catástrofes que as tornarão irremediavelmente comprometidas. Ou até ….  perdidas.

Me faz lembrar o então ministro Delfim que dizia que tínhamos que esperar o bolo crescer para depois dividi-lo. E o que aconteceu? Adivinhem…

Não teve nem crescimento (normalmente só vale se alcançar o infinito), nem bolo, e ainda a padaria sumiu….

Um amigo meu (brasileiro) postou recentemente nas redes sociais que se isso acontecesse no Canadá (onde ele mora) estourava uma guerra civil na mesma hora. Aonde já se viu? É bonito? Não sei, mas aceitar que um bando me jogue no buraco com a desculpa de que meu país não tem dinheiro para me garantir saúde, educação e velhice, e que daqui a 20 ou 40 anos as coisas vão melhorar….  é o FIM!

Por: Paulo Sarmento

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