Urbanicidade – Rios invisíveis

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Aproveitei o feriado e, dentre outras atividades, peguei um livro para ler. Uma leitura é uma viagem impressionante, todo mundo sabe disso. Desta feita o livro é “RIOS INVISÍVEIS DA METRÓPOLE MINEIRA”, do geógrafo mineiro formado na PUC-Minas, Alessandro Borsagli. Edição do autor.

A temática do livro é a criminosa, digamos assim, canalização dos córregos urbanos em detrimento a um propalado “progressismo”, onde se privilegia o asfalto e a verticalização, escondendo vitais cursos d`água e, agora sim, criminosamente utilizando-os como esgoto de nossas crescentes cidades. Seja ela grande, média ou pequena. No caso do livro, Belo Horizonte.

Alessandro Borsagli começa sua dissertação desde os estudos iniciais para a instalação e construção da Nova Capital, pela Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC), por volta de 1895, e vem até os dias de hoje. Ele consegue complementar paralelamente à história de Belo Horizonte, todo o processo de canalização dos inúmeros córregos e rios que cortavam o vale escolhido para a construção da capital de Minas.

As consequências imediatas desta obsoleta forma de assentamento urbano são a morte dos cursos d`água, inviabilizando-os para o consumo, lazer e embelezamento, e a criação de locais propícios a enchentes catastróficas, com seus prejuízos materiais enormes e mortes inerentes.

Todo mundo sabe de que estamos falando.

Para nós, que alcançamos o século XXI, é obrigatório um posicionamento mais positivo perante a natureza, principalmente quanto à sua biodiversidade, com suas florestas e suas águas. Sem esse imediato posicionamento aos essenciais condicionantes que sustentam a vida no Planeta Terra, o futuro pode se tornar uma deslavada encrenca. Sem nenhum trocadilho.

É impressionante o patamar tecnológico alcançado pela humanidade no presente momento e ao mesmo tempo é inconcebível o desprezo pelo milenar processo que nos garante a vida. Sem a biodiversidade e sem a água, tudo isso será em vão. Vai tudo para o esgoto. Literalmente.

Não tenham nenhuma dúvida. Já estamos matando nossos netos.

Também fica claro na leitura do livro de como nosso processo evolutivo (e a formação da capital mineira e de seu povo é um bom exemplo disso) com seu formato democrático altamente centralizador e verticalizado distancia sua população das discussões e decisões que influenciam e determinam suas próprias vidas.

Com praticamente todo o custo, direcionamento de recursos públicos e altos salários “presos” nos três poderes encastelados em Brasília, não nos sobra quase nada para fazermos para assumirmos nossos destinos. A instancia mais próxima, a gestão do município, torna-se um exercício de enganação de alta potência, independente da boa vontade e competência de seus gestores.

Coroando tudo isso, temos um sistema eleitoral e partidário medieval, possível somente nos povos sem um mínimo de consciência coletiva.

Esta é a formulação mais simples de como é um país de terceiro mundo ou, como a grande mídia chama, de um país “em desenvolvimento”. Simples assim.

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