Entre Minas e Bahia: conheça o Vale do Mucuri e suas riquezas gastronômicas

Teófilo Otoni, Nordeste de Minas Gerais, ganha guia gastronômico com receitas que valorizam ingredientes locais e inspirações libanesa e alemã à mesa

O Vale do Mucuri, que fica no Nordeste de Minas Gerais, é uma das regiões mais plurais quando falamos da gastronomia e possui receitas feitas com ingredientes típicos que a tornaram reconhecida nacionalmente. Estamos falando de requeijão moreno, mandioca e carne de sol, que, juntos, formam a identidade local reconhecida pelo Brasil inteiro. Um dos destinos que está na rota da região é Teófilo Otoni, município com 150 mil habitantes e um dos principais pontos de parada dos mineiros que viajam rumo ao sul da Bahia.

Teófilo Otoni é reconhecida por uma gastronomia caracterizada por uma junção de sabores e culturas distintas. Além da forte presença da culinária típica interiorana, também apresenta influência da cultura libanesa, alemã e da Bahia, características que tornam os pratos ainda mais especiais e diferenciados. Motivos mais do que suficientes para que o município ganhasse a primeira edição do “Guia Gastronômico”, lançado no mês passado, que engloba 20 bares e restaurantes com receitas que traduzem ao paladar o caldeirão de referências culturais.

Um dos exemplos é o restaurante Rua das Flores, fundado há 39 anos, que traz como carro-chefe um prato que une a culinária árabe e a tradicional carne de sol. “Elaboramos um kebab, um sanduíche árabe feito com pão folha de fabricação própria, coalhada e a carne de sol, que é um dos nossos principais ingredientes e representa a mineirice. Aqui tem uma comunidade árabe muito relevante e que sempre esteve presente em nosso restaurante. Não há como separar essa referência da nossa mineirice”, disse Raíssa Bamberg, uma das responsáveis pelo espaço que foi fundado pela mãe, Olívia Bamberg.

Assim como o restaurante Rua das Flores, todos os endereços que integram a publicação, participaram do programa Prepara Gastronomia, iniciativa do Sebrae Minas que oferece suporte empresarial e capacitações para melhorar a gestão aos pequenos negócios. Um dos pilares do projeto foi justamente elaborar pratos inéditos para o cardápio e para o guia, que contam a história das referências culturais, feitas com ingredientes locais como requeijão moreno, mandioca e carne de sol. As novidades foram desenvolvidas com consultoria do chef Michel Abras.

“Temos aqui o turismo de passagem, que são pessoas em viagem que passaram pela região para dormir uma noite e seguir ao destino. Percebemos que temos bons restaurantes, mas que os estabelecimentos não estavam preparados e, por isso, o movimento era baixo. Para nós, estava muito claro que havia uma riqueza gastronômica muito grande na cidade e uma oportunidade de negócio”, contextualiza Rogério Fernandes, gerente regional do Sebrae. 

Do lado

A influência da Bahia, Estado vizinho, é uma das marcas do Raynices Bar & Restaurante, um dos estabelecimentos que também participa do Guia Gastronômico de Teófilo Otoni. Especializado em peixes e frutos do mar, o negócio familiar está há 37 anos na cidade. Os peixes servidos lá são buscados em municípios como Alcobaça e Caravelas, ambos na Bahia, a cada 40 dias pelo proprietário George Hamilton, terceira geração da família à frente do estabelecimento.

Peixes como robalo, vermelho e badejo e outros frutos do mar são utilizados para pratos como moqueca e paella. “Usamos dendê, leite de coco e pimenta malagueta caseira, que não pode faltar!”, disse George Hamilton. Para o guia, ele preparou uma paella feita com camarão, lula e polvo.

A Fazenda Jurema, que hoje é mantida pela 5ª geração de uma tradição familiar, resgatou a essência da produção artesanal e inovou nos queijos. Vale dizer que a essência da produção queijeira do Nordeste de Minas se concentra no reconhecido queijo cozido, em amostras como trancinha, queijo cabacinha e requeijão moreno. Produzida há várias gerações no Nordeste mineiro, a iguaria é feita exclusivamente com leite de vaca e em um dos processos adiciona-se água quente à coalhada, antes do queijo ser moldado manualmente, em formato de bolas, nós ou tranças. 

“Estamos começando um movimento de produzir queijos maturados e diferentes, além de iogurte natural e burrata para fazer parte também dessa cultura gastronômica da cidade”, disse a jovem Dora Maria Laender, cozinheira responsável pela produção de queijos da fazenda. Para o guia, ela criou o “bão” de queijo: trata-se de um pão de queijo recheado com carne de porco criado na própria fazenda, alimentado pelo soro excedente do processo queijeiro. Soma-se ao recheio a geleia de pimenta e queijo sereno feito na casa com maturação de 15 dias.

No restaurante Pinguins, um dos clássicos da cidade e famoso pela carne de sol, o ingrediente foi mantido no prato e como acompanhamento pirão de leite, feito com leite de vaca e farinha de mandioca.

Para este ano de 2024, novas ações ainda estão previstas para alavancar Teófilo Otoni como polo gastronômico e ser transformado um local de destino, e não só de passagem para quem está indo para a Bahia.

A jornalista viajou a convite do Sebrae Minas

FONTE O TEMPO

, , , , , , , , , ,

Últimas Notícias

Receba notícias em seu celular

Publicidade

© 2023 – Criado por  Dr. Hosting Brasil.