Conjunto de alimentos mais caro foi identificado na capital paulista, que vende item por R$ 965,47, valor 9,37% mais alto que junho de 2025
Valor médio da cesta básica aumentou 8,69% nas 27 capitais brasileiras em junho na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Divulgação/ONG Ação da Cidadania
A percepção de que metade do salário é consumido apenas com alimentação deixou de ser impressão e passou a refletir a realidade de muitos brasileiros.
Principal indicador da inflação no Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 3,82% nos preços de Alimentos e Bebidas nos últimos 12 meses, o que também foi sentido no custo da cesta básica.
O valor médio do conjunto aumentou 8,69% nas 27 capitais brasileiras em junho na comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 779,95, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Na prática, isso significa que a cesta básica consome, em média, 52,02% do salário-mínimo líquido. Para adquiri-la, um trabalhador precisa dedicar 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês, considerando uma jornada de oito horas diárias em escala 5×2.
Com base nesses dados, Conab e Dieese estimam que o salário mínimo necessário para garantir a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92 — cerca de cinco vezes o piso nacional atual de R$ 1.621.
O valor supera não apenas o mínimo vigente, mas também o rendimento médio nacional apurado pela última Pnad Contínua do IBGE, que é de R$ 3.726. Ou seja, o trabalhador recebe, em média, quase R$ 4,4 mil a menos do que o salário mínimo considerado necessário pelas duas instituições.
Panorama nas Capitais
- Mais cara: Em junho de 2026, São Paulo registrou a cesta básica mais cara do país, chegando a R$ 965,47 (alta de 9,37% em 12 meses). Na capital paulista, a cesta consome 64,39% do salário mínimo líquido e exige 131 horas e 2 minutos de trabalho.
- Maior alta percentual: Cuiabá (MT) lidera com aumento de 14,71% nos últimos 12 meses, com a cesta a R$ 937,93.
- Queda no período: São Luís (MA) foi a única capital a registrar queda, com recuo de 0,09% e custo médio de R$ 654,73.
- Mais barata: Aracaju (SE) manteve a cesta mais barata do país (R$ 630,40), exigindo 85 horas e 34 minutos de trabalho — quase 45 horas a menos do que em São Paulo.
Ranking de Horas Trabalhadas para Adquirir a Cesta Básica
- São Paulo (SP): 131 horas e 2 minutos
- Cuiabá (MT): 127 horas e 17 minutos
- Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos
- Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos
- Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos
- Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos
- Vitória (ES): 114 horas e 33 minutos
- Curitiba (PR): 114 horas e 23 minutos
- Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos
- Fortaleza (PE): 111 horas e 37 minutos
- Goiânia (GO): 111 horas e 27 minutos
- Brasília (DF): 108 horas e 41 minutos
- Palmas (TO): 107 horas e 15 minutos
- Belém (PA): 103 horas e 4 minutos
- Boa Vista (RR): 102 horas e 13 minutos
- Teresina (PI): 100 horas e 6 minutos
- Manaus (AM): 99 horas e 28 minutos
- Macapá (AP): 97 horas e 22 minutos
- Rio Branco (AC): 95 horas e 35 minutos
- Recife (CE): 95 horas e 5 minutos
- Porto Velho (RO): 94 horas e 44 minutos
- Salvador (BA): 94 horas e 29 minutos
- João Pessoa (PB): 93 horas e 38 minutos
- Natal (RN): 93 horas e 7 minutos
- Maceió (AL): 91 horas e 7 minutos
- São Luís (MA): 88 horas e 52 minutos
- Aracaju (SE): 85 horas e 34 minutos
Variação Mês a Mês
Na relação entre maio e junho, o preço do conjunto de alimentos diminuiu em 10 capitais e aumentou em 17.
- Maiores altas: Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,2%) e Porto Alegre (2,18%).
- Quedas: Das 10 capitais que registraram recuo, 7 ficam na região Nordeste.
fonte: CNN Brasil



