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De maquinista a artista popular: a vida, a trajetória e a obra de Jorge Fonseca ganham as telas dos cinemas

Previsto para ser lançado em maio, o curta “Nos Trilhos de Jorge”, nome ainda provisório, segundo os produtores, revisita obra pujante e a trajetória singular do inventivo artista Jorge Fonseca, com quase 30 de intensa produção, desde os bordados, ainda na infância, sua formação, autodidata com diferentes vivências e experiências profissionais como: maquinista de trem, marceneiro, designer de móveis, designer de moda e arte-educador.

O livro narra sua vida como maquinista na extinta rede ferroviária, até sua incursão no mundo das artes. O lançamento, a princípio acontecerá em Ouro Preto, no Cine Vila Rica, instalado no anexo do Museu da Inconfidência. A primeira capital do Brasil verá também de forma inédita a reprodução do filme ao público. A ideia central do filme foi relacionar as obras de Jorge com sua vida pessoal e profissional, além de veia artística, profundamente comprometida com as transformações sociais e marcada pelo cotidiano.

“É um filme de curta-metragem e com um recurso limitado. Então ele tem um recorte muito específico que é exatamente esse de ouvir a trajetória do Jorge, que é muito peculiar, pois ele é alguém que começou a bordar ainda criança, depois virou maquinista e resolveu largar a profissão para se dedicar a produção artística”, analisou o cineasta Marco Aurélio Ribeiro.

O curta é uma co-produção da Navalha Produtora Audiovisual e da Maia Filmes, sediada em Ouro Preto, onde reside Jorge, desde quando foi buscar amplitude e visibilidade para sua produção artística. O filme é financiado pela Lei Paulo Gustavo de Ouro Preto.

O curta foi todo gravado em Ouro Preto na casa/ateliê do protagonista, com amplos depoimentos que retratam fielmente sua vida. “A religiosidade tem uma presença muito forte na obra do Jorge. E talvez esse seja um dos motivos dele ter escolhido viver em Ouro Preto”, disse Marco Aurélio, remetendo à tradição secular da cidade envolvida por dezenas de igrejas e em um ambiente totalmente singular que reflete e marca sua obra.

Outro elemento muito interessante na obra do Jorge é o olhar feminino. “Isso tem muito a ver com a sua criação e sua relação com a mãe e com as tias, com quem ele aprendeu a bordar ainda criança. Esse universo feminino está muito presente nas obras dele”, ressaltou o produtor. A intenção é exibir “Nos trilhos de Jorge” na terra natal do artista e posteriormente a proposta é enviá-lo para festivais e canais de tv aberta, fechada e streamings.
Os produtores também buscam captação na Lei Rouanet para uma circulação do Fiotim, o museu itinerante criado pela imaginação criativa de Jorge Fonseca. “Estamos tentando captar recursos para executar esse projeto em três cidades e que também prevê a produção de um documentário sobre o projeto”, comentou Marco.

Da infância a maturidade, Jorge é um outsider, om prêmios e reconhecimento nacionais, que dá vida a figuras humanas à margem do sistema. A originalidade e a criatividade do lafaietense residem fora dos padrões convencionais de arte e tem liberdade de explorar novas ideias e abordagens que resultam em soluções inovadoras e disruptivas.

Outra característica comum do outsider é a sua resistência. Por estar à margem do sistema, ele muitas vezes enfrenta resistência e oposição por parte daqueles que estão no poder. No entanto, o outsider não se deixa abater por essas adversidades e continua lutando por aquilo em que acredita.

Jorge Luiz Fonseca trabalhou como professor do Departamento de Artes da UFJF e diretor de criação e produção de grupos de artesãos. Ele foi Vencedor do PIPA Online 2017 e indicado ao Prêmio PIPA 2017.

Jorge fala do filme: “Me emocionei muito durante esses dias de gravação”, confidenciou

CORREIO – Como você enxerga este reconhecimento pelo filme de sua trajetória?
Jorge- Eu enxergo como a valorização de toda uma vida de esforço e dedicação a um sonho. Quando comecei, tudo ao meu redor indicava que não era possível (eu venho de uma família simples, comecei a trabalhar ainda criança, fui marceneiro, maquinista de trem, me casei e tive filhos cedo…). Ainda assim me lancei, me empenhei, desenvolvi uma pesquisa e um trabalho próprio, que com o passar dos anos foi obtendo reconhecimento, premiações e está em grande acervos e coleções – como Museu de Arte Moderna do Rio, Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu Afro Brasil, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, dentre outros; Fiz e participei de exposições no Brasil e no exterior; conquistei diversos prêmios nacionais e um em Nova Iorque, além de ter vivido várias experiências e acontecimentos interessantes ao longo da vida. Tudo graças ao artista que eu desejei ser e lutei para ser. Quando eu olho pra trás, penso que não saberia viver de outra forma. Viveria tudo aquilo outra vez.

CORREIO- Poder contar um pouco da minha trajetória artística e minha história de vida é algo muito marcante e emocionante. Dá na gente aquela sensação de felicidade por ter persistido no sonho, enfrentado as barreiras…

Jorge- Espero que isso possa emocionar e inspirar as pessoas a também correrem atrás de seus sonhos, sejam eles quais forem e apesar das adversidades.

CORREIO – Fale de seus novos projetos

Jorge- Estou começando a trabalhar uma agenda de viagens e apresentações do FIOTIM e também algumas exposições individuais.
No ano passado trabalhei muito: apresentei o FIOTIM no Festival Mundial de Circo, em BH; fiz uma grande e bem sucedida exposição no Rio de Janeiro e ainda passei 6 meses em Lafaiete, construindo um conjunto de esculturas monumentais na nova Praça Bernardo Guimarães (a Praça do Livro, como eu a chamo carinhosamente). Sei que ela já virou o xodó da cidade. Fico feliz. Há muito tempo que eu queria fazer e deixar um trabalho artístico bacana na minha cidade natal. Faltava pra mim fazer isso.

Há anos atrás, antes de me mudar para Ouro Preto, já havia feito um trabalho importante em Lafaiete, mas foi na área social. Quem presenciou ainda se lembra: por vários anos eu fui presidente voluntário do Lar de Maria, onde pude criar e implantar vários projetos pioneiros, de grande alcance e relevância para a população necessitada. Naquela época, o Lar de Maria foi uma referência no estado, como instituição de atendimento à criança e ao adolescente em situação de risco, abuso e abandono. Foram anos de muito trabalho e – graças a Deus – ótimos resultados

Qual a importância desse filme na sua carreira.
É de grande importância eu estar vivendo isso. Me emocionei muito durante esses dias de gravação. Este documentário é a prova de que o que foi feito e vivido vale a pena ser contado e preservado. É mais do que um registro, é um legado
E ainda me dá mais força e confiança pra seguir produzindo o meu trabalho.

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