ALT TEXT: Painel comparando acesso à internet, TV por assinatura e uso de aplicativos em domicílios brasileiros
Quem circula por Conselheiro Lafaiete, Congonhas ou Ouro Branco no fim da tarde percebe um detalhe que dez anos atrás seria estranho: boa parte do lazer da região acontece em telas de cinco polegadas, na fila do banco, no ponto de ônibus ou na sala de casa. O entretenimento digital deixou de ser assunto de capital e virou rotina do interior mineiro.
Os dados do IBGE confirmam a impressão. Segundo o módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação da PNAD Contínua, divulgado em julho de 2026, a internet já era utilizada em 95% dos domicílios brasileiros em 2025, o equivalente a 76 milhões de casas. A proporção de usuários entre pessoas de 10 anos ou mais passou de 90% pela primeira vez, chegando a 90,5%.
Com quase todo mundo conectado, a pergunta deixou de ser quem tem acesso e passou a ser o que se faz com ele. E, quando o assunto envolve dinheiro, a dúvida que aparece é prática: quais critérios ajudam a comparar sites de apostas? A resposta, como veremos adiante, tem menos a ver com propaganda e mais com documentação.
O retrato de 2026 em quatro números
| Indicador (IBGE, PNAD TIC 2025) | Situação |
| Domicílios com internet | 95,0%, ou 76 milhões de casas |
| Diferença entre área urbana e rural | 95,8% contra 88,0%, ante 41,5 pontos de diferença em 2016 |
| Pessoas de 10 anos ou mais que usam internet | 90,5% |
| Domicílios com TV por assinatura | 23,5%, queda de 0,8 ponto em um ano |
A leitura mais interessante está na terceira e na quarta linhas. Enquanto o acesso individual cresce, o serviço de TV por assinatura encolhe ano após ano. O consumo não diminuiu, apenas trocou de endereço: saiu do pacote fechado com centenas de canais e migrou para assinaturas avulsas, vídeos sob demanda e aplicativos.

A redução da distância entre campo e cidade também merece nota. Em 2016, a diferença entre domicílios urbanos e rurais com internet passava de 41 pontos percentuais. Em 2025, caiu para 7,8 pontos. Para uma região como a nossa, com muitos distritos e comunidades afastadas do centro, esse é o número que explica por que o hábito digital deixou de ser privilégio de quem mora perto da praça.
Streaming, games e o pagamento que virou padrão
O entretenimento digital regional se divide hoje em três blocos bem definidos: vídeo sob demanda, jogos e plataformas de apostas regulamentadas. Os três têm em comum a forma de cobrança, que abandonou o boleto e o carnê e passou a depender de transferência instantânea.
Esse ponto tem consequência direta no bolso. Como o Correio de Minas já mostrou, o Pix acelerou a substituição do dinheiro em papel no país, com adesão bem menor entre pessoas acima de 60 anos, faixa que ainda resiste por receio de golpes. Ou seja, o mesmo mecanismo que facilita assinar um serviço também cria um degrau de exclusão para parte dos moradores mais velhos, e vale ter isso em mente antes de tratar a digitalização como avanço automático.
O capítulo regulado: como separar plataforma legal de irregular
Desde 1º de janeiro de 2025, apostas de quota fixa e jogos on-line só podem operar no Brasil com autorização federal, conforme a Lei nº 14.790/2023 e a regulamentação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Essa mudança criou algo que não existia antes: uma lista pública contra a qual qualquer pessoa pode conferir o que está na tela do celular.
Antes de criar conta em qualquer plataforma, cinco verificações resolvem a maior parte das dúvidas:
- O endereço do site termina em .bet.br, domínio reservado às empresas autorizadas
- O rodapé traz razão social, CNPJ e o número da portaria de autorização da SPA/MF
- A empresa aparece na lista oficial de autorizadas publicada pelo Ministério da Fazenda no portal gov.br
- Os depósitos só são aceitos por Pix, TED ou cartão de débito, sempre a partir de conta no nome do próprio usuário, como determina a Portaria SPA/MF nº 615/2024
- A plataforma exibe ferramentas de jogo responsável e o aviso de idade mínima de 18 anos
Vale insistir em um detalhe do quarto item, porque ele derruba boa parte das fraudes: a norma proíbe depósito em dinheiro, boleto, cheque, cartão de crédito, criptoativos e transferências de terceiros. Se um site aceita qualquer uma dessas formas, ele está fora das regras, independentemente do que anuncie. O mesmo vale para pedidos de Pix para contas de pessoas físicas, prática comum em golpes que se apresentam como plataformas de jogo.
O que observar daqui para frente
Três movimentos devem marcar os próximos meses. O primeiro é a discussão sobre limites de publicidade e patrocínio do setor de apostas, que segue em tramitação no Congresso e pode mudar o volume de anúncios que chega ao público. O segundo é a continuidade da queda da TV por assinatura, que empurra emissoras e produtores locais para plataformas digitais e redes sociais. O terceiro é a inclusão dos mais velhos, que hoje representam o principal grupo fora dessa transição.
Para o consumidor da região, a orientação prática é a mesma em qualquer um dos três blocos: verificar antes de cadastrar, desconfiar de oferta que chega por mensagem não solicitada e conferir se a empresa por trás do aplicativo tem CNPJ, endereço e registro público. Entretenimento digital ficou barato e acessível, mas continua sendo uma relação de consumo, com todos os direitos e cuidados que ela exige.



