Uma fábrica ligada a uma multinacional presente em dezenas de países vai encerrar sua produção no Brasil e mudar o papel de uma unidade histórica instalada em São Paulo. A decisão marca o fim de uma atividade industrial que funcionava há décadas e atinge diretamente trabalhadores, prestadores de serviço e moradores do entorno.
A unidade pertence à Isover, marca do Grupo Saint-Gobain, uma gigante internacional do setor de materiais para construção e isolamento. A empresa atua em 39 países, reúne mais de 12 mil funcionários somente no Brasil e mantém dezenas de fábricas espalhadas pelo mundo. No Brasil, a mudança envolve a fábrica de Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, que produz lã de vidro para isolamento térmico e acústico.
Cronograma de encerramento
A decisão faz parte de um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O cronograma prevê:
- 4 de julho de 2026: Encerramento da fabricação de lã de vidro na unidade.
- 31 de julho de 2026: Desligamento do forno de fusão de vidro, principal ponto da discussão ambiental.
A mudança não significa a saída da Isover do Brasil. O espaço deixará de operar como indústria e passará a atuar como um centro de distribuição da companhia. Contudo, a decisão encerra uma longa trajetória industrial em Santo Amaro, impactando a rotina da região.
Impacto social e ambiental
O fechamento da atividade industrial deve afetar mais de 100 famílias de trabalhadores diretos, além de profissionais indiretos, como fornecedores e transportadores. A empresa informou que usará o período previsto no acordo para reduzir os impactos sociais da mudança.
O fim da produção ocorre após anos de reclamações de moradores da região, que relatavam incômodos com fumaça, cheiro forte e ruídos. A pressão da comunidade, que incluiu petições à Cetesb e acompanhamento do Ministério Público, intensificou-se a partir de 2023.
A Isover declarou em nota que sempre operou em conformidade com a legislação e que adotou um Plano de Melhoria Ambiental, incluindo investimentos em isolamento acústico e tecnologias para redução de emissões. Além da desativação das linhas de produção, a empresa deverá cumprir obrigações relacionadas à gestão de áreas contaminadas e tratamento de resíduos.
Fonte: Portal Tempo Novo



