Avelina Maria Noronha de Almeida
“A história é émula do tempo, repositório dos fatos,testemunha
do passado, exemplo do presente, advertência do futuro.”
MIGUEL DE CERVANTES
Continuamos, depois de uma interrupção, a focalizar a HISTÓRIA de nossa cidade.
Imagens da Internet
A última foto é de uma pintura de Johann Moritz Rugendas.
1681 – A primeira notícia que se tem sobre nossas origens vem de Saint-Adolphe, segundo o qual, em 1681, uma bandeira paulista viu, nos contrafortes da Mantiqueira, um aldeamento estável de garimpeiros que mineravam na Serra do Deus te Livre (Serra de Ouro Branco) e de índios carijós. Penso que esse aldeamento se localizaria nas proximidades de onde é hoje a igreja de Passagem e da povoação de Casa Branca, que ficava no caminho dos bandeirantes.queles homens que garimpavam na serra de Ouro Branco, devido ao medo de índios perigosos, dizem outros por medo de assaltos por parte de quilombolas, pernoitavam junto aos carijós. Assim nasceu o vilarejo. Os bandeirantes, que sempre traziam imagens nas expedições, ajudados pelos índios, levantaram uma ermida de madeira ou cercada de esteiras e coberta com folhas de colmo, com a invocação de Nossa Senhora da Conceição, a qual, algum tempo depois, teria sido substituída por uma igrejinha de pau-a-pique.
Pe. José Duarte de Souza Albuquerque focaliza o assunto no excelente trabalho inédito “SUBSÍDIOS DE PESQUISAS FEITAS NO ARQUIVO PAROQUIAL E NO FÓRUM DE CONSELHEIRO LAFAIETE, NA CÂMARA ECLESIÁSTICA DE MARIANA, NO ARQUIVO MINEIRO E NO MUSEU DE SÃO JOÃO DEL REI, PARA A FUTURA HISTÓRIA DA PARÓQUIA DO MUNICÍPIO DE CONSELHEIRO LAFAIETE. Em minha opinião, tal igrejinha teria sido erigida onde mais tarde, já em meados do século XVIII, erigiu-se a igreja da Passagem ou nas proximidades do templo, ou então para os lados do povoado de Casa Branca. Talvez haja algum documento esclarecedor na Cúria do Rio de Janeiro, pois Carijós, naquela época, fazia parte do bispado do Rio de Janeiro, em Mariana ou Ouro Preto, pois Carijós fez parte de uma divisão regional sediada em Villa Rica. Disse o jornalista Quincas de Almeida que havia um documento sobre a primitiva igreja em um baú na Fazenda dos Macacos.
Prosseguindo o relato sobre os antigos bandeirantes que se tornaram mineradores, consta que eles mantinham relações de amizade com os índios carijós, que já tinham vindo catequizados do litoral
Por volta de 1690 – Bandeirantes que desbravavam o sertão à cata de ouro, ao alcançar o local onde a tribo dos carijós se instalara, ali estabeleceram um ponto de parada, com rancho e fixação de alguns homens para fazerem plantações que abastecessem as bandeiras; além disso, seria pouso para os viajantes e entreposto de mercadorias. O arraial era passagem obrigatória para as minas da região, portanto um ponto estratégico ligando “o país dos cataguás e das congonhas”.
1694 – Chegou da grande bandeira paulista da qual faziam parte Bartolomeu Bueno de Siqueira, Manoel de Camargo, Miguel Garcia de Almeida e Cunha e João Lopes de Camargo, sendo a primeira bandeira oficial, portanto foi em nossa região que Minas Gerais começou a viver oficialmente.
Imagem da Internet
1694
Avelina Maria Noronha de Almeida
O homem branco
se extasia.
A terra é bela,
um Campo Alegre
dos Carijós.
Descansa aqui,
aventureiro,
de tuas andanças
e buscas.
A terra que serviu de abrigo
ao índio fugitivo
será para ti
pouso e riqueza.
Ah! nau paulista,
singrando mares de verdura…
Ancoraste na pedra de manganês.
No alto do mastro
o coração escreveu:
OURO.
Chuvas,vento, sol,
a sucessão de alvoradas e poentes
desmancharão o ambiciioso vocábulo.
Porém outras e outras palavras
serão escritas,
e talvez apagadas,
até que, um dia,
o sangue do indígena,
o pigmento do negro,
o suor de teus descendentes
e o amplexo de outros povos
gravarão,
na bandeira que nos trazes,
LIBERDADE E PROGRESSO!
(Continua)